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Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional,
Cachoeira, cidade onde ecoaram os primeiros gritos da Independência do
Brasil e onde se estabeleceu um dos mais antigos terreiros de candomblé da
Bahia, é a principal personagem de Recôncavo, terceiro romance do
economista e escritor Armando Avena.
No livro, uma publicação da Versal Editores, que será lançado no
próximo dia 18 de dezembro, às 18h, na Saraiva Mega Store do Salvador
Shopping, o autor apresenta uma Cachoeira "inverossímil e real ao
mesmo tempo", que às vezes pode lembrar a sombria Comala, da novela
Pedro Páramo, de Juan Rulfo ou a Macondo, de Cem Anos de Solidão de
Gabriel Garcia Marquez.
Membro da Academia de Letras da Bahia, Avena se deleita na construção
de sua narrativa, enquanto passeia pelas ruas, revendo o casario e os
monumentos cachoeiranos. No município do interior baiano que reúne o
mais importante acervo arquitetônico do barroco ele cria sua história:
CASAS COLORIDAS
"Tudo começa quando o primeiro escritor brasileiro a ganhar o Prêmio
Nobel sobe ao palco do Stockholm Concert Hal, em Estocolmo, para
receber sua honraria e seus olhos vislumbram os personagens da cidade
encantada que descansa nas bordas do Rio Paraguaçu, no Recôncavo
baiano. Mas eles estão lá para dizer que o prêmio não lhe pertence",
conta.
Em seu novo romance o Paraguaçu desemboca no Mar Báltico. Armando
Avena descobre semelhanças entre Cachoeira e Estocolmo, para ele
"outra cidade mágica com suas 54 pontes e um bairro histórico cujas
casas coloridas lembram os velhos sobrados do Recôncavo". Na vida
real, entretanto, conhece muito bem o município baiano, para onde
viajou muitas vezes - principalmente no último ano, no qual esteve
dedicado ao projeto. Mas, admite que não esteve na sede do Nobel.
"Nunca fui a Estocolmo, mas ela está inteirinha no livro", comenta
bem-humorado.
Avena explora o Recôncavo histórico. Foi a Câmara Municipal de
Cachoeira, afinal, que proclamou D. Pedro Príncipe Regente do Brasil,
em 1822. Ele observa que uma cidade que foi capital da Bahia
independente durante 16 meses (assim como em 1837, durante a Revolta
da Sabinada) "é cheia de História, com H maiúsculo": "Bem antes do
Grito do Ipiranga sua população já pegava em armas, tomando de assalto
uma canhoneira portuguesa, para depois decretar a Independência do
Brasil", enfatiza.
O romance dedica ainda três capítulos à secular Irmandade da Boa Morte
que abriga a guardiã dos mais antigos ritos do candomblé no Brasil e
que todos os anos, em agosto, atrai milhares de visitantes à cidade
para participar da famosa procissão da Senhora da Boa Morte.
O AUTOR
Escritor e Economista é membro da Academia de Letras da Bahia e
professor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade
Federal da Bahia - UFBA e da Faculdade de Ciências Econômicas da
Universidade Católica de Salvador - UCSAL. Semanalmente assina uma
coluna no jornal A Tarde e possui cinco livros publicados.
Já escreveu outros dois romances O Afilhado de Gabo (Relume-Dumará,
1997) e O Evangelho Segundo Maria (Relume-Dumará, 2002). Este último
foi o primeiro livro a contar a história de Jesus sob o ponto de vista
das mulheres e teve uma trajetória interessante, depois que a diretora
Carmen Paternostro pediu que o autor o transformasse em espetáculo
teatral, o que de fato aconteceu. Após ser encenado, em Salvador,
ganhou o Prêmio Braskem de Teatro/2004.
Avena é autor ainda do livro de ensaios e crônicas A Última Tentação
de Marx, também publicado pela Relume-Dumará, em 1998, e dos infantis
A Menina Que Perdeu o Nariz ( Relume-Dumará, 1999) e Fabrício e as
Estrelas, ilustrado por Mario Cravo e editado pela Casa de Palavras,
da Fundação Casa de Jorge Amado, em 2006. Sobre a experiência ele
comenta: "Escrever para crianças é mais difícil que para adultos. As