Cultura

Jeffinho chuta pau da barraca, mas vai voltar a malhar, p OTTO FREITAS

Com uma saudade inacreditável, ele quer voltar. Mas cadê a coragem?
Otto Freitas , Salvador | 11/11/2013 às 06:46
Depois de quase dois anos de malhação, mesmo um tanto irregular, Jeffinho começou a sentir a diferença para o bem que isso faz para o corpo e a alma. Com a paciente orientação de Don Felipe, que é meio personal trainer, meio psicólogo, Jeffinho seguiu, aos trancos e barrancos, variando entre alongamentos, caminhadas, piscina e sessões de ping-pong, além de puxar um ferrinho na academia, de vez em quando. Sem a ajuda de Don Felipe, seguramente Jeffinho não teria resistido tanto tempo. 

Foi um período muito difícil, até alcançar um mínimo de adaptação à nova rotina. Demorou, inclusive, para achar o horário ideal, já que para começar a malhar Jeffinho foi retirando todos os obstáculos possíveis: acordar cedo para fazer exercício, por exemplo, sempre esteve fora de cogitação, era inegociável. Depois de testar vários horários, pela manhã e à tarde, Jeffinho e Don Felipe chegaram a um acordo: sempre antes das 10 e depois das 8 da manhã. 

Mesmo assim, era dureza, feito aquele comercial de conhaque. Jeffinho já ia dormir angustiado. Às vezes chegava a rogar praga, para que acontecesse alguma coisa que impedisse o treinamento da manhã seguinte. Uma chuvarada, por exemplo, era sempre bemvinda, já que Don Felipe é motociclista. 

Mas o pior mesmo é a preguiça, impiedosa, invencível, insuperável. E tem ainda aquele baixo astral que bate profundo e paralisa o sujeito. É só cama ou sofá, TV e merendinhas sucessivas e fartas, para aliviar a angústia. Pena que a euforia da endorfina só aconteça após os exercícios. 
 
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Apesar de todas as dificuldades, tudo ia bem até que apareceu uma dor lombar, bem no momento em que Jeffinho já estava pegando pressão na pista, dando voltas inteiras sem precisar parar no meio para recuperar o fôlego. Daí, as atividades foram suspensas, para consultas médicas e exames. 

Felizmente, não houve nada de grave, além de sofrimento da musculatura, que precisava de um reforço a mais, de modo a resistir essa novidade de exercícios regulares. O indicado, então, era voltar ao treinamento, com esse novo enfoque, acrescentando ainda sessões de RPG. 

Foi aí, bem no meio do tratamento, que Jeffinho teve sua primeira recaída: começou a furar a fisioterapia e jamais voltou ao trabalho regular com Don Felipe. Como já teve vontade de fazer muitas vezes antes, nos seus piores momentos, chutou o pau da barraca: abandonou o treinamento físico, o RPG, a dietazinha light que vinha tentando fazer, e enfiou o pé na jaca. 

Jeffinho ganhara fôlego, estava dormindo bem e o intestino funcionava como nunca. Enfim, estava se sentindo ótimo, alto astral recuperado. Mas ninguém é de ferro e ele encheu o saco daquela rotina; a preguiça havia vencido, pela primeira vez, nesses dois anos. 

Desde que parou tudo, há vários meses, não houve um dia sequer em que não tivesse vontade de voltar à atividade física. Mas entre pensamento e ação a distância tem sido enorme e a coragem escassa.

Agora, a vontade se transformou em saudade. É inacreditável, mas Jeffinho começou a sentir falta dos exercícios - logo ele que a vida inteira jurou jamais fazer qualquer esforço físico que não fosse levantamento de copos e talheres. 

Mas, enfim, como dizem por aí, a recaída é o primeiro passo para a recuperação. Então, é hora de refazer a cabeça e voltar à luta, um passo de cada vez, cada dia sua agonia. Só não pode é desistir de tentar.