Diante das recentes declarações ofensivas por parte de membros da direção estadual do PMDB, o prefeito João Henrique anunciou que vai ingressar nesta terça-feira, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), com o pedido de autorização para deixar o partido. Na avaliação do prefeito, a solicitação atende ao trâmite legal da justiça eleitoral e se baseia no fato de que a direção estadual do PMDB tornou inviável a permanência dele nos quadros do partido, já que as críticas feitas nos últimos dias pelo presidente Lúcio Vieira Lima e pelo deputado Geddel Vieira Lima apresentaram caráter nitidamente pessoal e ofensivo.
O prefeito soube na noite de ontem, através de blogs, da sua suposta suspensão por parte do PMDB e considerou o anúncio uma manobra para gerar confusão no momento em que ele concluía a peça jurídica a ser apresentada hoje ao TRE pedindo autorização para deixar a legenda. "Nós estamos cumprindo o que estabelece a lei, respeitando prazos e protocolos, e pedindo ao TRE a autorização para deixar o partido. Vamos agora aguardar a decisão", disse.
Segundo o prefeito, declarações publicadas na imprensa nos últimos dias revelam o tratamento ofensivo que o PMDB vem dispensando a um político que, mesmo que não fosse do mesmo partido, mereceria consideração por ter recebido os votos de 753 mil eleitores e ser prefeito da terceira maior cidade do país.
Em off, segundo seus assessores, o apelido colocado por Geddel de "menino maluquinho" teria sido o motivo, entre outros, temendo que o PMDB o expulse.
A situação do prefeito João Henrique dentro do PMDB tornou-se insustentável e sua saída da legenda é tida como certa. Só não se sabe qual processo será o mais rápido, se sua desfiliação ou expulsão. Na segunda-feira, 17, a Comissão de Ética do partido aprovou o pedido de suspensão de sua filiação por medida cautelar, e vai analisar nos próximos 90 dias sua expulsão da legenda.
O PMDB irá reivindicar na Justiça o mandato do prefeito, informou o presidente estadual, Lúcio Vieira Lima. "Caso o processo de expulsão dure mais de 90 dias, a suspensão será renovada e ele continuará suspenso", resumiu Lima.
Ele informou que antes disso, o prefeito será notificado, apresentará defesa e vai depor na Comissão de Ética. Lúcio adianta que os motivos são o comportamento ético do prefeito, a falta de apoio ao PMDB e o fato de ele não ter colocado em prática o que pensa o partido.
"É uma mancha na carreira política do prefeito da 3ª capital do país ter um pedido de desfiliação feito por um partido como o PMDB", completou.