Direito

PRÓ DE COLEGIO ESTADUAL É INTIMADA PELA POLICIA POR CONTEÚDO ESQUERDA

Veja nota da APLBA sobre assunto
Tasso Franco , da redação em Salvador | 19/11/2021 às 10:56
Reunião na APLB com nota de repúdio
Foto: APLB
    Uma professora de filosofia do Colégio Estadual Thales de Azevedo, Salvador, foi intimada pela polícia para prestar esclarecimentos após um aluna registrar ocorrência alegando que ela ensinava "conteúdo esquerdista" em sala de aula. Entre os assuntos abordados, estariam questões de gênero, racismo, assédio, machismo e diversidade.

  Segundo a Associação dos Professores Licenciados do Brasil (APLB), a educadora ficou abalada emocionalmente e precisou ser hospitalizada após receber a intimação para comparecer à Delegacia de Repressão a Crimes contra Crianças e Adolescentes (Dercca), onde foi registrada a ocorrência nesta na última terça-feira.

A mãe da aluna relatou, de acordo com a Polícia Civil, que a filha teria sofrido constrangimento na escola. Disse ainda que, em decorrência de sua opinião política, a adolescente teria sido hostilizada por colegas e impedida de participar de atividades em grupo, sob consentimento da professora. As pessoas envolvidas no caso estão sendo ouvidas na unidade especializada. 


NOTA DA APLB

A APLB-Sindicato, legítima representante dos trabalhadores e trabalhadoras em Educação vem a público manifestar toda a sua solidariedade e apoio jurídico aos docentes da Escola Estadual Thales de Azevedo por tentativas de intimidação, coação e pressão psicológica por grupos de extrema direita que tentam cercear a livre expressão e tumultuar aulas e algumas atividades propostas pelos professores e professoras.

O departamento jurídico da APLB foi acionado atendendo o apelo de um grupo de professores do referido colégio que esteve na sede do Sindicato e relatou observar atitudes inamistosas e de perseguição de uma determinada estudante contra uma das professoras de Filosofia por conta da mesma apresentar temática nas aulas referentes a questões de gênero, racismo, assédio, machismo, diversidade, entre outras.

A comunidade escolar foi tomada de surpresa ao tomar conhecimento de que a referida aluna e sua genitora apresentou notícia crime na DERCCA contra a professora de Filosofia. Após receber a intimação, a professora encontra-se extremamente abalada emocionalmente, necessitando inclusive de ser hospitalizada para atendimento médico de urgência. Motivo pelo qual estamos preservando sua identidade.

Para o coordenador-geral Rui Oliveira é inadmissível esta perseguição aos docentes. “Infelizmente são ações de grupos ligados à pessoas de extrema direita, que desrespeitam e ferem a liberdade de cátedra. Não vamos permitir que isso aconteça. Vamos dar todo o apoio para a comunidade escolar do Thales de Azevedo, principalmente à professora que foi intimada, bem como disponibilizar nossos advogados para acompanhá-la no dia da audiência. Vamos continuar denunciando toda a forma de abuso e perseguição”, destacou Rui. Ele ainda se mostra bastante preocupado com as relações internas entre os alunos após o ocorrido. Para a APLB o ambiente escolar deve ser preservado das divergências políticas. A disseminação de Fake News e discussões acirradas e desrespeitosas, como adotadas pela extrema direita, não podem fazer parte do cotidiano escolar, pois os impactos podem ser muito graves.

Rui Oliveira esteve nesta quinta-feira (18), na escola Thales de Azevedo, com um representante do Jurídico, José Lucas Sobrinho e demais diretores, como João Santana e Delsuc Machado, para apurar as denúncias e apoiar os docentes. Ficou estabelecido que a unidade escolar irá elaborar um documento que a APLB divulgará amplamente na imprensa e para a Secretaria de Educação estadual.

 
Ainda segundo informações, no mês de agosto foi realizado um seminário online pela escola e após o evento um grupo de estudantes e seus responsáveis expediram uma nota atacando os professores e palestrantes. Em outra ocasião, durante uma aula remota da disciplina de Inglês, a mãe de uma estudante, a mesma que deu entrada na queixa contra a professora de Filosofia, invadiu o espaço da aula online para inquirir e exigir explicações sobre a temática, que segundo ela seria inadequada por se tratar de feminismo.

A direção da APLB-Sindicato lamenta profundamente as ocorrências e reitera o apoio jurídico e psicológico à professora, exigindo a apuração dos fatos ocorridos, bem como também irá se articular para denunciar nos veículos de comunicação e nas Casas Legislativas, como Câmara de Vereadores e Assembleia Estadual, exibindo faixas e cartazes pedindo total solidariedade a todos os profissionais em Educação.