Cultura

PEÇAS MUSICAIS CRIADAS POR WALTER SMETAK COM SALA NO SOLAR DO FERRÃO

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| 10/10/2010 às 12:16
Uma das peças de Smetak expostas no Solar do Ferrão
Foto: Débora Paes
 

As "Plásticas Sonoras" - criadas por Walter Smetak (1913-1984) e consideradas obras de arte por críticos e pesquisadores - ganham sala especial para visitação pública no Centro Cultural Solar Ferrão (Pelourinho). A mostra de longa-duração Smetak - O Alquimista do Som apresenta as peças do acervo da família do músico suíço que viveu na Bahia entre 1937 e 1984 - restauradas e expostas apenas no Museu de Arte Moderna da Bahia e no de São Paulo, em 2007 e 2008, respectivamente. A abertura da exposição acontece partir do dia 15 de outubro (sexta), às 19h, com realização da Secretaria de Cultura do Estado, através da Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (DIMUS/IPAC).


Smetak - O Alquimista do Som apresenta as "Plásticas Sonoras", os instrumentos, partituras e objetos pessoais do artista, como a medalha da Ordem do Mérito Cultural* que ele recebem (in memoriam) do Ministério da Cultura. Para Daniel Rangel, Diretor de Museus do IPAC, a originalidade de Smetak é claramente percebida nas obras que ele produzia, pois, além de uma imensa riqueza estética, elas são peças únicas. "Realizar esta exposição é reconhecer a importância histórica e estética da obra de Smetak. Ele foi um grande mestre, realizando uma renovação nas artes e influenciando toda uma geração de grandes músicos e artistas. Por suas experimentações sonoras e plásticas, Smetak fundiu elementos da cultura popular com outros da cultura erudita, provocando algo completamente novo, tanto para a sua época, quanto para os dias de hoje. Smetak continua único, sem igual", finaliza.


Por este motivo, Smetak - O Alquimista do Som - que tem projeto expográfico de André Vainer e organização de Daniel Rangel e Barbra Smetak - prevê a exibição deste acervo em sua totalidade. Agora, a obra do "velho mago", como Smetak era conhecido, será exposta no mesmo prédio que abriga, entre outros acervos, as peças de arte popular reunidas pela arquiteta italiana entre as décadas de 50 e 60. Smetak e Lina fizeram parte do grupo de artistas e intelectuais da vanguarda européia que aqui aportaram em meados do século XX, contribuindo para a construção de um dos momentos mais ricos da história cultural do nosso estado, e que influenciaram movimentos importantes, a exemplo do Tropicalismo e do Cinema Novo.


Hoje, 27 anos após sua morte, o legado de Smetak continua vivo e instigando a curiosidade de músicos, pesquisadores e curiosos. Relembrando uma de suas frases, "é mesmo a obra que fica; o autor é aquele que vai embora". Por isso, realizar a exposição Smetak - O Alquimista do Som significa tanto homenagear este grande artista, contribuindo para a preservação e difusão de seus experimentos e criações, quanto completar o panorama da diversidade cultural e artística presente no Centro Cultural Solar Ferrão, abrindo mais um andar deste imponente prédio histórico localizado no Pelourinho. Agora, o Ferrão abriga uma galeria de arte contemporânea e quatro importantes coleções: a Coleção de Arte Sacra do Museu Abelardo Rodrigues e a Coleção de Arte Africana Claudio Masella; além da Coleção de Arte Popular Lina Bo Bardi e de Walter Smetak.