Espera-se que, no maio amarelo do próximo ano o Detran ajuste o foco de sua campanha e convoque: Motoqueiro, respeite o trânsito!
Waldeck Ornelas , Salvador |
01/06/2026 às 10:46
Pista exclusiva para motos no Bonocô, 1 ano sem acidentes
Foto: PMS
O mês é maio, a cor é amarela, o movimento é internacional, o objetivo é a conscientização, para reduzir os acidentes e mortes no trânsito, e o Detran, em seu outdoor conclama: Respeite o Motociclista!
Não é o que se vê nas ruas. Claro que existem os motociclistas clássicos e tradicionais, mas o que predomina hoje é uma subcategoria deseducada que anda de moto: os motoqueiros. Enquanto “motociclista” denota formalidade e respeito às normas, “motoqueiro” é popularmente usado de forma pejorativa para condutores imprudentes. É como uso aqui.
No trânsito, uma moto é igual a um carro, no sentido de que está sujeita às mesmas normas. Na prática, as motos tornaram-se mísseis desgovernados que percorrem o trânsito das cidades brasileiras tocando o terror. Existem várias espécies: a dos entregadores (transporte de produtos), a dos mototáxis (transporte de passageiros), a dos que utilizam a moto como meio de transporte casa-trabalho, entre outras.
Apitam, avisando que vão atacar, como se os condutores de automóvel tivessem que dirigir de costas, preocupados com quem vem de trás.
A situação é crítica. O número de acidentes é crescente. Salvador, há poucos anos, atendia aos parâmetros internacionais e se tornara referência para o Ministério da Saúde e a Organização Panamericana de Saúde (Opas). Perdeu, no entanto, esta credencial, graças às motos.
De janeiro a março deste ano, registraram-se 84 sinistros com moto na av. Paralela, uma via expressa com cinco faixas de tráfego. Seguem-lhe, a Av. ACM, com 37 ocorrências e a Av. Tancredo Neves, com 29. No total, entre janeiro e março de 2026 – antes do maio amarelo – ocorreram em Salvador 795 acidentes com motos, com 29 mortes.
Em 2025 foram 3.245 acidentes, com 88 vítimas fatais. Projetando-se o balanço trimestral, o número será bem superior em 2026. É indispensável que esta tendência seja contida. Mas não se conseguirá êxito sem a mudança de atitude dos motoqueiros.
Para começo de conversa, é indispensável que os motoqueiros utilizem os equipamentos de proteção, respeitem a luz vermelha nos semáforos, obedeçam ao limite de velocidade das vias públicas e não circulem pela contramão.
Com a tecnologia hoje disponível, é possível à Transalvador fazer a fiscalização eletrônica e adotar as medidas punitivas necessárias e inadiáveis.
No passado, as faixas de tráfego nas grandes avenidas chegavam a ter 3,5m de largura (padrão rodoviário). Hoje estão sendo reduzidas a 2,5m, o que praticamente impede a ultrapassagem. Mas não é o que ocorre. Os motoqueiros ultrapassam, e pelos dois lados.
Recentemente, foi criada a faixa azul, exclusiva para as motos. Mas não é uma solução que possa ser aplicada a todas as vias urbanas pré-existentes. Convém que os novos projetos a contemple, para as vias coletoras, arteriais e expressas.
Muitas vezes a moto entra em cena como substituta do carro, ou como reflexo da insuficiência ou inadequação do transporte público, o que também incrementa o uso dos automóveis, não apenas das motos. Fato é que a moto tornou-se veículo presente e com participação significativa no fluxo de trânsito de nossas cidades. É preciso domá-las.
Espera-se que, no maio amarelo do próximo ano o Detran ajuste o foco de sua campanha e convoque: Motoqueiro, respeite o trânsito!