A ditadura militar brasileira é mais do que o pano de fundo de Glória partida ao meio. Contra a sua tirania surgem as conspirações, lutas, idealismos e paixões que ganham vida neste romance de Paulo Martins. Através da história do revolucionário idealista Ricardo, o livro recria a atmosfera da resistência ao Golpe de 64, retratando os ideais e angústias daquela geração.
Ricardo escapa da prisão do DOPS no Rio, refugiando-se em São Paulo. Lá ele conhece Florence, francesa recém-chegada de Salvador. Em meio à tensão da
clandestinidade surge uma história de amor, que se desenrola num misto de esperança, felicidade e tragédia.
A tortura, as perseguições, as dissensões internas e esta paixão em permanente conflito levam o herói a questionar seus sentimentos, valores e o seu tempo.
A memória e a ficção revezam-se até mesmo no título: Glória é o nome da guerrilheira metralhada em São Paulo, após o "aparelho" de uma ala do PC do B ter sido invadido pela polícia. Sem se prender à verdade histórica, Paulo Martins lança mão de toda a liberdade proporcionada pela ficção, recriando uma época que o Brasil nunca esquecerá.
Quem foi jovem e participou, ainda que de forma discreta, do seu foco narrativo, o lerá para não mais o esquecer. Um belo romance de Paulo Martins, cheio de vida e rebeldia, em tudo e por tudo diferente dos dessangrados e esotéricos romances dos nossos dias. (Hélio Pólvora)
Sobre o autor
Paulo Martins nasceu na cidade de Ipiaú, na Bahia. Participou ativamente das lutas contra a ditadura militar nas décadas de 60 e 70 e, mais tarde, da campanha pela anistia.
Viveu na China em 1964/65. É co-autor de Liberdade para os Brasileiros - Anistia Ontem e Hoje (Civilização Brasileira, 1978) e, no período em que morou na Europa, escreveu Jacques Brel - A magia da canção popular (7 Letras,1998). Glória partida ao meio é o seu primeiro romance.