Cultura

RICARDO HOMEM APRESENTA SUA PRIMEIRA EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL EM SALVADOR

A mostra Beira Mar – Linhas Abertas ocupará a Alban Galeria a partir do dia 20 de agosto
CIA COM , Salvador | 19/08/2026 às 06:09
Obra de Ricardo Homem
Foto: DIV

Com uma trajetória de mais de 30 anos na arte contemporânea e um currículo que reúne exposições em diversos estados brasileiros, o artista mineiro Homen apresenta, a partir desta quinta-feira, dia 20 de agosto, às 19h30, na Alban Galeria, em Ondina, sua primeira exposição individual na Bahia, Beira Mar – Linhas Abertas. A mostra evidencia o uso das cores, das formas quase sempre geométricas, tendo a materialidade da pintura e a estruturação espacial como centro da sua pesquisa. 

Pintor e desenhista, Ricardo Homen frequentou a Escola Guignard, importante instituição de ensino artístico de Belo Horizonte, responsável pela formação de artistas de destaque no circuito mineiro, nacional e internacional. Ao longo de sua carreira, participou de exposições emblemáticas, como Panorama do Desenho Atual (1990), no MAM/SP e no Centro Cultural São Paulo, e da mostra BR/80 – Pintura Brasil Década de 80, no Instituto Itaú Cultural, em Belo Horizonte.

Entre planos de cor, superfícies monocromáticas ou marcadas por contrastes cromáticos, uma geometria construída "à mão e pulso", o trabalho de Ricardo Homen se destaca por suavizar a aparente rigidez das formas. Os movimentos visíveis do pincel e as pequenas frestas entre um elemento e outro conferem maleabilidade às composições, aproximando a pintura de uma experiência sensível e intuitiva. Embora dialogue com a tradição da abstração geométrica, sua produção segue um caminho próprio. Como observa o pesquisador e curador José Augusto Ribeiro, responsável pelo texto crítico da exposição: "O que parece definir a obra de Ricardo Homen é a lógica interna de seu sistema de produção, ao mesmo tempo construtivo e intuitivo, autor de composições concisas e instáveis."

O próprio artista explica que a geometria presente em seu trabalho nasce do encontro entre formas, encaixes, listras, faixas, quadrados e retângulos, em um jogo de cores que ultrapassa a lógica matemática e se constrói de maneira intuitiva.

"Acredito que o trabalho vai caminhando, abrindo frestas e buscando novas possibilidades de forma natural. As pinturas-objeto nasceram de situações da própria pintura. A geometria, que equilibra e desestabiliza o olhar, ganha volume real e passa a incorporar o espaço ao redor e a forma como pode ser instalada, convidando o espectador a vivenciar outras experiências."

Nesse processo criativo, o uso das cores ganha cada vez mais importância. Segundo o artista, "essas massas tonais vão irradiando um campo energético que toca o onírico, mas permanece conectado com a realidade física. É um corpo a corpo com a pintura." Ao mesmo tempo, as obras estabelecem uma relação lúdica e bem-humorada com o observador.

"Os trabalhos se estruturam por meio de uma geometria, mas vão adquirindo outros significados, inclusive figurativos, no imaginário do espectador. Surgem apelidos como 'abismos', 'bico de pássaro', 'bastão' e 'lápis de cor'. Com certo humor, eles vão ganhando espaço no mundo."

Os trabalhos

Na exposição Beira Mar – Linhas Abertas, Ricardo Homen apresenta cerca de 40 obras, entre pinturas sobre tela em diversas escalas e pinturas-objeto que, ora funcionam de maneira independente, ora, quando agrupadas, constituem instalações.

Para o artista, apresentar uma exposição na Bahia representa um momento especialmente significativo em sua trajetória. A mostra reúne um conjunto de trabalhos produzidos nos últimos anos, revelando procedimentos inéditos em sua pesquisa e ampliando as possibilidades de seu processo criativo.

"Venho de Minas Gerais, um lugar onde a paisagem é vertical, abissal, montanhosa, onde o mistério se esconde. O barroco litorâneo, com toda a sua exuberância, manifesta-se de outras maneiras pelo Brasil, adaptando crenças, mitos e formas de religiosidade. A Bahia é um lugar matricial, de onde tudo isso parte e vai assumindo novas formas: a Bossa Nova com Caymmi e João Gilberto, o minimalismo na canção, o Cinema Novo de Glauber Rocha e os tropicalistas, que revisitam a Semana de 22 e misturam tudo em um grande caldeirão sem perder as raízes. Em Minas, temos a música do Clube da Esquina, que dialoga com esse espírito, assim como as harmonias sofisticadas e a geometria sensível de Amílcar de Castro. Meu trabalho se alimenta dessas matrizes, vindas tanto do erudito quanto do popular."

O artista

Natural de Belo Horizonte, MG, 1961, Ricardo Homem é pintor e desenhista. Frequentou o curso de artes plásticas na Escola Guignard na década de 1980. Homem vem se dedicando à pintura como uma experiência contínua e vital no seu processo, através de formas simplificadas e potentes. Em sua trajetória destacam-se exposições coletivas e individuais em Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, dentre elas: Panorama do Desenho Atual, em 1990, no MAM/SP, Centro Cultural São Paulo, em 1990, 1997 e 2003; Mostra BR/80 Pintura Brasil Década 80, no Instituto Itaú Cultural – Belo Horizonte em 1991. Expôs ainda no Museu de Arte da Pampulha – MAP, em 1990; em 2002, Tangenciando Amilcar, Diálogos, em Porto Alegre. Em 2009, apresentou a exposição Geometria Impura, no Centro Cultural Hélio Oiticica no Rio de Janeiro, MAM Salvador, Palácio das Artes - Belo Horizonte e em Recife. Participou da exposição Anos 80 nos 80 anos, da Fundação Escola Guignard, Belo Horizonte. Museu da Inconfidência, Ouro Preto, em 2025.

Serviço

Mostra: Beira Mar – Linhas Abertas / Ricardo Homem

Abertura: 20/08/2026, às 19h30

Visitação: 21/08/2026 a 10/10/26 (segunda a sexta, 10h às 19h; sábado, 10h às 13h)

Local:  Alban Galeria

Endereço: Rua Senta Pua, 53, Ondina

Tel.:(71) 3241-3509 | (71) 3016-8042 | (71) 98152-521