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DICA TURÍSTICA DA SEMANA: Carnaval Salvador se enjaulou em camarotes

Mudanças no Carnaval de Salvador a cada ano exclui mais a população e a galinha dos ovos de ouro engorda
Tasso Franco , da redação em Salvador | 02/02/2013 às 11:34
Carnaval de Salvador se transforma numa festa para a classe média alta
Foto: BJÁ
   Como estamos ingressando na semana do Carnaval, a dica turística da semana segue sobre a festa de Momo na capital baiana, que mudou muito e está a cada ano se tornando uma manifestação para a classe média alta. O povo, que antes curtia atrás do trio elétrico, ainda consegue alguma coisa nos trios patrocinados pelo governo, agora os foliões sendo chamados de "pipocas" (porque pulam igual milho se transformando em pipoca).

   O Carnaval, em parte, se camarotizou de tal forma que a classe média está "enjaulada" em estruturas metálicas, longues, casarões, pérgolas, com a novidade crescente neste 2013, essas estruturas oferecendo shows e boates que nada tem a ver com o Carnaval, mas, fazem parte do gosto da classe média alta. Alguns têm salões de beleza, salões de massagens e todas essas viadagens.

   Claro que, por detrás dessas estruturas estão as grandes empresas, os empresários do ramo de entretenimento, e os chamados "dendês no sangue", personalidades famosas de outros estados que só aparecem em Salvador nesta época do ano, faturam bastante, e fazem juras de amor à cidade. Mas, na quarta feira de cinzas já se mandaram de volta para o Rio e São Paulo.

   Evidente que o Carnaval tem outras atrações e dá pra brincar num bloco mais em conta, sair atrás de um trio patrocinado pela Secult e azarar nalgum canto. Uma boa parte da população, no entanto, fica espremida nos espaços vazios dos circuitos e curtindo os artistas quando passam nos trios elétricos, na Barra e no Campo Grande. Tem ainda o Carnaval alternativo do Pelourinho, na marcha lenta. É legal.

  Estima-se que, no circuito Barra/Ondina desfilam por dia uns 30 blocos, cada um deles com média de 3.000 participantes, o que corresponde a 90.000 pessoas. No Campo Grande a quantidade de blocos é menor, por volta de 25 por dia, com média de 2.000 pessoas, o que corresponde a 50.000 foliões. No Carnaval todo, algo em torno de 200.000 foliões e 300.000 apreciadores compareçam aos circuitos.

   Os órgãos oficiais chutam os números e falam em 2.000.000 de pessoas, o que seria impossível dado o tamanho dos circuitos.  Ondina, que tem 3 km de circuito, se tiver socado de gente só cabem 600.000 pessoas. Mais do que isso só se colocar uma pessoa sobre a cabeça do outro.

  Quem vem para o Carnaval deve se preocupar com a violência apenas em termos, pois, nos circuitos tem bastante policiamento. Claro que não se pode dar bobeira e ir para a folia com voltas e aneis e relógios de ouro. 

   Então, chegou a hora, caia na folia e a até a quarta-feira de cinzas.