Política

DISPUTA OSNI X SANDRO EM SERRINHA E NOMEAÇÃO DO PROFESSOR MANOEL (TF)

A exoneração de Juliana Araújo 3 meses após nomeada é fato politico e não tem nada a ver com misoginia e outros queixumes e sim a disputa Osni Cardoso x Sandro Magalhães, no PT
Tasso Franco ,  Salvador | 23/05/2026 às 11:35
Manoel da Cruz Lima é o novo diretor do Colégio Tempo Integral de Serrinha
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    A exoneração da professora Juliana Araujo Santos do cargo de diretora do Colégio em Tempo Integral de Serrinha, três meses pós sua nomeação - cargo comissionado de competência exclusiva do governador do Estado - não tem nada de misoginia e outros queixumes colocados nas redes sociais - e sim uma decisão de natureza política.

   A professora que é ligada a Sandro Magalhães (PT minoritário em Serrinha) e apoia Rowanna Brito (ex-secretária da Educação do estado) para deputada estadual e foi substituída pelo professor Manoel da Cruz Lima, que é ligado ao deputado Osni Cardoso (PT majoritário em Serrinha o qual, tem a maioria dos votos) e ao ex-vereador Nininho.

  Houve, portanto, uma exoneração política - o que é normal no estado os parlamentares mais votados é quem indicam os cargos comissionados nos municípios - e o governador Jerônimo Rodrigues seguiu a lógica política de prestigiar quem tem mais "farinha no saco" no plano eleitoral.

  Vale observar, ainda que o professor Manoel da Cruz Lima tem formação acadêmica compatível com o cargo. É natural do Povoado Caatinga do Vieira, de pais analfabetos, estudou o ensino fundamental em escola pública, graduou-se em pedagogia pela UNEB, bacharelou-se em educação pela UNOPAR e tem mestrado em Intervenção Educativa pela UNEB. Ingressou na rede pública como coordenador pedagógico do Colégio Estadual de Valente até 2023; e entre 2023 e 2026 foi vice-diretor do CEMIT SISAL.

   Além disso, é militante petista, foi secretário da Agricultura Municipal em Serrinha (2012 a 2016), militante nos coletivos do LGBTQIAPN+ e ex-presidente da Central das Associações Comunitárias Rurais de Serrinha (CACRES)

    APOIOS A JULIANA

    A exoneração de Juliana ocorrida apenas três meses após a publicação da portaria de nomeação, gerou uma onda de críticas, notas de repúdio, manifestações públicas de apoio à educadora, o que também é natural nesses casos.

   O caso não reacendeu debates sobre misoginia como se tentou propagar, nem tem nada a ver com os desafios enfrentados por mulheres em cargos de liderança, especialmente em espaços historicamente atravessados por disputas políticas e estruturas de poder predominantemente masculinas. No estado há muitas diretoras em escolas.

     Juliana Araújo é licenciada em Geografia pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) desde 2008, mestre em Ciências Ambientais pela mesma instituição e atualmente é doutoranda em Geografia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

  A professora, na mensagem de despedida da direção agradeceu ao governador Jerônimo Rodrigues, à ex-secretária estadual de Educação, Rowenna Brito, e ao amigo e diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, Sandro Magalhães, pela confiança depositada em seu trabalho.

   Sandro Magalhães também se manifestou: “Manifesto minha solidariedade a toda a comunidade do Colégio de Tempo Integral de Serrinha e me dirijo, de forma especial, à professora Juliana Araújo, educadora e gestora profundamente comprometida com a escola, com a educação pública de qualidade e com o papel transformador da educação...

...Sua presença na gestão dessa importante escola de Serrinha atendia a uma necessidade de ocupar este espaço com competência, imparcialidade, compromisso público e capacidade de diálogo...

... Portanto, acompanhando as manifestações de centenas de Serrinhenses, da comunidade escolar, da imprensa, do meio acadêmico, dos movimentos sociais, me solidarizo com a professora Juliana, que vinha exercendo um trabalho de excelência na gestão do CETIS.

    DISPUTA OSNI X SANDRO

   A disputa pelo comando do PT em Serrinha, Osni Cardoso x Sandro Magalhães é antiga. Na última eleição municipal (2024) Sandro se organizou para ser o candidato a prefeito pelo PT. Osni, em tese, tinha um pré-candidato, o ex-deputado Gika Lopes, e não deixou a pré-candidatura Sandro prosperar.

   Numa manobra política de bastidores, costurada no segundo turno das eleições presidenciais de 2022 (Lula x Bolsonaro), Osni levou o então prefeito de Serrinha, Adriano Lima, que era bolsonarista no 1º turno, a apoiar Lula. Fechada esta aliança, em 2024, Adriano cobrou a “a fatura” e lançou como candidato à sua sucessão Cyro Novaes e exigiu de Osni o apoio do PT. Sem saída, Osni emplacou Jika Lopes como vice-prefeito de Cyro (eleitos) e Sandro sobrou.

  Sandro - é irmão do comandante geral da PM, coronel Magalhães - e atua no âmbito do governo na Fundação Pedro Calmon vindo daí, na época em que Rowanna Brito era secretária da Educação, a nomeação de Juliana.

  A professor Juliana seguirá como professora do Colégio Integral de Serrinha – o que é, também, normal – e sabe, tanto sabe que não fez a menor critica ao governador JR, que seu cargo é “educativo-político”.

  Agora, entra Manoel. E as urnas de 2026, quando cantarem, decidirão se Manoel fica ou sai. Creio que fica, pois, Osni tem toda chance se se reeleger deputado estadual, (TF)