Política

PF APREENDE 49 MIL DÓLARES EM ENDEREÇO LIGADO AO SENADOR JAQUES WAGNER


Além do dinheiro, também foi encontrada uma coleção de relógios. O mandado foi cumprido em um hotel onde o senador mora que fica localizado próximo ao Palácio do Planalto.
Da Redação ,  Salvador | 18/06/2026 às 12:44
Reprodução da PF
Foto: PF
       A Policia Federal apreendeu nesta quinta-feira um montante de US$ 49 mil (o equivalente a R$ 253 mil na cotação atual) em espécie em um quarto do hotel Brasília Palace, onde o senador Jaques Wagner (PT) costuma ficar quando está em Brasília. Além disso, também foram apreendidos 33,5 mil euros e US$ 6,175 mil em seu endereço em Salvador, na Bahia.

Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão no âmbito da nona fase da Operação Compliance Zero. O líder do governo Lula no Senado é um dos principais alvos da ação de hoje, que foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

Além do dinheiro, também foi encontrada uma coleção de relógios. O mandado foi cumprido em um hotel onde o senador mora que fica localizado próximo ao Palácio do Planalto.

Segundo a decisão de Mendonça, Wagner foi o "beneficiário central" de "vantagens econômicas" pagas por integrantes do Banco Master em troca da sua atuação no Congresso Nacional em prol da instituição financeira. Entre esses benefícios identificadas pela PF, estão pagamentos de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, o uso de aeronaves particulares e ingressos para um show em Los Angeles que teria custado R$ 63,3 mil.

Wagner sempre negou ter qualquer relação com as “falcatruas” do Banco Master, como ele mesmo chamou o esquema de fraudes financeiras envolvendo a instituição, em fevereiro deste ano.

A Polícia Federal afirma que, no curso das investigações, foram identificados "elementos indicativos de recebimento de vantagem econômica indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente, por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado", diz a decisão de Mendonça.

Como contrapartida, o ministro afirma que há indícios de atuação do parlamentar em temas de interesse do Banco Master, "especialmente em matéria de crédito consignado, em relação ao limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e em iniciativa parlamentar voltada à fiscalização e controle da operação de aquisição do Banco Master pelo BRB".

Os investigadores suspeitam da atuação de Jaques em três momentos:

– a apresentação de emenda a uma Medida Provisória, editada em 2022, sobre o aumento da margem consignável da remuneração disponível para os trabalhadores regidos pela CLT, para os aposentados e pensionistas vinculados ao RGPS, com autorização para empréstimos e financiamentos por beneficiários do BPC e de outros programas federais de transferência de renda;

– na tentativa de aprovação da PEC nº 65/2023, com repercussões sobre o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC);

— na fiscalização da operação de potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB);

– A Polícia Federal aponta uma correlação entre tais atuações e supostas "vantagens econômicas indevidamente" recebidas pelo parlamentar, como o uso gratuito de aeronaves de Augusto Lima e do Banco Master; o recebimento de ingressos para shows no exterior de alto valor; a compra de um apartamento; e pagamentos à empresa vinculada a seu núcleo familiar.

O nome do senador já havia surgido no contexto do caso Master depois de ter sido revelado que a nora dele recebeu pelo menos R$ 11 milhões do banco. O valor foi pago à empresa BK Financeira, que pertence a ela. Na época, o parlamentar disse que não tinha "conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”.

Além de Jaques Wagner, a operação também teve como alvo o empresário Augusto Lima , ex-sócio de Vorcaro. Ao todo, 18 mandados de busca e apreensão foram cumpridos na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

A PF afirmou em nota que a operação busca "apurar a eventual participação de agente público em esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional". Ainda segundo a corporação, os "fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro".