Surfe convive com a ex-nobreza da França em balneário chique
Tasso Franco , Salvador |
09/07/2026 às 09:40
Dois surfistas (turistas) alugaram pranchas para surfar em Biarritz
Foto: BJÁ
Biarritz (Sudoeste da França) é uma espécie de capital do surfe francês ou até mesmo do surfe europeu. Mas, como um balneário chique que foi alçado à fama graças a uma imperatriz natural da Espanha (Eugênia de Montijo) casada com o imperador frances Napoleão IIII pode misturar nobreza com surf embora a nobreza tenha desaparecido com esse rótulo após a consolidação do regime Republicano na França?
Parecem coisas incompatíveis. Surfe uma prática de lazer antiga da Polinésia (Havaí) e da lazer de jovens com nova fase esportiva (surf moderno) na Califórnia EUA convivendo com ex-nobres ou os atuais ricos?
É assim que funciona em Biarritz desde que cegou à Europa em setembro de 1956, na Côte des Basques, durante as filmagens do filme "The Sun Also Rises" (Fiesta), o roteirista Peter Viertel e o produtor Dick Zanuck, ambos californianos, trouxeram pranchas de surfe americanas para a cidade.
Os moradores locais começaram a pegar ondas e o esporte ganhou o continente. Os americanos aproveitavam as praias locais e um morador chamado George Henbert ajudou a consertar uma das pranchas de Peter Viertel, que havia quebrado nas rochas. No ano seguinte, em 1957, Viertel voltou trazendo três pranchas e começou a surfar com jovens da região, entre eles Joël de Rosnay.
A partir desse momento, a Costa Basca tornou-se o grande berço do surfe europeu. A Formação de Clubes e Escolas Locais foi num crescendo e o esporte popularizou-se rapidamente, o que levou à criação do Waikiki Surf Club em 1959 e do Surf Club de France em 1964.
Pioneiros como Joël de Rosnay e Jo Moraiz desempenharam um papel fundamental no ensino e na expansão da modalidade. Em 1966, Jo Moraiz abriu uma das primeiras escolas de surfe do país. A região começou a sediar campeonatos franceses e europeus nas décadas de 1960 e 1970.
O Estilo de Vida e o "Biarritz Surf Gang"
Nas décadas de 1960 e 1970, Biarritz consolidou sua nova identidade cultural como a capital europeia do surfe. O contraste entre a tradicional arquitetura Belle Époque — outrora frequentada pela nobreza — e a rebeldia da cultura de praia inspirada pelos californianos e, mais tarde, por surfistas australianos, moldou o estilo de vida local.
Esse ambiente único deu origem ao famoso grupo de surfistas rebeldes retratado no documentário Biarritz Surf Gang, que marcou a história e a atitude do surfe francês.
Tem muita história, a ação dos pioneiros e a organização empresarial. Hoje, em Biarritz o turismo (em parte) gira em torno do susrf e há inúmeras lojas de produtos para susrfistas, souvenires, vestes, camesas com marcas de surf, uma infinidade de artigos e tudo isso gerou escolas, técnicos, oficinas, etc, etc, uma cadeia produtiva tendo como centro o surfe.
Por onde se anda há surfistas e lojas com produtos de surfe e as praias ficam lotadas de surfisas uns surfando, outros aprendendo, outros curtindo, como a participação de pessoas jovens a velhos e muitas mulheres. É bem interessante. (TF)