Veja o que dizem El Pais, Estadão e Gazeta do Povo
Tasso Franco , Salvador |
02/09/2026 às 18:35
Fachin comandou sessão plenária no STF
Foto: ASCOM STF
EL PAIS - As mensagens indicam intimidade suficiente para que o banqueiro —então sob investigação, agora encarcerado— consultasse o juiz sobre se era o momento de fugir do Brasil. “Você acha que na segunda-feira tenho que estar fora [do país]?”, perguntou por WhatsApp o dono do Banco Master — atualmente em prisão preventiva por uma fraude colossal — ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, dois dias antes de ser detido em novembro de 2025. Não se sabe qual foi a resposta de Moraes, mas, de fato, na noite daquela segunda-feira, a polícia prendeu o banqueiro quando ele estava prestes a embarcar em um avião particular rumo ao exterior.
Esta e outras mensagens enviadas pelo banqueiro ao magistrado brasileiro vieram a público nesta terça-feira, com a retirada do sigilo sobre as mensagens que o primeiro enviou ao segundo. Moraes mantém silêncio diante de revelações que caíram como uma bomba atômica a menos de cinco semanas das eleições.
As primeiras suspeitas sobre a relação entre o proprietário do Banco Master e o ministro Moraes — responsável por mandar prender o ex-presidente Jair Bolsonaro — surgiram meses atrás. Na ocasião, soube-se que Vorcaro contratou o escritório de advocacia da esposa do ministro por três anos, pagando cerca de 20 milhões de dólares. Desde que essas revelações envolveram o ministro mais controverso e internacionalmente conhecido do Brasil, ele tem mantido um perfil discreto.
As mensagens agora reveladas provêm de um celular utilizado por Vorcaro. Outra das mensagens conhecidas indica que o banqueiro sugeriu ao ministro Moraes que atuasse junto ao chefe da Polícia Federal e ao procurador-geral para frear as investigações, enquanto ele multiplicava contatos no país e no exterior para obter financiamento e salvar o banco. “É importante insistir com André [Rodrigues, chefe da PF] e Paulo [Gonet, procurador-geral] para que ninguém abaixo deles faça uma barbaridade”, escreveu.
A decisão de levantar o sigilo e tornar públicas as 218 páginas do relatório policial sobre a relação entre o empresário preso e o poderoso ministro partiu de um de seus colegas do Supremo Tribunal, André Mendonça. Ele defende que a mais alta corte do Brasil realize uma sessão plenária aberta e transparente sobre o assunto, com a presença física dos 11 integrantes do tribunal.
Ambos os magistrados travam, há meses, uma disputa silenciosa dentro do tribunal. Essas eleições influenciarão o Supremo, pois o vencedor terá a oportunidade de indicar ministros para as três vagas que ficarão abertas durante o seu mandato e poderá alterar a maioria, atualmente favorável a Moraes.
NOVO DEPOIMENTO
O banqueiro Daniel Vorcaro acusou a Polícia Federal de ter rejeitado uma proposta de delação premiada apresentada por sua defesa para, segundo ele, evitar que informações sobre uma suposta relação com o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, viessem à tona.
A declaração foi feita durante um depoimento sigiloso prestado na semana passada à equipe do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A oitiva foi solicitada pela defesa de Vorcaro, sob a alegação de que ele estaria sofrendo ameaças de policiais federais.
Segundo informações do Estadão, Vorcaro não apresentou provas das supostas ameaças nem detalhou os episódios que teria sofrido. Procurada pelo jornal, a defesa do banqueiro não se manifestou. A Polícia Federal também não comentou as acusações.
GAZETA DO POVO
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende usar a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) para reforçar o próprio discurso de defesa das investigações sobre corrupção. Segundo pessoas próximas ao presidente, a equipe de Lula se vê sem vínculo nenhum com os últimos fatos e pretende se posicionar como contrária ao atual sistema de proteção a poderosos.
Entre todos os presidenciáveis, Lula foi o único que ainda não se pronunciou sobre o assunto. Ainda não há previsão de quando abordará o tema, mas a certeza é de que a reunião entre ele, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, e Cristiano Zanin na casa de Alexandre de Moraes será completamente omitida. O convite para "tomar um cafezinho" tampouco recordaria qualquer proximidade com o magistrado, garantem interlocutores de Lula.
“Não temos nada com isso, fomos nós que levamos às investigações”, disse à Gazeta do Povo uma pessoa próxima a Lula, sob condição de anonimato. Pelo contrário, a intenção é afastar a crise de Moraes e tentar desgastar a candidatura de Flávio Bolsonaro, utilizando o assunto das contribuições do Master ao filme Dark Horse.