Que a Lavagem do Bonfim perdeu sua originalidade dos tempos idos com carroceiros, bicicleteiros e cavaleiros isso incorporou ao senso comum. Na década de 1990, com a ocupação carnavalesca da festa houve um redimensionamento no governo Imbassahy proibindo o desfile de trios e blocos de Carnaval, instituiu-se o Bonfim Light na Marina do Loureiro, e ajustou o evento dando mais destaque ao religioso e permitindo somente grupos de samba e minitrios.
O que vimos hoje, no entanto, e já havia acontecido em menor escala ano passado, foi (em parte) um pré-Carnaval com o desfile de blocos, a venda de camisas e estruturas eletrizadas de grande porte. Ou seja, ainda não tem os grandes trios Volvo, mas está se aproximando com blocos com cordas, cordeiros, espaços privatizados, tudo o que esses próprios grupos condenavam no Carnaval.
O governo do Estado através do financiamento Carnaval Ouro Negro teria bancado vários blocos e grupos e alguns integrantes usavam placas com a propaganda governamental.
Ora, a Lavagem do Bonfim, se integra ao ciclo de festas populares de Salvador e, é verdade, sempre teve apoios da Prefeitura e do governo do Estado. Mas, esses apoios eram menos explícitos e mais integrativos com ajuda a Associação das Baianas do Acarajé.
Agora, faz-se propaganda de tudo, até da Segurança, da Saúde, da Limpeza, etc, coisas que são obrigações do Estado e da Prefeitura.
Da forma que o evento está novamente ganhando esse viés carnavalesco a festa vai deixar de ser religiosa e se torna profana ou puramente profana. Tá na hora da Prefeitura fazer um novo realinhamento chamando os atores para um debate.
O ditado – salvo engano criado por Leonelli, quem tem fé vai a pé – ainda vale, mas, as pessoas estão indo mais como foliões do que como fiéis. (TF)