Cultura

50 ANOS ARTE NA BAHIA, NOVO LIVRO DE MATILDE MATOS, POR LIGIA AGUIAR

Lígia Aguiar é artista plástica
ligiaaguiar@superig.com.br
http://ligiaaguiar.blogspot.com


| 11/11/2010 às 06:04
Matilde, 83 anos de idade, e seu trabalho abrangendo décadas de 1950/1990
Foto: DIV
 

Rendo a minha homenagem a uma admirável mulher que tem como missão o abnegado trabalho em prol das artes visuais.


Falo de Matilde Matos, curadora, ensaísta e crítica de arte, que lança o livro "50 anos de Arte na Bahia, no Palacete das Artes Rodin Bahia, no dia 18 de novembro, a partir das 19h.


Incansável, Matilde aos 83 anos contempla a Bahia com uma inédita e primorosa obra, que abrange a segunda metade do século XX, nas décadas de 50 a 90.


O livro, fartamente ilustrado e de fácil compreensão, conta com apresentação do Secretário de Cultura Márcio Meirelles, prefácio do jornalista João Falcão e patrocínio do Fundo de Cultura do Estado da Bahia. Possui 400 páginas e cerca de 250 reproduções em policromia, editado e produzido pela editora baiana EPP, dirigida pelo também artista plástico Fernando Oberlaender.


Segundo Matilde, por questão de espaço a edição ficou limitada a 80 artistas, o que para ela ainda é pouco, diante da safra de bons artistas que a Bahia produz a cada ano. Mesmo assim, muitos outros foram citados ao longo do texto.


Testemunha dos acontecimentos das artes visuais dessa época, a partir da introdução do modernismo pela famosa geração 45, Matilde faz uma apurada análise dos artistas pesquisados, pontuando o legado que cada um deles deixou para o efetivo desenvolvimento da nossa arte.


Por vivenciar desde o início a trajetória artística da maioria dos artistas comentados, a autora conservou na sua memória afetiva, particularidades de cada um deles, que agora expõe com emoção.


A sua atuação na cena cultural baiana é repleta de episódios que atestam a sua aguçada sensibilidade em torno da complexidade intelectual que envolve a arte. Crítica entusiasta e reveladora de artistas de várias gerações mostra a sua vocação natural para navegar absoluta nas águas das artes visuais baianas.


O que nos surpreende em Matilde é a sua generosidade e disponibilidade para abraçar as causas artísticas, doando a sua energia para estimular a evolução das artes, ao descobrir novos valores, ao criar projetos como a publicação desse livro, ao produzir eventos, registrando fatos para a posteridade, além de referendar a carreira dos artistas já consolidados.


Com a sua visão voltada para a estética contemporânea, e sintonizada com o seu tempo, ela é uma das responsáveis pela renovação do cenário artístico da nossa terra.


Ativa em seu cotidiano, não se nega a atender aos artistas, quando procurada, para escrever apresentações para catálogos e realizar curadorias.


Empreendedora, abraça também com sucesso, a área educacional. Como se não bastasse sentiu a necessidade de tornar realidade o projeto de uma galeria de arte, juntamente com a sua filha Claudine, para facilitar a produção e divulgação de exposições e outros eventos ligados à arte.


Coroando sua extensa participação nas atividades artísticas, em 2006 recebeu a importante homenagem por parte da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), a qual é associada. Participa também, como membro, da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA).


Transcrevo aqui, uma pequena parte da sua imensa biografia:


Nos idos dos anos 70 acompanhou ativamente o Grupo ETSEDROM (avesso da palavra nordeste) tendo a frente o artista plástico Edison da Luz, participou da XII, XIII e da XIV Bienal Internacional de São Paulo com a transcrição escrita do Grupo - Prêmio Governador do Estado (1974). "Fazer parte do Grupo foi a melhor escola de arte brasileira contemporânea que eu poderia ter", enfatiza a crítica.


No Jornal da Bahia, assinou, em dois momentos, as colunas: Cidade e As Gentes, de 59 a 62, e a coluna de arte Página Quente, de 70 até a extinção do jornal. No Jornal Bahia Hoje escreveu coluna entre os anos 80 e 90. Assinou coluna regular durante os cinco anos da revista cultural Soterópolis, e eventualmente para a Southward Art, revista bilíngüe editada em Buenos Aires e divulgada nas três Américas.


Em 2002, depois do atentado terrorista ao World Trade Center, reuniu 30 artistas no Centro Cultural da Caixa Econômica, para pintar Gestos de Paz na presença do público.


Presidiu o júri de cinco das Bienais de São Félix, patrocinadas pela Dannemann; fez a curadoria e comentou os trabalhos dos artistas que participaram das seis mostras do Mercado Cultural em 2003.


O que importa nessa Dama, não são somente seus títulos nem os prêmios ganhos em sua trajetória profissional, mas a sua elegante postura diante dessas oito décadas amorosamente vividas em seu mundo povoado de gestos de generosidade. Transita gentilmente entre seus pares, e obtém a unanimidade conquistada através da sua competência e credibilidade.

 

"Arte é liberdade e não abriga discriminação no seu universo"

                                                                          Matilde Matos