O deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) manifestou seu repúdio ao avanço do projeto Monte Alto, da australiana Brazilian Rare Earths (BRE), que pretende explorar terras raras no Vale do Jiquiriçá, no sul do Recôncavo Baiano. O empreendimento, apresentado como oportunidade de desenvolvimento, tem provocado preocupação entre moradores de uma comunidade rural majoritariamente negra, dedicada à agricultura familiar. Segundo a reportagem utilizada como base para este posicionamento, moradores relatam pressão para a venda de propriedades, enquanto cerca de metade da área do projeto se sobrepõe à APA Caminhos Ecológicos da Boa Esperança.
Hilton também critica a participação da bilionária australiana Gina Rinehart, uma das acionistas da BRE por meio da Hancock Prospecting e conhecida por seu apoio a Donald Trump e à agenda MAGA. A BRE possui, segundo os dados apresentados, 230 requisições relacionadas à mineração de terras raras na Bahia, correspondentes a 19,1% dos processos ativos no estado. A reportagem aponta ainda que a empresa declara controlar 167,6 mil hectares na região. Para o parlamentar, a exploração de riquezas estratégicas do território baiano não pode ser conduzida em detrimento das comunidades e dos interesses públicos.
“Não aceitaremos que o Vale do Jiquiriçá seja transformado em território de sacrifício para alimentar interesses de grandes mineradoras estrangeiras. O desenvolvimento não pode significar expulsão de famílias, destruição ambiental e concentração das riquezas nas mãos de poucos. A prioridade deve ser a defesa da população, da agricultura familiar, das águas, das nascentes e do patrimônio ambiental da Bahia”, afirma Hilton Coelho. A preocupação ganha dimensão ainda maior diante dos relatos de moradores sobre pressão nas negociações fundiárias: a reportagem registra que 104 das 117 famílias assinaram manifesto criticando a atuação da mineradora e relatando insegurança, falta de transparência e pressão para acordos.
Outro ponto de alerta é a presença de urânio e tório associados à mineralização. Segundo a reportagem, a própria empresa reconhece a presença natural desses elementos na região, enquanto moradores afirmam que o tema não teria sido devidamente discutido nas reuniões comunitárias. A reportagem informa ainda que existe processo em fase inicial de avaliação regulatória na Autoridade Nacional de Segurança Nuclear e que a empresa prevê, em uma etapa futura, o aproveitamento do urânio como coproduto. Para Hilton, qualquer projeto com potencial impacto ambiental, social e radiológico exige transparência absoluta, participação efetiva das comunidades e rigor máximo dos órgãos públicos.
“Estamos diante de uma nova ofensiva neoextrativista sobre a Bahia. Não podemos permitir que a riqueza mineral do nosso território seja apropriada por interesses privados enquanto comunidades negras e agricultores familiares são pressionados a abandonar suas terras. O povo do Vale do Jiquiriçá tem direito à informação, à participação e à proteção de seu território. Nenhuma promessa de riqueza para acionistas estrangeiros pode valer mais do que a vida, a dignidade das famílias e a preservação ambiental. Nossa posição é clara: os direitos da população vêm antes do lucro da mineração”, conclui Hilton Coelho.