Política

MARGARETH MENEZES, O PATROCINIO NO CARNAVAL, BAHIAGÁS E A PRIVATIZAÇÃO

Oposição na Assembleia quer debater o papel da BahiaGás no Carnaval e se sua missão é apoiar eventos carnavalescos ou cuidar da tecnologia do gás
Tasso Franco , da redação em Salvador | 24/02/2026 às 09:45
Bloco "Os Mascarados" puxado pela ministra teve apoio da Bahiagás
Foto: DIV
   A cantora e ministra da Cultura, Margareth Menezes, rebateu, na última segunda-feira (23), críticas relacionadas à sua participação no Carnaval de Salvador, após uma matéria do Metrópoles indicar que o bloco “Os Mascarados”, em que a artista se apresentou, organizado pela empresa Pau Viola Cultura e Entretenimento, teria recebido mais de R$1 milhão através da Lei Rouanet.

   Em postagem nas redes sociais, Margareth negou que o bloco tenha recebido recursos do mecanismo federal de incentivo à cultura. A artista afirmou ainda que construiu carreira de forma independente ao longo de quase quatro décadas e declarou que cumpre as normas institucionais relacionadas à sua atuação pública.

“Peço respeito à minha história. O Bloco Os Mascarados nunca recebeu um centavo da Lei Rouanet. Sou uma mulher negra que construiu sua própria trajetória no Carnaval, prestes a completar 40 anos de carreira. Não vão criminalizar o que eu mais amo na vida: cantar”, afirmou.

  A ministra, no entanto, não comentou qua uma estatal baiana - a BahiaGás - foi a patrocinaddor de "Os Mascarados" e de outros blocos com gastos de R$7 milhões, no total. 

  Segundo matéria de A Tarde, o investimento de mais de R$ 7 milhões da Bahiagás no Carnaval 2026, focado em patrocínio cultural e uso de gás natural em trios, reacendeu o debate sobre a privatização da estatal, que é uma das maiores distribuidoras do país. A oposição e sindicatos questionam o gasto diante de estudos de desestatização iniciados em 2022.

  De acordo com informações do próprio governo, o "Governo da Bahia, por meio da Bahiagás, destinou mais de R$ 7 milhões para o Carnaval de Salvador 2026 e festas vinculadas ao período momesco em diferentes regiões do estado. O investimento alcançou mais de 100 projetos, abrangendo desde o pré-carnaval até os circuitos oficiais da capital e eventos no interior, como em Vitória da Conquista e Santa Cruz Cabrália".

   A iniciativa reforça uma parceria que se aproxima de duas décadas e tem como principal destaque o patrocínio ao Trio Armandinho e Irmãos Macedo, referência histórica da guitarra baiana. A empresa também viabilizou apresentações e desfiles de atrações como Paulinho Boca, Mudança do Garcia e o bloco Os Mascarados.

  Para o diretor-presidente da Bahiagás, Luiz Gavazza, o incentivo financeiro fortalece o patrimônio cultural do estado. “Os recursos contribuem para a realização de festas que promovem atrações para todos os gostos, garantindo o desenvolvimento do estado”, destaca.

  Segmentos da oposição na ALBA entende que a função da BahiaGás é outra e h´pa, ao menos três órgãos governamentais voltados para cultura - Sufotur, Setur e Secult. 

   Esse debate sobre a privatização da BahiaGás já aconteceu na Assembleia, em 2023, quando a Casa Legislativa sediou, na tarde desta quarta-feira (27), um ato em defesa da Bahiagás (Companhia de Gás da Bahia). O evento, proposto pelo deputado estadual Fabrício Falcão (PCdoB), ocorreu no Auditório Jornalista Jorge Calmon, motivado por uma possível privatização da estatal.

  “Nos últimos tempos, um tema ganhou ampla repercussão, que foi a publicação do edital pela Bahiainveste para estudar a Bahiagás numa perspectiva de possível venda para a iniciativa privada. A empresa responsável pelo estudo foi o Grupo Genial, que participou do processo de privatização da Eletrobrás e da Companhia de Gás do Espírito Santo”, contextualizou Fabrício Falcão.

   Na época, o ex-diretor-presidente da empresa, Davidson Magalhães (PCdoB), atual secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), representou o governador Jerônimo Rodrigues (PT) no evento. Ele relatou que, no governo, não existe uma conversa sobre privatizar a Bahiagás e disse ser fundamental que a empresa continue sob comando do Estado.