segunda-feira, 17 de maio de 2021
Colunistas / Esportes
Zé de Jesus Barrêto

SPORT VENCE BAHIA E TRICOLOR VOLTA À ZONA DA DEGOLA

Próximo jogo do Bahia é contra o Cortinthians dentro de casa. E, claro, precisa vencer.
24/01/2021 às 11:10
Depois de uma primeira etapa equilibrada, o Bahia voltou sonâmbulo dos vestiários e foi amassado, dominado, massacrado pelo Leão Rubro-negro do Recife, no clássico do Nordeste, o jogo dos desesperados.. O placar de 2 x 0 até foi pouco pelo que nada fez o Tricolor na etapa final; perdeu todas as divididas, os rebotes, o meio campo, não incomodou na frente e defendeu-se mal, pra variar. Não é à toa que tem a defesa mais vazada da competição. Uma vergonha. 

  Depois da desastrosa e decepcionante atuação da equipe, o Bahia instalou-se na chamada zona do rebaixamento ou da degola, com 32 pontos, e tem um jogo a menos que seus adversários. Vasco, Fortaleza e Sport estão com 35 pontos. O Bahia ainda joga contra Vasco e Fortaleza. Na zona, com o Bahia, estão o Goiás (29 pontos), o Coritiba (27 pontos) e o lanterna Botafogo do Rio, com 23. 
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  A rodada teve resultados surpreendentes que mexeram também no topo da tabela de classificação. O Internacional, que venceu o clássico gaúcho, disparou na liderança, com 62 pontos. Seguem o São Paulo (com 58), o Flamengo (55), o Atlético Mineiro (54), mais Palmeiras e Grêmio com 51.  
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  O clima de guerra 

  Não bastasse a histórica rivalidade nordestina entre as equipes e até mesmo a rixa Bahia x Pernambuco, a partida ganhou cores de ‘batalha final’ com a vitória do Vasco sobre o Atlético Mineiro no sábado, resultado que tinha levado o Leão da Ilha para a zona de rebaixamento, com os mesmos 32 pontos do Tricolor baiano, que estava à frente apenas por ter um melhor saldo de gols. Tinha.  Assim, o clássico foi uma briga de desesperados, um agarra-agarra de náufragos para não se afogar de vez. O Leão venceu. 

 Além disso, durante a semana o Bahia contratou um profissional para o departamento de futebol que estava no Sport e a diretoria do clube pernambucano não gostou; postou notas achando a transação aética; o presidente Belintanni respondeu, o clima esquentou nas redes.   Teve mais: na madrugada de sábado para domingo, torcedores do Sport tocaram fogos nas proximidades do hotel onde a delegação baiana estava hospedada, no intuito de perturbar o sono/repouso dos atletas do Bahia.  Coisa antiga. Influiu nalguma coisa? 
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Com bola rolando ...  

 O Rubro-negro pernambucano no gramado machucado da Ilha do Retiro todo de roxo. O Tricolor com seu padrão de camisa branca e calção azul, tradicional.

  As duas equipes entraram aplicadas em marcar muito, apertando a saída de bola defensiva do adversário. Velocidade, pegada curta, forte mas na bola, sem muitas faltas, no começo. Posturas parecidas, equilíbrio de ações. Bolas alçadas e chutes em gol de longa distância. As defensivas prevalecendo. 

  Aos 13’, Matheus Bahia recuperou uma bola e enfiou para Thiago que invadiu livre pela esquerda mas quando tentou finalizar, de frente com o goleiro, pegou muito mal na bola. Primeira boa chance de gol, perdida. Aos 16’, após uma furada bizarra na tentativa de finalizar, Matheus Bahia conseguiu cruzar forte, Gilberto cabeceou pra fora. O Sport reagiu, numa blitze, a defesa baiana quase complicou tudo. Algumas entradas mais duras dos pernambucanos, parando lances de contragolpe. Cartões amarelos pra eles. 

  Aos 28’, Gilberto livrou-se da marcação e, de fora, mandou bala; Luan Polli defendeu bem no meio do gol. Aos 41’, depois de bobeira no meio campo, Patric arrematou de fora da área, frontal; boa espalmada de Douglas.  
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 O Sport conseguiu equilibrar a primeira etapa matando os contragolpes do Bahia com muitas faltas (15 ao todo), marcando duro. O Tricolor tramou mais (fez 4 faltas apenas), mostrou-se bem postado, correu muito, mas finalizou pouco e mal. 
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  No intervalo, Jair Ventura trocou dois jogadores que tinham já levado cartões amarelos (Raul Prata e Marcão); entraram Ronaldo e Ewerton. Sangue novo, mais velocidade pelo lado direito. O Leão do Recife voltou a campo com o propósito de pressionar, dar calor na defensiva baiana, postando-se inteiro no campo inimigo, ganhando o duelo no meio campo, forçando, esticando bolas pelos lados e alçando, cruzando na área, incomodando. Melhor. O Bahia encolhido, suportando apenas, acuado, sem flama, apagado.

  - Aos 6’, o Sport chegou às redes, mas a arbitragem pegou impedimento do ataque rubro-negro.   Aos 13’, saiu Gilberto, lerdo em campo, entrou Gabriel no ataque baiano. Sò dava Sport, dominando as ações.  

 Olhe o VAR !

 - Gol ! Sport 1 x 0 (?), aos 19’. Ewerton, completou na pequena área, após uma ratada de Nino, tentando cortar. A arbitragem de vídeo captou impedimento. Gol anulado. 0 x 0. 

 O Bahia acordaria?   Ramirez e Thiago deram lugar a Rodriguinho e Fessim. Capixaba entrou no lugar de Rossi, para fechar o lado esquerdo defensivo baiano, por onde o Sport passeava. A pressão dos donos da casa continuava, acesos. O Bahia parecia não ter voltado dos vestiários, zonzo e perdido em campo, sem garra. Teria tomado alguma água batizada? 

 - Gol ! 1 x 0 Sport, Thiago Neves de bicicleta, golaço, das imediações da marca do pênalti !  A zaga espiou e Douglas não chegou na bola. 

  Chegamos aos 39 minutos e o Bahia não tinha conseguido chutar uma bola sequer na direção do gol adversário. Irreconhecível, atuação deplorável.  

 - Gol ! 2 x 0 , Maidana, completando para as redes, depois da bola alçada em cobrança de falta da intermediária, lado esquerdo, a cabeçada, o rebote de Douglas ... por volta dos 42 minutos, a defensiva mais vazada da competição dando mole, de novo.   Vergonhoso.
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Destaques

 Fica a pergunta: o que teria acontecido nos vestiários do Bahia durante o intervalo? O time que correu e encarou bem o primeiro tempo voltou para a segunda etapa sem ânimo, sonâmbulo, sem disputar o jogo.  Muito estranho ! 

 O Sport venceu porque se empregou total, vibrou, buscou o resultado, não fugiu das divididas. O belo gol de Thiago Neves. 
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Escalações 

- Sport : Luan Polli, Raul Prata (Ewerton), Maidana, Adryelson e Jr Tavares; Patric, Marcão (Ronaldo), Betinho e Thiago Neves; Marquinhos e Dalberto. Treinador, Jair Ventura. 

- Bahia : Douglas, Nino Paraíba, Ernando, Juninho e Mateus Bahia; Gregore, Ronaldo, Rossi (Capixaba) e Índio Ramirez (Fessim); Gilberto (Gabriel)  e Thiago (Rodriguinho).  Treinador, Dado Cavalcanti. 
 Arbitragem paulista, com VAR; Rafael Clauss no apito. Sem problemas. 
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  No meio da semana o Bahia deve fazer uma partida que está atrasada, de rodadas passadas, contra o Corínthians, na Fonte Nova (não está ainda confirmado). Enfrentar o Timão é sempre complicado. 
 Depois, fim de semana, sai para enfrentar o Vasco em São Januário/Rio. Confronto direto, duríssimo, pela 33ª rodada.
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Outros jogos  

- São Paulo 1 x 1 Coritiba; Vasco da Gama 3 x 2 Atlético Mineiro. 
- Athlético /PR 2 x 1 Flamengo; Ceará 2 x 1 Palmeiras; Internacional 2 x 1 Grêmio.
- Santos 3 x 4 Goiás; Atlético Goianense 2 x 0 Fortaleza. 
- Ainda no domingo: Fluminense x Botafogo; na segunda, Corínthians x RB Bragantino. 
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Série B 

 Na terça-feira, o Vitória precisa apenas de um empate contra o Botafogo de Ribeirão Preto/SP, no Barradão, para se manter na Segundona 2021.  O Botafogo já está desclassificado para a Série C. Não pode dar errado.