Cultura

AÇÃO LITERÁRIA NA CASA DAS HISTÓRIAS DISTRIBUI CORDEIS DE CAPOEIRISTAS

"A Lenda de Badauê" e "Mulungu de Rosa" criação de Eddy Azuos
Tasso Franco , da redação em Salvador | 08/04/2026 às 18:35
Casa das Histórias, Salvador
Foto: Jefferson Peixoto

Mestres de capoeira foram transformados em personagens de ficção e passaram a ilustrar as páginas de duas obras de cordel: “A Lenda do Badauê” e “Mulungu de Ronda”. Ambas, criações do ilustrador e comunicador Eddy Azuos, foram distribuídas nesta quarta-feira (8), na Casa das Histórias de Salvador (CHS), no Comércio, para os visitantes que estiveram no local. A ação, realizada pela Secretaria de Cultura e Turismo de Salvador (Secult), ocorreu no dia em que a visitação aos equipamentos culturais públicos da cidade é gratuita e integra a programação do Dia Nacional do Livro Infantil.

Os visitantes também participaram de um bate-papo com o autor, com a oportunidade de tirar dúvidas e conhecer melhor o processo criativo. A ideia para a construção das obras, de acordo com Eddy, nasceu de um questionamento sobre a ausência de referências nacionais no gênero de super-heróis.

“Por que a gente não usa capoeiristas como fonte de inspiração para construir nossos próprios super-heróis? Por que temos ninjas, tartarugas e até monges, mas não nos inspiramos nas nossas próprias referências? Então, achei que poderíamos, em algum momento, ter um universo de super-heróis inspirado nas histórias brasileiras, e que a capoeira poderia ser um potencializador para isso”, explicou.

A obra de estreia, “A Lenda do Badauê”, por exemplo, utiliza elementos da capital baiana, como o Dique do Tororó, como cenário para o surgimento de um justiceiro negro. O visual do protagonista é uma homenagem ao Mestre Moa do Katendê. Já o segundo título, “Mulungu de Ronda”, resgata a figura histórica de João Mulungu, líder escravizado em Sergipe.

Egresso da cultura hip-hop, Eddy adaptou a métrica de composição do rap às regras da literatura de cordel. Enquanto o primeiro livro foi escrito em quintilhas, o segundo utilizou sextilhas. Segundo ele, é necessário atenção à rima, à cadência e à sensibilidade de quem vai ler ou ouvir a obra.

“É um desafio muito interessante porque, ao mesmo tempo em que você precisa se preocupar com a rima, também deve evitar a repetição de palavras e dar sentido às sensações que o público vai experimentar. O cordel foi feito para ser recitado, não apenas lido; por isso, é preciso escrever imaginando a sonoridade. Tudo precisa fazer sentido. Não se pode usar muitas palavras fora do contexto de quem vai ler, para que a obra seja compreendida. Foi nessa ideia que o cordel me fisgou”, explicou.

Para o autor, levar histórias a espaços como a Casa das Histórias é fundamental para a democratização da leitura. Ele já havia participado da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), na edição do ano passado, onde seus livros também foram distribuídos aos visitantes.