Milhares de baianos e turistas vão hoje a enseada do Rio Vermelho
Imagem da Casa de Iemanjá, no Rio Vermelho, com orixá de feição branca (Foto: Tasso Filho)
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A imagem de Iemanjá é negra ou branca. Essa é uma polêmica que nunca terá fim. Para o povo de santo a orixá, por ser de origem africana, é negra; e para os católicos e outros é branca e está representada sobretudo na imagem do artista Lauro Martinelli, saindo das águas e cercada de rosas, vestindo um longo e usando uma coroa que prende seus cabelos negros e longos.
No barracão do Rio Vernelho a imagem é de uma Iemanjá branca e na parte externa do barracão há uma imagem de uma orixá/sereia também branca.
O certo que branca ou negra, hoje, na enseada do Rio Vermelho, se realiza a festa popular de largo de Salvador que reverencia uma deuxa do povo do santo sem sincretismo com a igreja católica.
CANDOMBLÉ DA BARROQUINHA
No seu bem fundamentado livro O Candomblé da Barroquinha - Processo de Constituição do primeiro terreiro baiano de Keto - , Renato da Silveira, destaca que nas guerras entre os povos africanos "os egbás ou ebás, habitantes do centro-sul do país iorubá, trouxeram Iemanjá, divindade do Rio Ogum, às vezes chamado de Odo Yemoja, o qual, portanto, não deve ser confundido com Ogum (Ògúm), deus dos ferreiros".
Silveira destaca, ainda, que "Yêmodjá, como aproximadamente se pronuncia no país iorubá, era orixá oficial da cidade de Abeokutá, como capital do país egbá, banhada pelo rio Ogum e fundada mais ou menos em 1830. Os egbás eram inicialmente habitantes de uma região situada na bacia do Rio Oxum, migrado no início do século XIX para a região do Rio Ogum".
Segundo Silveira, "trouxeram consigo o culto de Iemanjá que, a princípio, era uma qualidade de Oxum, visto que algumas Iemanjás chamam-se Yeyê (Yeyemoja), como várias oxuns".
HISTÓRIA
Ainda segundo o livro de Renato da Silveira os egbás da Bahia vieram principalmente de Abeokutá. "O pai do famoso babalaô Martiniano do Bonfim era egbá e foi trazido como escravo para a Bahia mais ou menos em 1820 (antes, portanto, da fundação de Abeokutá), emancipando-se em 1842".
Segundo Nina Rodrigues havia um culto a Iemanjá no Dique do Tororó e, ainda hoje, a festa para Iemanjá (que acontece hoje no Rio Vermelho) as cerimônias iniciais são feitas nas águas doces do dique.
Para Silveira "Iemanjá aqui chegou com esse caráter ambíguo, mesmo porque, já em Abeokutá, ela era eventualmente saudada como Augbo Olokum - a velha senhora do mar . De qualquer maneira, o panteão baiano de Keto especializou Iemanjá, tornando-a a rainha das águas salgadas" - conclui.