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Resolvida a tecnologia ajusta-se a midia ao retorno financeiro
Foto: DIV
A visão da propaganda num ambiente futuro não é exatamente uma novidade. Desde 2001-Uma Odisséia no Espaço que ela está presente. No filme as naves espaciais são da Panam, a estação orbital é da rede Hilton e o super computador HAL tem esta sigla formada pelas letras imediatamente anteriores a I,B,M. Pode ser coincidência. "Ou não, quem sabe, pode ser a convergência das variáveis libertárias do palavreado", como diria Gil.
Em Blade Runner a propaganda também está presente em gigantescos painéis luminosos da Coca Cola, da Sony e outras marcas. Sem falar no imenso veículo que flutua acima das ruas fazendo comerciais da empresa que fabrica os robôs-humanos, os replicantes. Invasor de Mentes não é um filme de sucesso como estes dois aí em cima. Tendo Cuba Gooding Jr. E Val Kilmes como atores principais, o filme entretanto vai mais além ao situar a propaganda no futuro. A época é por volta de 2030 e uma corporação chamada Hope controla todos os negócios do país - Estados Unidos, claro- após ter bancado financeiramente uma guerra e livrado a cara dos norte-americanos de uma derrota sem igual. O controle dos negócios é conhecido por todos e a Hope faz o que bem entende, ocupando os lugares que acha por bem ocupar para vender espaços de mídia. Assim, da tocha que fica na mão da Estátua de Liberdade, sai uma descomunal marca da Playboy em projeção holográfica. Na encosta do Mount Rushmore onde estão esculpidas as faces dos 4 primeiros presidentes da nação, está também uma grandiosa logomarca da Mastercard. E por aí vai.
Mas os executivos da Hope por dominarem tudo, precisam vender muito e desenvolvem um chip experimental que é implantado no cérebro de qualquer pessoa que chegue num hospital -que eles também controlam- precisando de neurocirurgia. Com estes chips enfiados na cabeça, os pacientes passam a "ver" os apresentadores dos produtos da Hope que estão na televisão, diante de si, onde estiverem, em intervalos regulares. São projeções holográficas dos seres humanos que apresentam os comerciais e só são percebidas por quem tem o chip na cabeça.
Os holo-apresentadores repetem o texto do comercial à exaustão, seguem a vítima e até se multiplicam para melhor convence-los. A tortura só acaba quando o pobre coitado chipado adquire o produto "sugerido". Daí o filme vai para outro lado e nós aqui também.
Independente da possibilidade de que todas estas maluquices venham a existir, o futuro certamente virá, a menos que os maias estejam certos. E para este futuro possível, já tem gente pensando seriamente em como será uma agência de propaganda. Al DiGuido, CEO da agência Zeta Interactive publicou um artigo na Advertising Age em que faz algumas previsões sobre isso. Vejam algumas.
1. Agências enxutas com novos títulos. Com fees menores e margens reduzidas, o modelo de agência será enxuto, com as melhores e mais brilhantes não excedendo 100 pessoas. Na era do imediatismo, o tamanho pequeno será uma vantagem de mercado, permitindo que as equipes ajam com mais rapidez, sejam mais flexíveis e trabalhem de forma mais colaborativa. Além do encolhimento, as agências sentirão uma mudança de poder e prioridades. Diretores criativos serão ofuscados pelos especialistas em novas mídias, desde a expertise em estratégia e pensamento de canais até a execução de campanhas e análises posteriores. Os títulos de hoje não serão mais os mesmos. O especialista em convergência, um profissional capaz de sintonizar a vontade do consumidor em uma ampla gama de canais e meios, será o maior destaque.
2. A análise vai decorar a sala de troféus. As agências que buscam ganhar prêmios serão cada vez menos valorizadas pelos clientes. O resultado (retorno sobre investimento) será a única medida de sucesso. Nesse ambiente, aqueles que controlam dados (e tem a expertise de entender, analisar e retirar insights desses números) serão peças-chave. Os dados dominarão a atividade das agências: mensagens em tempo real, resultados em tempo real e análise. Os dias em que os planners atuam sem saber as métricas do sucesso estão contados. O pessoal de criação não criará sem entender a relação entre execução, engajamento e retorno. Na agência do futuro, a análise guiará a estratégia.
3. A tecnologia não será mais ‘alugada'. Ela não terá mais um papel tangencial. Ferramentas como e-mail, marketing de busca, plataformas de mídias sociais e soluções móbile, não serão suficientes. Seja uma agência de criação, de mídia, de marketing direto, ou de interatividade, ser dono de tecnologias e ganhar sobre seu uso será algo essencial. Isso garantirá receita e um lucro estável. Para DiGuido a posse tecnológica será um grande diferencial. Agências com os melhores desenvolvedores serão as novas líderes.
Ou seja: a criatividade tal como conhecemos hoje estará em processo de extinção. A propaganda não mais irá "provocar" o desejo de consumo através de títulos engenhosos ou imagens provocantes. Isto estará a cargo das mídias interativas, das redes sociais na internet e até da mídia convencional. E vejam: isto já está acontecendo, mesmo que as agências não percebam. Caberá a elas entregar ao pré-consumidor -onde ele estiver- a forma de realizar a compra e as vantagens que o seu anunciante oferece.
E as novas mídias, pergunto eu? Existe uma legislação sobre isso, mas já é realidade blimps flutuando no mar do Rio Vermelho no dia 2 de fevereiro. O que impedirá uma empreiteira de projetar holograficamente e em 3D o seu futuro empreendimento, em tamanho real e no local exato? Resolvida a tecnologia, ajusta-se a nova mídia a um retorno financeiro ou em serviços ao poder público. Aí alguém poderá envelopar o Elevador Lacerda com a imagem de uma garrafa de cerveja em troca da manutenção do equipamento urbano.
Por hora tudo isso é devaneio e exercício de futurologia, mas as transformações da comunicação já estão aí no Twitter, no Facebook, no Buzz, no Wave, no Gtalk, no Flickr, no My Space e incontáveis outras ferramentas de comunicação e redes sociais. Basta que hoje alguém tweet que gostou desta matéria e forneça o link para que milhares corram para dar uma olhada. Assim também será com a divulgação de produtos e serviços. Cada consumidor será uma agência de propaganda e a agência de propaganda, um balcão virtual de negócios.
As previsões de formato das agências feitas por DiGuido são para 2015, nos Estados Unidos. Isto significa 2020 no Brasil e 2025 na Bahia. "Isso meu filho, se der tempo, não é Stella?" Como diria Caymmi.