Cultura

Jornal de Frankfurt destaca criticas sociais de escola de samba Rio

É o assunto mais comentado do Carnaval do Brasil
Nara Franco , Rio | 14/02/2018 às 13:25
Imagem caricaturada do presidente Temer
Foto: DIV
Em artigo publicado no jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, a imprensa alemã destacou as críticas sociais vistas nas escola de samba no carnaval deste ano. "Críticas sociais podem ser encontradas aos montes nas ruas. Já no Sambódromo, a liberdade dos foliões deu lugar a uma lógica marqueteira. Os desfiles são imbatíveis em beleza e fantasia – mas, em tempos de transmissão ao vivo e patrocínio, quase nenhuma escola corre o risco de chocar e incomodar os espectadores na arena e na telinha. Apesar de não haver momento melhor para fazê-lo", explica o jornal.

Mas esse ano, sem dinheiro e patrocinadores, as escola tomaram coragem. E a pequena Paraíso do Tuiuti, com seu vampiro presidente, ganhou o mundo. 

"Por isso a escola de samba Paraíso do Tuiuti deveria receber uma láurea por tê-lo feito. Sob o slogan "Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?", ela apresentou a história da escravidão no Brasil. Neste ano se completam 130 anos do fim da escravidão, mas muita coisa ficou: racismo, exploração e opressão continuam sendo temas atuais no Brasil. E eles oferecem muito assunto para críticas à sociedade e às autoridades. A Tuiuti não se acanhou. Ela fez os manifestantes que pediram a destituição da presidente Dilma Rousseff desfilar como marionetes pelo Sambódromo", completou o artigo.

"No último vagão estava o atual presidente, Michel Temer, como vampiro. Sua reforma do mercado de trabalho, a gosto do mercado, foi apresentada pela escola de samba como obra do diabo. Mesmo que a Tuiuti não chegue à vitória porque outras escolas foram tecnicamente melhores, o seu desfile conseguiu mais do que todos os outros: ele incomodou".