Cultura

DIRETOR DA OSBA QUER POLÍTICA DE ESTADO PARA EDUCAÇÃO MUSICAL PROFUNDA

Ricardo Castro quer sensibilizar o governo para incrementar sinfônica
| 03/03/2007 às 11:45
As propostas apresentadas pelo diretor da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA), Ricardo Castro, renomado pianista baiano que se apresentava em salas européias, são bem vindas ao mercado cultural local, sobretudo porque oxigena o setor e sangue novo sempre é bom para mexer com estrtuturas arraigadas há anos.
Castro tem a experiência de quem viveu 20 anos na Europa, idéias frescas trazidas do velho mundo, porém, contemporâneas no seu segmento, embora elas não devam ser levadas tanto assim em conta na Bahia porque aqui se esbarra na componente prioridade à cultura em qualquer governo (falta de dinheiro), posta sempre num segundo ou terceiro planos.
Daí que de boas intenções o mundo está repleto, embora não se deva desestimular o jovem pianista, até porque, em se tratando de governo novo que deseja romper com as estruturas do anterior, muita coisa pode ser feita.
É óbvio que Ricardo Castro não deverá realizar nem a metade do que pensa ou sonha fazer, até porque em artes é sempre assim, os sonhos estão além da realidade.
Veja que uma das observações do novo diretor (posta em A Tarde) é de que existem goteiras nas salas de ensaios, o cupim está comendo equipamentos e o piano está oxidando. Situações, evidente, que Castro não teria encontrado em Berlim, só para se dar um exemplo.

OSBA PARA TODOS

A OSBA para todos, como diz o título da matéria (A Tarde) inspirada na fala do novo diretor, trata-se, obviamente, de uma peça de marketing uma vez que o governo Wagner adotou o slogan "um governo de todos ou para todos".
Imaginar que uma sinfônica será para todos, ainda que haja um esforço enorme de se introduzir nesse mercado jovens da periferia e outros, vai ser uma tarefa enorme. Evidente que não será inatingível, mas, ainda assim, para uma minoria da minoria residente em Salvador ou algum gênio que venha das barrancas do São Francisco ou de Sul cacaueiro e letrado.
A Prefeitura, recentemente, teve uma Orquestra Sinfônica da Juventude constituida por jovens de Paripe e Periperi. O governo de Participação Popular de João Henrique não deu segmento ao projeto e os violinos estão se enferrujando, o mesmo acontecendo com os contrabaixos, tubas, etc, que foram adquiridos com o apoio do Banco do Brasil.
Acredita-se, no entanto, na boa intenção do jovem diretor da OSBA e espera-se que ele tenha sucesso em sua missão.
Desde já, no entanto, tem que sensibilizar a cúpula do governo e a Sefaz, senão vai ficar - como fez, agora - colocando um ar condicionado numa sala, tapando goteiras em outra e assim por diante. (TF)