Cultura

SALVADOR GANHA MAIOR MURAL HORIZONTAL REALIZADO POR ARTISTAS INDIGENAS

Obra “Águas Ancestrais”, criada pelo baiano Thiago Tupinambá e pela paraense Isa Muriá, está concluída e entregue à população na ligação Iguatemi–Paralela

Da Redação , Salvador | 25/09/2026 às 16:03
Fica na ligação Iguatemi a Paralela
Foto: Arivaldo Publico

Salvador acaba de ganhar um novo marco da arte urbana brasileira. O mural “Águas Ancestrais”, criado pelos artistas Thiago Tupinambá, indígena baiano, e Isa Muriá, indígena paraense, é o maior mural horizontal já realizado por artistas indígenas no Brasil. A obra, que faz parte do está concluída e entregue à população em um dos principais corredores viários da cidade, na ligação Iguatemi–Paralela, transformando a extensa superfície de concreto em um território de memória, identidade e afirmação da presença indígena no espaço urbano.

Realizado pela Prefeitura de Salvador, através da Fundação Gregório de Mattos, e pela Trevo Produções, a obra integra o novo Circuito de Murais do BRT - Arte como respiro, memória e território vivo em Salvador, com curadoria e concepção do Projeto MURAL - movimento Urbano de Arte Livre, e amplia o circuito de arte pública da capital baiana, aproximando a produção artística contemporânea da vida cotidiana de milhares de pessoas que circulam diariamente pela região. O bairro do Itaigara entra na segunda etapa deste circuito, já em andamento.

Um Corpo-Rio atravessa a cidade
Com o conceito “Águas Ancestrais – Corpo-Rio, Território Vivo”, a obra parte do significado de origem indígena Tupi-Guarani atribuído ao nome de Iguatemi: “rio ondulante” ou “água que corre”. A partir dessa referência, Thiago Tupinambá e Isa Muriá construíram uma composição marcada por grafismos, figuras simbólicas, referências sonoras, memória e movimento. Um grande rio contínuo atravessa visualmente o mural, conectando seus diferentes elementos e transformando o concreto em água corrente.

Na narrativa da obra, a água atua como fio condutor: carrega histórias, identidades e saberes ancestrais, enquanto permanece em constante transformação. O mural propõe, assim, uma reflexão sobre os vínculos entre corpo, território, natureza, cidade e ancestralidade. Onde existia o Rio Camarajipe, um “rio simbólico” com 200m de extensão traz as Carrancas do Rio São Francisco para visitar a Cidade da música e neste encontro surgem altares sonoros, unindo a música soteropolitana à ancestralidade.

A criação conjunta reúne dois artistas indígenas de diferentes territórios, identidades e trajetórias. Thiago Tupinambá, artista baiano, e Isa Muriá, artista paraense, estabelecem um diálogo entre referências culturais da Bahia e do Pará, trazendo para o espaço público uma expressão artística contemporânea conectada às origens e à diversidade dos povos indígenas brasileiros.

Além de sua dimensão monumental, “Águas Ancestrais” ganha relevância por colocar artistas indígenas no centro da criação e da ocupação artística da cidade. A obra rompe com representações externas e afirma o protagonismo de autores indígenas na construção de suas próprias narrativas.

Arte pública entregue à população
Instalado em uma das maiores e mais movimentadas avenidas de Salvador, o mural passa a integrar permanentemente a paisagem urbana da cidade. A obra pode ser vista por motoristas, passageiros do transporte público, ciclistas, pedestres, moradores e visitantes que circulam pela ligação Iguatemi–Paralela.

A intervenção contribui para a valorização do espaço público, para a democratização do acesso à arte e para o reconhecimento da presença indígena como parte viva, contemporânea e fundamental da formação cultural brasileira.

Com “Águas Ancestrais”, o Projeto MURAL reafirma seu compromisso com a transformação da cidade por meio da arte, da memória e da diversidade de vozes que formam Salvador.

Ficha técnica:
Obra: Águas Ancestrais – Corpo-Rio, Território Vivo
Local: ligação Iguatemi–Paralela, Salvador, Bahia

Projeto: Circuito de Murais do BRT - Arte Como Respiro, Memória e Território Vivo

Artistas: Thiago Tupinambá e Isa Muriá

Curadoria: Vanessa Vieira/ Projeto MURAL

Coordenação executiva: Marcos Clement

Produção de campo: Gui Capriolli

Assistente de produção: Rubens Chagas - Suck

Assistente de pintura: Flávio Córtex, Pérola Aimée, e Canário

Apoio: Transalvador

Realização: Trevo Produções, Fundação Gregório de Mattos e Prefeitura de Salvador