Salvador

JUIZ DECIDE ESTA SEMANA SE MANDANTES CRIME NEYLTON VÃO A JÚRI POPULAR

A primeira das matérias foi exibida hoje
| 07/07/2008 às 14:09
  O Bahia Meio Dia (TV Bahia) desta segunda-feira (7), dia que completa 1,6 ano da morte do funcionário público Neylton Souto da Silveira, dentro do prédio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), iniciou uma série de reportagens que vão mostrar todas as irregularidades praticadas em diversos setores do serviço público.


  A equipe passou três meses examinando o processo e os documentos do caso Neylton Souto da Silveira. Ainda esta semana o juiz que cuida do caso vai decidir se os quatro acusados de envolvimento na morte do servidor vão a júri popular.


  São dois processos. O processo criminal tem mais de mil páginas. Já o trabalho de apuração das denúncias de improbidade administrativa, realizado pelo Ministério Público e a Controladoria Geral da União, revela a existência de dezenas de irregularidades.

No Fórum Ruy Barbosa o processo sobre a morte de Neylton já ultrapassa mil páginas.

   EQUIPE DA TV

  São dezesseis volumes aos quais a equipe da TV Bahia teve acesso com exclusividade. Nos autos, detalhes de um crime até agora sem solução: um assassinato praticado dentro de um prédio público durante um fim de semana sem expediente.

Neylton Souto da Silveira chegou à sede da SMS para trabalhar no dia 6 de janeiro de 2007. Aquele seria o último dia em que a família o veria com vida. "O que ele passou para a gente houve uma convocação e ela não desceu para a portaria. Foram convocados três funcionários e somente Neylton foi a essa convocação", conta a viúva Emília Silveira.

  No dia seguinte, ele foi encontrado morto dentro do pátio interno. O laudo técnico mostra que o corpo, vestido apenas com camisa, cueca e uma meia, tinha sinais de espancamento e estrangulamento. Ele também carregava no pescoço um pen-drive que chegou a ser fotografado pelos peritos, mas depois sumiu e não foi mais encontrado.

Para a Promotoria, o crime está ligado a queima de arquivo.
 
  "Ele morreu porque sabia demais", declara a promotora Armênia Santos. O resto da roupa e o sapato de Neylton apareceram doze dias depois do crime. Estavam escondidos em um duto, por onde passa a tubulação do prédio. Na época, a imprensa não teve acesso à área. Mas fotos obtidas por nossa equipe mostram que o local é de difícil acesso e que as roupas foram cuidadosamente depositadas na área.


   PRESOS

  A polícia apresentou como executores do crime os vigilantes Josemar dos Santos e Jair Barbosa da Conceição. Josemar chegou a confessar o assassinato e disse que receberia R$ 20 mil para fazer o serviço a pedido das chefes. Depois ele passou a negar tudo, assim como o vigilante Jair Barbosa, que sempre negou a participação no assassinato. Os dois continuam presos.


  As acusadas de serem as mandantes, a ex-sub-secretária Municipal de Saúde, Aglaer Souza, e a consultora técnica Tânia Pedroso, respondem ao processo em liberdade e hoje vivem em São Paulo. O caso sempre esteve sob responsabilidade do juiz Cássio Miranda. Ele realizou todas as audiências iniciais, ouviu as testemunhas e pessoas citadas no inquérito. Mas o processo passou para as mãos de um outro juiz.


  Neylton Souto da Silveira trabalhava na Gestão Plena do Fundo Municipal de Saúde. O setor é responsável pelo pagamento das empresas contratadas pela prefeitura para realizar serviços médicos e exames. Com base no processo criminal, o MP e a Controladoria Geral da União fizeram uma auditoria nos contratos.


  O resultado é um relatório de mais de mil páginas. Em cada página, os auditores federais apresentam acusações de desvio de dinheiro e desperdício de verbas públicas envolvendo o projeto de combate a endemias, os postos de saúde básica e os de saúde da família.