Colunistas / Miudinhas
Tasso Franco

BAIA DE TODOS OS SANTOS: A SINGAPURA DAS AMÉRICAS; POR ENQUANTO DEBATE

Tem 500 anos se discutindo a Baía de Todos os Santos e não sai do lugar. Muita conversa, muito debate, mas ações reais que é bom são poucas as efetivadas.
12/04/2026 às 10:17
     1. O painel “A Baía de Todos-os-Santos, a Singapura das Américas e capital da Amazônia Azul” foi apresentado pela secretária de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda de Salvador (Semdec), Mila Paes, nesta sexta-feira (10), durante o Bahia Export 2026, na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), no Stiep. O evento reuniu cerca de 250 autoridades públicas, executivos e lideranças empresariais e teve como foco conectar representantes do setor produtivo para discutir como a infraestrutura portuária e a economia azul podem transformar a realidade econômica da região.

   2. O encontro contou com a presença de especialistas para debater gargalos e soluções do setor, como Guilherme Nogueira Dutra (Wilson Sons), Josias Cruz (Aciclem) e Waldeck Ornélas (Instituto Desenvolve Bahia). Durante o painel, a secretária apresentou um paralelo entre a Baía de Todos-os-Santos e Singapura sob a perspectiva de entreposto logístico e ressaltou a vocação marítima da cidade.

   4. “Estamos no ponto médio do Brasil e em uma localização estratégica entre a América, a África e a Europa. Temos eficiência logística de padrão internacional nos portos da Baía de Todos-os-Santos. O potencial de atração de cargas, por exemplo, do oeste da Bahia, é muito grande. Nosso estado é o segundo maior produtor de algodão do Brasil, exatamente no oeste, e esse escoamento por aqui reduz custos de transporte e logística”, explicou.

   5. Para ela, a economia do mar pode ser a principal via de reversão econômica de Salvador. “Já somos a capital da Amazônia Azul, mas chegou a hora de definirmos nossa escolha, assim como Singapura fez no passado, ao se consolidar como um polo logístico e de exportação. Não dá para acreditar que a evolução econômica da cidade não passe pelo mar”, afirmou Mila.

   6. Desafios logísticos — Diretor comercial da Wilson Sons, Guilherme Nogueira Dutra, destacou a necessidade de planejamento de longo prazo. “É um desafio pensar Salvador no mesmo percurso de Singapura, mas é um desafio interessante, que exige planejamento consistente e não será concluído por quem o iniciou. Precisamos deixar o imediatismo de lado e avançar com foco no futuro, especialmente em relação à multimodalidade e a corredores de transporte eficientes. Singapura construiu esse caminho desde a década de 1960. Precisamos começar agora para colher resultados no futuro”, avaliou.

   7. Dutra também apontou entraves estruturais: “Precisamos melhorar os acessos para ampliar a eficiência logística. A prioridade é a acessibilidade. Também é fundamental investir na qualificação da mão de obra, como motoristas preparados para o transporte voltado à exportação”, completou.

   8. Para Waldeck Ornélas, consultor associado do Instituto Desenvolve Bahia, superar o isolamento logístico é essencial para o crescimento do estado. “A Bahia apresenta um desempenho de desenvolvimento abaixo do esperado, e o isolamento logístico pesa muito nisso. Podemos avançar significativamente ao ampliar a eficiência e atrair investimentos. Salvador precisa estar fortemente conectada ao oeste baiano”, afirmou.

   9. Ele também destacou a integração regional e o papel das ferrovias. “Precisamos estruturar um plano claro para que Salvador se torne o principal porto do Matopiba. Projetos precisam ser integrados para garantir uma infraestrutura eficiente. A retomada da Ferrovia Centro-Atlântica é essencial para ampliar as possibilidades portuárias, inclusive com impactos positivos no polo logístico de Valéria”, disse.

   10. Representando o setor produtivo do interior, Josias Cruz, presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Luís Eduardo Magalhães (Aciclem), trouxe a perspectiva do escoamento do algodão. “Precisamos cuidar do que já temos. O transporte rodoviário é eficiente, mas o Brasil tem dimensões continentais e precisa qualificar ainda mais seus modais. Estamos chegando a 20% do algodão exportado por Salvador, e a tendência é de crescimento. Por isso, o transporte rodoviário precisa de atenção”, destacou.
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   11. A mobilidade e a infraestrutura de Wenceslau Guimarães ganharam reforço durante a visita do governador Jerônimo Rodrigues no município, neste domingo (12), quando foi assinada a ordem de serviço para a pavimentação asfáltica ligando o Povoado de Cocão à BR-101, no trecho que passa por Teolândia. A obra, que se estende por 14,5 quilômetros, representa um investimento acima de R$ 20 milhões.

  12. “Em Wenceslau Guimarães viemos direto para o distrito de Cocão, foi uma festa de alegria, porque eu sei o que significa  quando chega o asfalto em distrito, povoado, a comunidade passa a ter conectividade. É uma região que produz muito, graviola, banana e cacau. Então nós vamos a partir de agora construir essa estrada. As máquinas já estão aqui”, falou o governador.

  14. Além de beneficiar o comércio, Jonilson Pereira, de 35 anos, coordenador do CRAS de Cocão, destaca que “a pavimentação vai contribuir principalmente para agricultura familiar e vai ser maravilhosa para a população. É histórico para nós”.

  15. A obra soma-se a outras entregas realizadas pelo Estado no município de Wenceslau Guimarães. No início de 2025, o governo baiano já havia destinado mais de R$ 582 mil para fortalecer o sistema de saúde local, com a entrega de uma ambulância, um veículo para Tratamento Fora do Domicílio (TFD) e kits completos para a Unidade de Saúde da Família da comunidade do Rio Preto. O conjunto dessas ações reafirma a estratégia de interiorizar os investimentos que transformam o cotidiano da população do território do Baixo Sul.
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   16. Dário Meira completa neste domingo (12), com intensa comemoração, 64 anos de emancipação política, mesma data na qual o município de Aiquara também festeja sua independência política. “É com alegria que celebro a emancipação desses dois municípios, destacando a contribuição que eles tem dado para o desenvolvimento do território do Médio Rio de Contas”, disse o deputado municipalista Hassan (PP), que protocolou na Assembléia Legislativa da Bahia moções de aplausos para marcar essa importante data. “Através de suas prefeitas, Mari Dias e Valéria Ribeiro, mulheres valorosas e guerreiras que trabalham com firmeza visando o bem estar de suas comunidades, parabenizo e abraço todos os dario-meirenses  e os aiquarenses”, disse o parlamentar.

   17. Ao parabenizar Dário Meira pela data histórica, Hassan destacou o espírito valente e solidário de sua população, lembrando a bravura com que os dario-meirenses se juntaram ao poder público para reconstruir a cidade, destruída pelas enchentes de dezembro de 2021. O legislador destacou as políticas públicas que vem sendo executadas pela prefeita Mari Dias, e disse que “para mim tem sido importante apoiar a gestão municipal, e reafirmo meu compromisso de caminhar lado a lado com minha amiga, prefeita Mari, contribuindo para o crescimento socioeconômico de Dário Meira”.

   18. Ele cita que a região onde hoje está localizado o município de Dário Meira fazia parte de uma extensa faixa de aldeamentos indígenas, conhecida como Sertão da Ressaca. Esse território, das margens do alto Rio Pardo até o médio Rio de Contas, era habitado pelos povos indígenas Mongoiós, Aimorés e Pataxós, pertencentes ao tronco Macro-Jê.

   19. Os primeiros moradores da região onde surgiu o município de Dário Meira, entre os anos de 1744 e 1799, foram o sargento-mor Raimundo Gonçalves da Costa e André Rocha Pinto, que em busca de zonas auríferas, exploravam as regiões banhadas pelos rios Gongoji e Novo. Em 1909, quando o sertanejo Gerônimo Rêgo Moutinho, com sua esposa Ana Moutinho e filhos aportaram naquelas terras, foi que surgiu a primeira propriedade rural, tendo como divisas naturais cercas vivas, que ficaram conhecidas como as célebres cajazeiras.
   
   20. Tem 500 anos se discutindo a Baía de Todos os Santos e não sai do lugar. Muita conversa, muito debate, mas ações reais que é bom são poucas as efetivadas.