Política

ADOLFO MENEZES APRESENTA MOÇÃO DE PESAR PELA MORTE DE DEM CINTRA

Deputado diz que magistrado “foi quem restabeleceu a independência do Judiciário da Bahia”
NMJ ,  Salvador | 24/02/2026 às 14:37
Dultra Cintra
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O deputado estadual Adolfo Menezes (PSD) apresentou Moção de Pesar pelo falecimento, na madrugada de hoje (24.02), aos 82 anos, do magistrado e ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, desembargador Carlos Alberto Dultra Cintra. “Era um homem extremamente gentil, falava manso, mas de natureza firme, decidida — como um bom sertanejo de Ipirá. Era extremamente culto e leitor voraz — especialmente de biografias. Foi um crítico da espetacularização da Lava-Jato e defensor do Supremo Tribunal Federal como guardião máximo da democracia. Entre 2002 e 2004, quando presidiu o TJ-BA, restabeleceu a independência do Poder Judiciário na Bahia, tornando-o soberano, livre de qualquer influência política”, destacou Menezes na Moção de Pesar apresentada à Mesa Diretora da ALBA.

“Meu abraço solidário a toda família, especialmente nas pessoas de suas filhas Alice e Larissa; amigos e conterrâneos de Ipirá, onde o desembargador Dultra Cintra nasceu. Orgulho-me de que a Assembleia Legislativa da Bahia tenha lhe prestado uma grande homenagem em 2013, concedendo-lhe a comenda de Cidadão Benemérito da Liberdade e da Justiça Social João Mangabeira pela dedicação dele à vida pública, à justiça e à democracia”, destaca Adolfo Menezes no elogio fúnebre.

PERFIL

O desembargador Carlos Alberto Dultra Cintra nasceu em Ipirá/BA, em 28 de abril de 1943. Ais 11 anos mudou-se para Salvador, como interno dos Maristas e, depois, pro Colégio Central da Bahia. Em 1967, diplomou-se pela Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia. Em concurso público, habilitou-se, em 1969, para ingresso no Ministério Público do Estado da Bahia, como Promotor de Justiça de Ubatã, depois Catu, Alagoinhas e Salvador. Atuou também como professor em ginásios nas comarcas onde morou.

Em 1985, assumiu o cargo de Procurador de Justiça. Dois anos depois, passou a compor o Conselho Superior do Ministério Público do Estado da Bahia.

Em junho de 1991, foi nomeado Procurador Geral de Justiça, após a primeira eleição direta para o cargo, reelegendo-se em 1993. No ano seguinte, assumiu o posto de Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, em vaga da classe do Ministério Público. Integrou o Conselho Superior da Magistratura nos anos de 1994 e 1995. Compõe a Primeira Câmara Cível, desde a assunção ao cargo, exercendo a Presidência em duas oportunidades.

Em dezembro de 2001 foi eleito Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia para o biênio 2002/2004, contra o desembargador Amadiz Barreto, que era indicação do governador Antonio Carlos Magalhães. Dultra Cintra chegou a propor o nome de consenso do desembargador Eduardo Jorge Magalhães, irmão de ACM, mas este não aceitou. Dultra Cintra venceu por 18 a 10 dos votos. Aposentou-se da Magistratura em 2014.

A Cerimônia do Adeus a Dultra Cintra será realizada amanhã (25.02), às 11h, no Cemitério Jardim da Saudade, em Brotas.