Dia 9 de outubro
Tasso Franco , Salvador |
29/09/2026 às 17:39
Grupo Botequim
Foto: DIV
O Grupo Botequim comemora 20 anos como um dos principais nomes que contribuíram para fortalecer a cena do samba na Bahia. No próximo dia 9 de outubro (sexta-feira), às 21h, o grupo celebra uma edição histórica da sua roda de samba no Pátio da Igreja de Santo Antônio Além do Carmo, com convidados especiais. A expectativa é de encher a casa e receber os fãs e amigos que acompanham essa jornada desde os seus primeiros passos. São duas décadas fazendo de cada roda uma catarse musical, em encontros marcados pelo samba, pela energia contagiante e pela relação construída de perto com o público, compondo um legado que se tornou parte da memória cultural e afetiva do bairro e de Salvador.
Os motivos para celebrar são muitos, incluindo conquistas que vão da construção de um público fiel ao reconhecimento de nomes da velha guarda do samba da capital baiana. Para Roberto Ribeiro, fundador e cavaquinista, manter a identidade do grupo e, ao mesmo tempo, conquistar novas gerações está entre os principais marcos dessa trajetória. Ele também ressalta as homenagens a importantes mestres, o lançamento do primeiro disco autoral, em 2016, a circulação do trabalho em turnês para além da Bahia e a colaboração para a disseminação das rodas de samba em espaços públicos da cidade.
“Uma das maiores conquistas foi construir um público firme, fiel, que ao longo desses 20 anos foi crescendo e se transformando, chegando à nova geração. A gente não se moldou para mudar nossa identidade, apenas se manteve firme no que queria e o público foi naturalmente se identificando com o nosso trabalho, entendendo a importância dessa memória e preservação que mantemos até hoje. Também ganhamos o respeito da velha guarda do samba de Salvador, o que para a gente sempre foi muito importante. Temos a certeza de que contribuímos para que as rodas de samba tradicionais ocupassem as ruas e aproximassem essa manifestação das pessoas”, destaca Roberto.
*A roda que ganhou a cidade -* Tudo começou em Itapuã, a partir do desejo de reunir amigos para fazer samba. O que nasceu como um projeto de pesquisa e resgate da memória de grandes mestres logo ganhou outras dimensões, até que Pedrão Abib, um dos fundadores e ex-integrante do grupo, teve aprovado o projeto “Cinema, Capoeira e Samba”, no Forte da Capoeira, no Santo Antônio Além do Carmo. A iniciativa previa a exibição de um filme nacional, seguida por uma roda de capoeira e, para encerrar, uma roda de samba. A última parte extrapolou a proposta original, ganhou vida própria e passou a acontecer todo mês em um bar nas proximidades.
Em uma Salvador que ainda não tinha o movimento de rodas de samba como hoje, o Botequim apostou em um formato acústico, com repertório dedicado aos clássicos do gênero e uma proposta de aproximar as pessoas. Divulgada principalmente no boca a boca, a roda cresceu rapidamente e, em cerca de seis meses, já contava com um público numeroso.
A movimentação chamou a atenção da imprensa, que passou a mostrar o encontro no Santo Antônio Além do Carmo, então ainda distante da efervescência que marcaria o bairro anos depois. O que começou nos botecos de Itapuã ganhou proporções que os próprios integrantes não imaginavam e abriu novos caminhos para o grupo e para a cena do samba em Salvador.
*Nomes que escreveram essa história -* Ao longo de 20 anos, artistas, mestres e mestras ajudaram o Grupo Botequim a compor momentos inesquecíveis. Entre eles, estão nomes fundamentais do samba da Bahia, representantes de diferentes gerações do gênero, como Walmir Lima, que se tornou padrinho do grupo, Nelson Rufino, Edil Pacheco, Riachão, Mestre Muniz do Garcia, Gal do Beco, Glória Bomfim, Juliana Ribeiro, Dona Cabocla e Seu Regi de Itapuã, além de convidados de outros estados, como Wilson Moreira e Marina Íris, do Rio de Janeiro.
No entanto, essa história também foi escrita por quem esteve do outro lado da roda. O encontro deu origem a vínculos que ultrapassaram o samba, desde pessoas que se tornaram amigas do grupo até casais que se conheceram na roda e celebraram seus casamentos ao som do Botequim. Há ainda quem tenha se mudado para outros estados ou países e, ao retornar a Salvador, faça questão de voltar, para matar a saudade. Ao mesmo tempo, novas gerações passaram a frequentar o Pátio, em uma transição que mantém viva a relação de carinho construída com o público.
*Os desafios da arte independente -* Como único membro remanescente da primeira formação do Grupo Botequim, Roberto Ribeiro relembra as dificuldades enfrentadas para manter um trabalho artístico independente, em meio à falta de apoio, às mudanças de integrantes e aos desafios para garantir espaços para o samba. “Não foi fácil, mas foi positivo e rico. Aprendi muito, cresci com o samba e o Botequim me trouxe para esse lugar de muita responsabilidade, de não desistir do trabalho, de manter a nossa chama acesa. Quando eu olho para trás e vejo esse legado firme e forte, me dá muito orgulho. O samba é isso, resistência e luta sempre”, afirma.
O grupo é formado por Roberto Ribeiro (cavaquinho e voz), Washington Rodrigues (violão e voz), Tito Fukunaga (flauta e percussão), Bolota (percussão), Lalá Evangelista (percussão) e Brinquedo (surdo). Juntos, eles contribuem para o fortalecimento do Botequim como uma das principais referências do samba na Bahia e reafirmam o seu compromisso com a valorização da cultura popular.
*SERVIÇO*
*Roda de Samba do Grupo Botequim - Especial 20 anos*
*Local:* Pátio da Igreja do Santo Antônio Além do Carmo
*Data:* 09/10 (sexta-feira)
*Horário:* 21h | Abertura da casa às 20h
*Ingressos:* https://www.sympla.com.br/evento/roda-de-samba-do-grupo-botequim-edicao-de-aniversario/3586375