Política

QUEM SÃO ALIADOS DE TRUMP NO BLOCO ESCUDO DAS AMÉRICAS CONTRA FACÇÕES

COM INFORNMAÇÕES DO GLOBO.COM
Da Redação ,  Salvador | 23/09/2026 às 09:14
Trump e os aliados das Américas
Foto: DIV CASA GRANDE
  Os membros da coalizão Escudo das Américas assinaram na última terça-feira (22) um acordo para designar formalmente as facções narcotraficantes como "ameaças compartilhadas" e torná-las alvos de sanções. As facções brasileiras PCC e CV estão entre os 24 grupos citados como alvos da proposta.

A organização foi criada em março de 2026 durante uma reunião de líderes do continente na Flórida, a convite do presidente dos EUA, Donald Trump. O evento, inclusive, ocorreu em um resort cujo dono é o próprio Trump.

O grupo é formado por governos ideologicamente alinhados ao governo do republicano e incluem vizinhos do Brasil como Argentina, Bolívia e Peru.


Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, não foi convidado para a reunião de formação da entidade. Também ficaram de fora representantes da esquerda, como Claudia Sheinbaum, do México, Gustavo Petro, da Colômbia, e Delcy Rodríguez, da Venezuela — a Colômbia entrou no bloco posteriormente, com a posse de Abelardo de la Espriella.

Especialistas apontam a criação da aliança com a "Doutrina Donroe", projeto do governo Trump de manter os países da América so a zona de influência dos EUA.

Veja quem são os atuais integrantes do Escudo das Américas:

Estados Unidos da América;
Argentina;
Belize;
Bolívia;
Chile;
Colômbia;
Costa Rica;
El Salvador;
Equador;
Guiana;
Honduras;
Panamá;
Paraguai;
Peru.

Sanções contra 'narcoterroristas'

O texto que anuncia sanções contra PCC e CV, entre outras facções, é assinado por Estados Unidos da América, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.

"Reconhecendo que uma ameaça imediata e universalmente compartilhada em nosso hemisfério é aquela representada por organizações narcoterroristas transnacionais — as quais põem em risco a paz e a segurança do hemisfério, bem como a segurança e a prosperidade de nossos cidadãos —, anunciamos hoje a primeira ação conjunta no âmbito de nossos pilares recém-anunciados: ação individual e coletiva para enfrentar o flagelo do narcoterrorismo", diz o documento assinado pelos membros da Aliança e divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA.

"Nesse sentido, declaramos nossa intenção de impor, conforme aplicável e em conformidade com nossas respectivas obrigações legais internacionais e internas: o congelamento de ativos; restrições de imigração e de visto para membros, associados e apoiadores dessas organizações; e a responsabilização criminal de indivíduos que, conscientemente, forneçam apoio material — incluindo apoio logístico — a tais organizações, entre outras medidas. Esta primeira ação conjunta concentrar-se-á nas 24 organizações listadas abaixo, independentemente da denominação que recebam em cada um de nossos países", diz o texto, que elenca PCC e CV entre os alvos das medidas.

O documento diz que acionará um mecanismo de reciprocidade da Organização dos Estados Americanos para viabilizar a medida.

O tráfico de drogas foi um dos temas abordados por Trump em sua fala na Assembleia Geral da ONU, na terça.

"Lançamos o poder das Forças Armadas dos EUA para eliminar gangues e cartéis de drogas sangrentos. (...) Os cartéis são o Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental. São inimigos em guerra contra a civilização, usando assassinato, estupro, tortura e extorsão como instrumentos de terror, e por isso eles devem ser mortos, exilados ou detidos", afirmou Trump.

Trump prometeu extinguir o que chamou de "interferência externa" no Hemisfério Ocidental e disse que pode utilizar o poderio militar norte-americano para isso.