A Escola Municipal Amélia Rodrigues, localizada no Tororó e administrada pela Prefeitura de Salvador, recebeu nesta sexta-feira (28), às 14h, o lançamento do Projeto Engenhoka
Da Redação , Salvador |
29/08/2026 às 07:25
Engenhoka
Foto: Otavio Santos
A Escola Municipal Amélia Rodrigues, localizada no Tororó e administrada pela Prefeitura de Salvador, recebeu nesta sexta-feira (28), às 14h, o lançamento do Projeto Engenhoka, iniciativa do Instituto Burburinho Cultural que promove atividades de robótica educacional e artes visuais. Ao todo, 60 estudantes do 6º ao 9º ano participaram da formação, que busca estimular a criatividade, o raciocínio lógico e a concentração, além de ampliar o acesso de crianças e jovens às tecnologias e às linguagens artísticas.
Com carga horária de 40 horas, as atividades foram realizadas em um estúdio maker instalado dentro da própria escola, criado para proporcionar aos alunos contato direto com equipamentos e ferramentas tecnológicas. Entre os equipamentos disponibilizados estavam quatro tablets, uma impressora 3D, uma televisão de 60 polegadas, um notebook para o instrutor, canetas 3D e materiais de arte.
Em sua terceira temporada, o Engenhoka chega pela primeira vez ao Nordeste e entrega seu 20º estúdio maker. Em Salvador, as atividades são realizadas no contraturno escolar, com três horas semanais. Segundo a presidente do Instituto Burburinho Cultural, Priscila Seixas, a proposta do projeto vai além da construção de robôs e busca aproximar os estudantes da arte e da tecnologia.
“Para construir um robô, a gente precisa construir uma escultura, uma obra. Então, os meninos vão conhecer a história da arte, passam por referências como Van Gogh e pensam, por exemplo, no pássaro autômato, reproduzindo também a tecnologia presente na arte para, então, construir seus robôs”, explicou.
Priscila também aponta que ampliar o acesso à tecnologia desde a educação básica pode contribuir para diminuir barreiras encontradas pelos jovens no futuro profissional. “A gente consome muita tecnologia, mas o quanto estamos, de fato, operando e produzindo essa tecnologia? Ela também é um elemento de segregação social”, afirmou.
De acordo com a presidente do instituto, a proposta é apresentar a tecnologia aos estudantes como uma ferramenta de aprendizado e criação. “A gente espera, primeiro, trazer para a escola um legado físico e material. Segundo, trazer possibilidades, pensar futuros e pensar como essa educação pública pode, hoje, trazer a tecnologia como ferramenta, e não apenas como vilã”, destacou.
Integração - O Engenhoka utiliza uma metodologia multidisciplinar que conecta conhecimentos científicos e artísticos. Durante as oficinas, os estudantes aprendem conceitos de robótica educacional ao mesmo tempo em que desenvolvem atividades relacionadas às artes visuais
As atividades são organizadas em cinco módulos, conduzidos por instrutores e monitores. Cada participante recebe um box maker com materiais que serão utilizados durante as aulas. Ao longo da formação, os estudantes são incentivados a criar robôs e outros objetos a partir de referências da história da arte, relacionando diferentes áreas do conhecimento na construção de novas ideias e projetos.
Além da formação, um dos principais legados da iniciativa é a permanência da estrutura na escola. Ao final do projeto, os equipamentos e o mobiliário utilizados no estúdio maker serão doados à instituição de ensino, permitindo que os recursos continuem disponíveis para os estudantes.
Expectativa - Para a diretora da Escola Municipal Amélia Rodrigues, Cátia Machado, a chegada do projeto era aguardada pela comunidade escolar desde o início do ano.“Desde o momento em que os alunos descobriram o projeto, eles ficaram muito mais interessados em tecnologia e robótica. Então, vai ser maravilhoso esse projeto”, afirmou.
Entre os estudantes participantes está Maria Eduarda Bastos Couto, de 13 anos, aluna do 6º ano. Ela conta que está ansiosa para ter o primeiro contato com tecnologias diferentes. “Eu estou muito ansiosa, porque eu não fiz coisas robóticas, eu não fiz robôs”, contou.
A colega Rebeca Souza Santos, de 12 anos, também do 6º ano, revelou que o equipamento que mais despertou sua curiosidade foi a impressora 3D. “Eu estou mais ansiosa com a máquina de impressão 3D porque me falaram muito bem dela e eu estou muito ansiosa para testar”, afirmou. Ela também apontou o que pretende criar na impressora 3D: “Eu testaria uma caixinha de porta-lápis, que eu gosto muito dessa coisa de pintar”.
Projeto - Com a chegada a Salvador, o Projeto Engenhoka amplia sua atuação para diferentes regiões do país. A iniciativa conta atualmente com polos educacionais nos estados do Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo e Bahia, mobilizando estudantes da rede pública.
O Instituto Burburinho Cultural completa 20 anos em 2026. A organização nasceu no Rio de Janeiro como uma produtora e, ao longo dos anos, passou a atuar também como instituto, desenvolvendo projetos relacionados às políticas públicas e à cultura. Além do Engenhoka, o instituto mantém iniciativas voltadas a diferentes públicos, como o Lab 60+, destinado à terceira idade, e projetos relacionados à diversidade e à cultura.