Segundo o padre é uma questão de "memória, de história da arte e da cultura e lita dos malês"
Tasso Franco , da redação em Salvador |
27/01/2026 às 16:57
Padre e historiador Jailson de Jesus dos Santos, da Paróquia de Santo Antônio Além do Carmo
Foto: DIV
O padre Jailson Jesus dos Santos, doutor em história, pároco da Paróquia do Santo Antônio Além do Carmo, fez um apelo através das redes sociais e se dirige como historiador - “a questão que trago não é religiosa é de história, memória, cultura e arte” - para reformar e salvar da demolição a Igreja dos 15 Mistérios situada no âmbito de sua paróquia.
“Aqui, nos dias 24 e 25 (1835) aconteceu esse grande movimento a Revolta dos Malês e a preparação, a organização tudo isso aconteceu no interior desta igreja”, hoje, abandonada, interditada e ameaçada de desabar diante das rachaduras no templo.
“Aqui funcionaram duas irmandades – atesta o padre – a dos Homens Pretos de Nossa Senhora do Rosário dos 15 Mistérios e de Nossa Senhora da Soledade dos Desamparados”. Enfatiza que a igreja acolhedora dos malês está abandonada, “ano passado foi interditada, tomada para rachaduras e cupins”.
Na gravação o padre aparece em frente a uma reportagem do jornal “A Tarde”, de 2000, quando se anunciava que a igreja seria restaurada e havia recursos para isso, mas depois de 25 anos, continua abandonada e “não temos sequer condições de entrar no templo para verificar o seu estado”.
O padre, por fim, faz um apelo “aos movimentos negros da Bahia, aos historiadores, aos artistas que se mobilizem se unam a nós para cuidarmos dessa igreja”.
Destacou, ainda, que outras igrejas como a de NS dos Homens Pretos e a de Santo Antônio Além do Carmo, onde pregou o padre Antônio Vieira, também estão necessitando de reformas.
“Já pedi a ministra da Cultura e não obtive resposta, também ao governo do Estado – com promessa de analisar a situação – sem resposta; nem secretário da Cultura, nem IPHAN nem IPAC”. Nada acontece. Segundo o padre não respondem sequer seus e-mails.
“Peço a todos que amam a cidade do Salvador, que amam a cultura a história e a memória, que possam se movimentar para que esta igreja não seja demolida e o local se torne estacionamento, e a memória negra possa ser apagada da história () Não podemos ficar repetindo o mesmo esquema comum pão e circo. Nós precisamos é de cultura arte e história, pois foi o povo negro que construiu essa história” foi o apelo final do pároco.