Cultura

COMO ENTENDER FESTA DE SAN FERMIN EM PAMPLONA A MAIS FAMOSA DA ESPANHA

Alguns pontos para se entender a essa religiosa que mistura fé, corrida de touros, carnaval, gastronomia e bebedeira
Tasso Franco ,  Salvador | 12/07/2026 às 16:36
As peñas são organizações culturais e festivas que sustentam a festa
Foto: BJÁ
    Entender a Festa de San Fermin, Pamplona, Espanha, em apenas a visita de um dia é tarefa impossível diante a grandeza do evento com séculos de existência, versões distintas sobre algumas questões históricas, o que se passou no passado e o presente requer mais participações e estudos. 

   Tento aqui dar minha visão do que presenciei e citarei alguns pontos da história - já consagrados. Em primeiro lugar São Firmino (Fermin) não é santo cultuado na Bahia. Pra nós se trata de um desconhecido no plano da cultura religiosa baiana a qual estamos acostumados. Existe até um município na região Sul do Estado chamado Firmino Alves, mas, se trata de um sergipano empreendedor de Itabuna do século XIX. Não tem nenhuma relação com São Firmino.

  São Firmino nasceu em Pamplona, 272 d.C. e morreu em Amiens, 25 de setembro de 303 - 31 anos de idade, missionário navarro primeiro bispo de Pamplona (provável) e primeiro bispo de Amiens, onde fundou a igreja local. Foi decapitado aos 31 anos de idade. É patrono de Amiens, Lesaka, da diocese de Pamplona, e co-patrono de Navarra junto com São Francisco Xavier.

   Esse São Francicso Xavier é o padroeiro de Salvador. Francisco de Jasso y Azpilicueta 1506/1552 foi um missionário católico navarro, pioneiro e cofundador da Companhia de Jesus juntamente com Ignácio de Loyola. A Igreja Católica Romana considera que tenha convertido mais pessoas ao Cristianismo do que qualquer outro missionário desde São Paulo, merecendo o epíteto de "Apóstolo do Oriente".

    Exerceu a sua atividade missionária no Oriente, especialmente na Índia Portuguesa e no Japão. Se tornou padroeiro de Salvador por influência da Ordem Jesuitica destronando Santo Antônio por supostamente ter livrado a população da capital baiana de uma epiedemia de cólera. Mas, também é um santo que poucos cultuam e já comentamos aqui que a Câmara de Salvador deveria devolver o padroado a quem de direito, Santo Antônio. Mas, essa é outra história.

  Voltemos a Pamplona. Na capital navarra a força religiosa está com San Fermin e o ponto alto da festa é a corrida do touros pelas ruas acompanhados pelos "fermines" algo que dura apenas 3 minutos, mas, envolve grandes emoções, atropelos boi-homem-mulher, chifradas, exaltações, terminando numa arena ou Praça de Los Toros, onde há algumas evoluções e os touros são recolhidos.

  A questão, portanto, é como sustentar a festa que dura 9 dias (de 6 a 14 de julho) mantendo os "fermines" e os turistas (milhares de pessoas) durante todo o dia e noite. A festa começou religiosa e uma diversão dos açougueiros e comerciantes de bois lá no séxulo XIV e a corrida dos touros é bem depois. E, claro com o decorrer dos séculos, as transformações foram acontecendo sem perder o foco principal que é a corrida dos touros nas ruas, hoje, mais segura, com circuito protegido por cancelas e troncos de madeirame firmes.

  AS PEÑAS 

  Para preencher o miolo do calendário a comunidade de Navarra criou as penãs no inicio do século XX. As Peñas são Grupos Culturais e Festivos, sociedade recreativas e culturais de bairro que organizam e animam as festas. Elas reúnem membros de todas as idades para promover convívio e manter tradições locais

  Durante as festividades de San Fermin caminham pelas ruas ao som de charangas (músicas de sopro e percussão), dançam, bebem, organizam comidas e carregam faixas (pancartas) com sátiras políticas e sociais. Cada grupo veste um lenço no pescoço e uma blusa com cores e escudos próprios que os identificam.

  Atualmente, a Federação de Peñas de Pamplona agrupa oficialmente 16 peñas que participam ativamente da organização das Festas de São Firmino.Embora o número de associações federadas em Pamplona seja fixado em 16, a região e os arredores contam com outros grupos independentes ou de municípios vizinhos (como a peña do município de Ansoáin). Juntas, essas associações reúnem milhares de sócios.

   Lista das 16 Peñas Oficiais (por ordem de fundação):La Única (1903) – A mais antiga de todas;Muthiko Alaiak (1931); El Bullicio Pamplonés (1932); La Jarana (1940); Oberena (1941); Aldapa (1947); Anaitasuna (1949); Los del Bronce (1950); Irrintzi (1951); Alegría de Iruña (1953); Armonía Txantreana (1956); Donibane (1977); El Txarko (1977); Rotxapea (1978); 7 de Julio San Fermín (1979); Sanduzelai (1980) – A última a ser integrada na Federação.

   Acompanhei o desfile do sábado de todos esses grupos e lembra os antigos carnavais de Salvador (ou o desfile da quarta no Circuito Sérgio Bezerra), sem cordas, com familias - crianças até em carrinhos de bebês - uma maravilha.

  Mas, além disso, há uma extensa programa envolvendo outras bandas, grupos musiciais do México e da África e do Caribe, concerto, programação infantil, shows, queima de fogos de artificios, desfile de cavaleiros, danças de bonecos gigantes (cebezudas), enfim uma extensão programação. E, uma azaração, uma paquera global grupal de jovens e maduros num agarra agarra que também lembra o Carnaval de Salvador quando era civilizado. (TF)