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Luislinda (bata branca) e o livro O Negro no Sec XXI em mãos da sec Luiza Bairros
Foto: Acrisio Siqueira
Depois de algumas semanas de expectativa, a magistrada baiana Luislinda Valois tem motivos de sobra para comemorar. Sua história de vida ganhará as telas de milhares de brasileiros, no encerramento do episódio de ontem, da novela global Viver A Vida. "Será uma grande oportunidade poder dividir minha história com tantos brasileiros que também travaram e ainda travam lutas para transpor obstáculos", comenta a juíza Luislinda Valois.
No último mês, a magistrada esteve no Projac da TV Globo, no Rio de Janeiro, para
gravar depoimento para o Portal da Superação, ferramenta interativa do folhetim de Manoel Carlos. Na ocasião, a magistrada foi recebida por produtores e atores do elenco como Taís Araújo e Thiago Lacerda.
Sustentando o título de primeira magistrada negra do país, a juíza Luislinda Valois é autora de atos inéditos, como a primeira sentença proferida contra racismo no país, em 1993. A sentença foi a favor da empregada doméstica Aila Maria de Jesus, acusada injustamente de furto pelo segurança de um supermercado de Salvador.
"Foi Deus quem fez que este processo caísse em minhas mãos. A missão de assegurar a honra e dignidade daquela mulher foi minha. O supermercado ainda recorreu, mas o juiz de segundo grau manteve a decisão na sua integralidade", relata a juíza.
Luislinda Dias Valois é também idealizadora dos Balcões de Justiça e Cidadania, do Juizado Itinerante Marítimo Baia de Todos os Santos e da Justiça Bairro a Bairro,
criados com objetivo de facilitar o acesso da população carente aos serviços
judiciários.
Lançou, em 2009, a obra O Negro no Século XXI, livro que convida o leitor a
redescobrir a história dos afro-descententes no Brasil com o discernimento
de quem conhece profundamente suas origens. Como muitos brasileiros, ela
sentiu na pele o peso do racismo ainda jovem quando foi "aconselhada" por um
professor a deixar de estudar para cozinhar feijoada na casa de brancos.
Em grito de protesto, a cada parte do livro, a autora pontua, de forma simples e direta, o processo histórico causador da desigualdade social e racial em nosso país. Dividido em 18 capítulos, a obra é um avocar para uma reflexão sobre o retorno que a sociedade tem dado ao povo negro, em vista de sua contribuição social, econômica e cultural, ao longo dos séculos.