Saída de Coronel da base governista se assemelha a saída de João Leão (PP), em 2022
Tasso Franco , Salvador |
01/02/2026 às 09:56
Angelo Coronel foi fritado em banho Maria e o sangue de barata
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Alguns veículos de comunicação vinculados à midia petista governamental estão tentando ou difundindo uma inversão dos fatos dando conta de que, a decisão do senador Ângelo Coronel em sair da base governista e provavelmente apoiar a candidatura ACM Neto (União) ao governo da Bahia, 2026, permitirá, agora, a composição da chapa "puro sangue" do petismo Jerônimo-Wagner-Rui e/ou Rui-Jerônimo-Wagner, sem transtornos.
A realidade dos fatos, no entanto, é outra. A saída de Ângelo Coronel se dá porque o senador estava sendo fritado em banho Maria pelo petismo baiano que já havia decidido desde novembro do ano passado (ou até antes) que a chapa seria "puro sangue". E, consequentemente, não haveria lugar para ele.
Foi a partir do posicionamento do petismo nessa direção desde quando Eden Valadares era presidente estadual do partido e também em pronunciamentos de Jaques Wagner, em entrevistas, ele que é o principal articulador do petismo Bahia que sesinaliza que a chapa seria "puro sangue". Portanto, sem margem de espaço ou negociações para Coronel, o qual, desde o início de 2025 vem dizendo que é candidato à reeleição.
Coronel, ao que diz e tem Gilberto Kassab como testemunha, tentou uma saída no PSD como candidato independente, porém, não conseguiu e espalhou uma outra versão que se atribui a segmentos do petismo de que ele fora a São Paulo com o objetivo de pedir a cabeça de Otto Alencar, da direção partidária na Bahia. Se há dúvidas em relação ao comportamento de Coronel, se de fato ele foi pedir a cabeça de Otto, Kassab poderá depor sobre isso.
O que motivou a saída de Coronel segundo seu depoimento foi o fato de que o petismo o excluiu da chapa e, como ele comentou, “não ter sangue de barata” pois, se não o querem, não ficaria rastejando para ocupar alguma posição ou ter benefícios governamentais ou indicações para tribunais. Coronel já havia dito, anteriormente e em entrevista à imprensa, que não interessa posições no TCM ou TCE, nem a vice-governadoria, e sua meta era (e ainda é) o Senado.
Há desdobramentos que vão se seguir após a decisão de Coronel se, de fato, integrar a chapa ACM Neto, uma situação assemelhada ao que aconteceu, em 2022, quando João Leão, PP, que era o vice-governador deixou a base governista de Rui Costa e se integrou a campanha Neto colocando o filho Cacá Leão, como candidato ao Senado.
Digo que as posições são assemelhadas, porém, não iguais, porque ainda não se sabe quem acompanhará Coronel nessa nova empreitada além dos seus dois filhos deputados, se mais algum deputado, quantos prefeitos e lideranças, etc, e qual o impacto que haverá tanto na chapa Neto; quanto na base governista. Só o tempo vai dizer qual será esse impacto.
O ex-presidente da Assembleia, Adolfo Menezes, em nota, diz que as bases dos deputados estadual e federal segue a orientação de Otto Alencar, mas, se trata de uma declaração política e não se sabe se isso é integral ou não.
O certo é que a pré-campanha ganha nova dinâmica com essa decisão de Ângelo Coronel, as composições vão ficando mais claras (nada ainda oficializado) e as conversas se aprofundam com os campos da disputa ficando mais abertos para os debates e também na nacionalização do pleito. Uma questão ainda está em aberto: quem vai enfrentar Lula na Bahia? Lembrando que o atual presidente teve 72% dos votos no estado. (TF)