Política

PR INVESTIGA SE WAGNER RECEBEU APARTAMENTO DE LUXO NO HORTO FLORESTAL

Jornal do Meio Dia Globo deu grande destaque ao caso Wagner e Master
c/ DIARIO DO PODER , BR | 18/06/2026 às 16:27
PF faz buscas em endereços de Jaques Wagner
Foto: REP TV GLOBO
      

A Polícia Federal (PF) aponta o senador Jaques Wagner (PT-BA), atual líder do governo Lula no Senado, como possível beneficiário de um esquema de vantagens econômicas indevidas oriundas de executivos ligados ao Banco Master.

A apuração faz parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga crimes financeiros, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Entre as principais suspeitas detalhadas nos relatórios policiais estão a aquisição oculta de um apartamento de alto padrão, repasses milionários a familiares e o financiamento de mimos de luxo no exterior.

A linha mais grave da investigação envolve a unidade 1.702 do condomínio Poème Horto, localizado em uma área nobre de Salvador, avaliada em R$2,45 milhões.

De acordo com as provas obtidas pela PF, o próprio senador Jaques Wagner teria enviado ao empresário Augusto Lima (ex-sócio do Banco Master) os dados completos do empreendimento, o contato do corretor imobiliário, a indicação do apartamento e o valor do imóvel.

A compra teria sido operacionalizada por meio de terceiros e registrada em nome da empresa Epítome S.A., utilizando recursos de estruturas de fundos vinculadas ao grupo sob investigação, técnica que a PF descreve como compatível com a ocultação do real beneficiário.

Mensagens interceptadas pelos investigadores reforçam a tese de que o imóvel pertencia, de forma oculta, ao núcleo familiar do senador petista.

Em maio de 2025, Jaques Wagner encaminhou a Augusto Lima uma mensagem atribuída a um de seus filhos pedindo os dados do proprietário formal do apartamento.

O objetivo do pedido era emitir um Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), documento obrigatório para a realização de reformas estruturais no imóvel.


Para as autoridades, o diálogo demonstra que, apesar de estar registrado em nome de uma pessoa jurídica ligada aos investigados, o apartamento estava sob a posse e uso da família do parlamentar.

Mesmo após a deflagração das fases iniciais da Operação Compliance Zero, as tratativas referentes ao imóvel continuaram ativas.

A Polícia Federal identificou que os envolvidos seguiram realizando reuniões, chamadas telefônicas, videoconferências e confeccionando minutas de documentos de cessão de direitos aquisitivos para tentar regularizar ou transferir a propriedade sem levantar suspeitas.

Além do patrimônio imobiliário, as quebras de sigilo e os materiais apreendidos revelaram um fluxo financeiro direcionado a parentes do líder do governo.

A empresa BN Financeira Ltda., associada ao núcleo familiar de Wagner, recebeu uma transferência de R$3,5 milhões da PKL One Participações S.A., empresa vinculada a Augusto Lima. Mensagens recuperadas mostram Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado do senador, cobrando ativamente o empresário sobre pagamentos pendentes, mencionando a emissão de boletos, notas fiscais e documentos para assinatura.

Planilhas localizadas no telefone celular de outro operador do esquema, Daniel Lopes Monteiro, listavam repasses adicionais que superavam R$2,34 milhões destinados a “Dudu”, apelido pelo qual o enteado do senador é identificado pelas investigações.

A Polícia Federal suspeita que a estrutura empresarial tenha sido utilizada para emitir notas frias e dar aparência de legalidade a repasses que não correspondem a nenhuma prestação real de serviços.

Diante dos indícios, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a suspensão total das atividades econômicas e financeiras das empresas envolvidas, incluindo a BN Financeira e a Epítome S.A.

O pacote de vantagens indevidas sob apuração também incluía o uso gratuito de aeronaves privadas vinculadas aos investigados para deslocamentos do parlamentar e o fornecimento de ingressos para um show internacional em Los Angeles, nos Estados Unidos, destinados a familiares de Wagner, com custo estimado em R$63,3 mil.

A suspeita central é de que os mimos e repasses financeiros fossem uma contrapartida pela atuação política e interlocução do senador no Congresso em pautas econômicas de direto interesse do Banco Master.