quarta-feira, 22 de setembro de 2021
Colunistas / Política
Tasso Franco

NA DECISÃO DE MARCO AURÉLIO, BOLSONARO MANTÉM OS SEUS AGREGADOS

O presidente da República marca uma posição firma junto a lojistas e prestadores de serciço
24/03/2021 às 10:10
    A decisão do ministro Marco Aurélio, do STF, sobre as medidas restritivas adotadas pela Bahia, DF e Rio Grande do Sul em relação a uma ação interposta pelo presidente Jair Boslonaro já era esperada. Não deixa de ser uma vitória dos governadores desses dois estados e do Distrito Federal ainda que, parcial. Ou seja, já havia uma súmula anterior do STF que garantia aos governadores tomarem essas decisões dando poderes aos gestores estaduais e até aos prefeitos entendendo que a pandemia é abrangente e cada município tem uma característica diferente da outra.

  O que Bolsonaro fez, a rigor e no plano político, foi interpor uma ação no Supremo para reforçar a sua tese junto aos comerciantes e as forças produtivas de que ele, o Presidente como Instituição, é contra o fecha quase tudo (lockdown), o que já vem pregando isso em suas falas há muito tempo. 

  Noutras palavras: Bolsonaro agiu politicamente (tem-se certeza de que sabeia que iria peder), mas, como a decisão de Marco Aurélio teria uma grande repercussão na midia (como está tendo) ficaria mais uma vez claro que ele (o Presidente) é contra o lockdown e está ao lado dos lojistas, prestadores de serviços, pequenos e médios empresários e outros. 

  Na Bahia, vê-se isso com clareza nas redes sociais, com um novo movimento de dirigentes lojistas classificando as atitudes de Rui Costa e Bruno Reis como ditatoriais, prestadores de serviços também irritados com os governantes, e esse grupo (minoritário, é verdade) têm dado apoio a Bolsonaro. É por isso, por essas e outras ações, que Bolsonaro mesmo extremamente desgastado com a atuação de sua equipe no combate a pandemia, pontua com (ao menos) 30% das intenções de votos nas pesquisas para presidente, eleições em 2022.

  Tancredo Neves tinha uma frase que falava sempre quando recebia apoios na época da redemocratização, em 1984, apoios os mais diferentes possíveis, que agradecia a todos, mas, estava sempre cuidado daqueles que o acompanharam desde o inicio. Isto é, primeiro manter os meus agregados. É isso que Bolsonaro fez neste caso contra os governadores da BA, DF e RS e vem fazendo noutros casos.