Colunistas / Política
Tasso Franco

A NOVELA DE FILIAÇÃO DO PREFEITO DE SALVADOR AO PMDB

Até o final do mês serão editados os capítulos finais
06/06/2007 às 15:34
  Esta havendo um jogo de gato x rato na anunciada filiação do prefeito João Henrique (PDT) ao PMDB.

   A data prevista para este evento, inicialmente, marcada para final de maio, passou para início do mês de junho e, a julgar pelas chuvas que caem na capital, tempo, portanto, bastante caudaloso, com fortes ventos, maré revolta, chegará ao alvorecer da data magna da independência baiana, 2 de Julho, ou por volta das fogueiras juninas aos santos João e Pedro.


   Por coincidência, João se reporta em ancestralidade religiosa a São João Batista. Aquele que batizou Jesus.

   No caso de Salvador, o Jesus é Geddel Vieira Lima, o poderoso ministro da Integração Nacional, posto pelo próprio na TV com o "guardião da Bahia", que está a prestes a abençoar o prefeito, embora, como dito, em maré de junho com cara de março, o governador Wagner tem que ser avisado dos foguetes juninos para não se assustar. 

   Nos bastidores dize-se que João Henrique já estaria filiado, com ficha assinada.

    O deputado Gildásio Penedo (DEM) sustenta uma tese no pregão da Assembléia Legislativa que o PT, o partido e seus deputados, não comungam com as manifestações de Geddel.
 
   Tese, aliás, referendada pelos fatos de que, quando Geddel esteve na AL os petistas sumiram da Casa; e quando Geddel anunciou em solenidade na governadoria que estava destinando mais de R$100 milhões para projetos no Estado, nenhum voz petista se levantou em orgulho e admiração, para aplaudi-lo pelos feitos.


   Daí que, se supõe, também em tese, mas, com indicadores bastante plausíveis de que a filiação do prefeito ao PMDB está certa e já anunciada pelo próprio em coletiva à imprensa, referendada pelo ministro, porém, só acontecerá depois que a maré baixar suas ondas, pois, do Alto de Ondina, onde reside o governador Wagner este vê diariamente o balançar das ondas, com cautela, dando tempo ao tempo, e aguardando uma definição do seu partido sobre a candidatura própria a prefeito da capital, em 2008.


   Ora, se o governador não tem pressa, já disse que ainda é cedo para falar em sucessão, porque Geddel teria toda essa pressa do mundo?


   Obviamente, o ministro tirou o pé do acelerador e vai controlando a viagem e a ansiedade do prefeito João Henrique.

   E, ao mesmo tempo, assumindo posições na administração da Prefeitura e desejando mais espaços, o que é natural, dado o conhecido apetite de Geddel e a fragilidade política do prefeito uma vez que os partidos alinhados com sua candidatura no segundo turno da eleição de 2004 e que fazem parte da base do seu governo, já anunciaram que terão candidatos próprios, em 2008, pelo menos no primeiro turno.


   João estaria ficando só, com uma administração abaixo da crítica às propostas e promessas que fez, tendo, digamos assim, como última tábua de sua salvação para renovar o mandato no próximo ano o PMDB de Geddel.

   O PDT são favas contadas. Este partido contribuiu e muito para a eleição do prefeito, em 2004, e João Henrique o mantém refém de sua estratégia para uma eventual e remota possibilidade de mudança de atitude do PMDB ao seu nome. Não existem sinais nessa direção.


    O que há, ai sim, são os faróis que o PT acenderá na próxima segunda-feira, 11, em reunião de sua Executiva Municipal.

    Firmada a posição de candidatura próprio à prefeito, em 2008, o PT poderá se desligar da administração João Henrique, sem oposição a sua gestão, organizando uma agenda para a cidade, sem perder de vista o bloco partidário que venceu as forças do carlismo em 2004.


    Ou seja, seria um PT para governar Salvador; ou se aproximando da tese de "chegou a vez do PT em Salvador". Embora, como sempre os russos (eleitores) têm que ser avisados.


    A dimensão desse provável afastamento (ou não) é quem vai ditar a presença do PMDB no cenário da eleição de Salvador com João Henrique, e uma maior ou menor atuação deste partido, inclusive no ato de filiação do prefeito.


   Vão, pois; comprar os foguetes juninos com bombas, rojões e traques.

    Na hora de fazer a festa, conforme os fogos que forem queimados, nessa ordem, Salvador vai ficar sabendo se a fogueira do João tem fogo de boa têmpera para seguir rumo à reeleição; ou se está com o carvão molhado.