O PSOL ingressou nesta quinta-feira no Senado com representação contra o ex-ministro Alfredo Nascimento (Transportes) por quebra de decoro parlamentar. O partido quer que o Conselho de Ética investigue o envolvimento de Nascimento nas denúncias de superfaturamento de obras e corrupção na pasta e órgãos ligados ao Ministério dos Transportes.
"Não estamos aqui para decretar a morte de ninguém, mas se ele não serve para ser ministro, não serve para ser fiscalizador dos atos do Executivo", afirmou a senadora Marinor Brito (PSOL-PA).
Os senadores do PSOL protocolaram a representação na secretaria do conselho, mas o colegiado tem que acatá-la para que as investigações sejam de fato iniciadas. Se houver investigação e o conselho encontrar indícios que comprometam Nascimento, as penalidades contra o senador variam de advertência a perda do mandato.
O ex-ministro reassumiu hoje sua cadeira no Senado após deixar o governo.
Para o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), o fato das denúncias terem ocorrido no período em que Nascimento estava no Executivo não impedem o Senado de investigá-las --ao argumentar que o ex-ministro continuou senador enquanto estava ocupando o cargo.
"Ele não deixou de ser senador mesmo na conduta de atos enquanto ministro. Então, tem que responder sim pelos atos cometidos no ministério", afirmou o senador.
O presidente do Conselho de Ética, senador João Alberto (PMDB-MA), disse que vai esperar receber a representação do PSOL para encaminhá-la aos integrantes do colegiado. "São 15 membros no conselho que terão que analisar o pedido. Agirei com total imparcialidade", afirmou.
CHANTAGEM
Marinor disse que na quarta-feira (6) foi chantageada por João Alberto, depois que o PSOL anunciou que entraria com a representação contra Nascimento. A senadora relatou que o presidente do conselho a procurou para lembrá-la que tramita no órgão um processo contra a parlamentar --movida pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).
"Isso é tentar fazer chantagem para que o PSOL não entrasse com a representação [contra Nascimento]. Não vou me render a isso", afirmou.
João Alberto negou que tenha chantageado a senadora. O parlamentar confirma que a procurou para relatar detalhes do seu processo que tramita no conselho por ter recebido no mesmo dia detalhes técnicos do caso. Mas afirma que não tinha conhecimento que o PSOL entraria com qualquer representação contra Nascimento no colegiado.
"Eu nem sabia que o Alfredo Nascimento já havia deixado o ministério. Eu lamento profundamente o que a senadora está dizendo, nunca pensei que ela fosse capaz de criar esse constrangimento", afirmou.