A escolha dos trilhos pelo Governo do Estado para o transporte de massa na ligação entre a Rótula do Abacaxi e o Aeroporto Internacional de Salvador esquentou os debates na Câmara dos Vereadores da cidade e terminou por impossibilitar a votação dos projetos em pauta para esta quarta-feira, 10. Edis como Paulo Magalhães (PSC), Joceval Rodrigues (PPS), Odiosvaldo Vigas (PDT), Geraldo Jr. (PTN) e o próprio presidente da Casa, Pedro Godinho (PMDB) protestaram contra o que chamaram de desrespeito aos representantes do povo e ao alijamento dos vereadores do processo de debates sobre a adoção do novo modal.
Godinho disse ter expressado seu desagrado ontem mesmo (9) na reunião mantida com o prefeito João Henrique Carneiro, quando foi comunicado sobre a decisão do governador Jaques Wagner, pois considerou que a CMS foi excluída de todo o processo de escolha. Segundo ele, se o governo realizou alguma audiência pública a respeito do assunto os vereadores não foram convidados e terminaram recebendo o pacote pronto.
Agora, lamentou, o que resta é discutir o assunto, pois "a Câmara não abre mão disso".
Para o peemedebista, apesar da proximidade da Copa do Mundo de 2014 é preciso considerar, antes de tudo, o interesse da população: "não podemos errar de novo, como fizemos com o Metrô; vou reivindicar que a discussão seja trazida para cá".
Vereadores satisfeitos
A opinião, porém, não é compartilhada pelos vereadores Gilmar Santiago, Vânia Galvão (ambos do PT) e Andréa Mendonça (DEM). Gilmar, presidente da Comissão de Planejamento Urbano e Meio Ambiente da Câmara comemorou a atitude de Wagner: "A decisão atende aos interesses da cidade, que almeja um transporte público de qualidade, moderno, integrado". Para ele, a Copa 2014 deixará como legado social para a cidade a melhoria do sistema de transporte coletivo e a ampliação do número de ciclovias, entre outras conquistas.
Vânia Galvão também mostrou-se favorável ao anúncio da administração estadual: "É a mais adequada sob todos os aspectos, pois vai estabelecer uma linha de transporte de alta capacidade, além de possibilitar a criação de linhas alimentadoras de ônibus, contribuindo para a solução da crise hoje vivenciada pelos baianos, dada a inexistência de um transporte coletivo de qualidade".
Andréa Mendonça parabenizou o governador e sua equipe técnica pela decisão e garantiu não se sentir excluída dos debates, pois promoveu audiências públicas na CMS e convocou seus colegas a participarem. Para ela, "a pressão exercida pelos defensores do BRT (ônibus rápido) foi extraordinária, mas sem o efeito desejado pelos grupos interessados em manter o antigo modelo. Foi definido um projeto estruturante, que prepara Salvador para o futuro". (Limiro Besnosik)