Saúde

MULHERES NEGRAS AINDA ENFRENTAM DIFICULDADES PARA TRATAR A PELE EM SSA

A médica destaca que, embora a pele negra possua maior quantidade de melanina — o que garante proteção natural contra o envelhecimento precoce — ela também apresenta características próprias que exigem atenção específica.
DR , Salvador | 18/03/2026 às 18:27
Médica Daniela Hermes
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    Mesmo sendo um dos estados mais negros-mestiços do Brasil, a Bahia ainda enfrenta uma contradição quando o assunto é o cuidado com a pele negra: a escassez de profissionais especializados nesta área. A discussão ganha força neste 21 de março, Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, data que convida à reflexão sobre desigualdades estruturais que ainda impactam o acesso à saúde.

Segundo dados do IBGE, cerca de 79,7% da população da Bahia se declara preta ou parda, o que faz do estado um dos territórios com maior presença da população negra no país. Ainda assim, mulheres negras relatam dificuldade para encontrar profissionais capacitados para lidar com as especificidades dermatológicas e estéticas desse tipo de pele.

A médica soteropolitana Danìelà Hermes, que atua há mais de 20 anos na área de estética e saúde da pele, afirma que o problema começa ainda na formação de base. “Grande parte dos estudos dermatológicos, historicamente, foi baseada em peles claras. Isso faz com que muitas doenças ou reações na pele negra sejam menos reconhecidas ou tratadas de forma inadequada”, explica.

A médica destaca que, embora a pele negra possua maior quantidade de melanina — o que garante proteção natural contra o envelhecimento precoce — ela também apresenta características próprias que exigem atenção específica.

Segundo ela, entre os problemas mais recorrentes estão hiperpigmentação pós-inflamatória, melasma, acne com manchas persistentes, foliculite e queda capilar. Inclusive, ela ressalta que, em muitos casos, tratamentos inadequados ou procedimentos estéticos realizados sem conhecimento técnico podem agravar o quadro. “Uma acne maltratada, um peeling inadequado ou um laser mal indicado podem provocar manchas difíceis de reverter”, alerta a médica.

Cuidados essenciais com a pele negra

Para evitar complicações, Danìelà Hermes destaca alguns cuidados fundamentais:
* Protetor solar diariamente – mesmo em peles mais escuras, a radiação solar pode provocar manchas.
* Tratamento precoce da acne – inflamações tendem a deixar marcas mais visíveis.
* Hidratação constante da pele – ajuda a preservar a barreira cutânea.
* Evitar procedimentos sem avaliação especializada – principalmente peelings profundos e lasers inadequados.
* Cuidado com métodos de depilação agressivos, que podem provocar foliculite e manchas.

Procedimentos que podem ser indicados
Quando realizados por profissionais especializados, alguns tratamentos podem trazer bons resultados para peles negras, como:
• lasers desenvolvidos para fototipos altos
• peelings superficiais controlados
• protocolos para controle de manchas
• bioestimuladores de colágeno
• tratamentos para acne e oleosidade
• terapias capilares.

Clínica aposta em atendimento inclusivo
Diante dessa lacuna no mercado, a médica Danìelà Hermes implantou em Salvador a CLIDANY, um espaço voltado para a saúde da pele com abordagem integral. “A proposta vai além da realização de procedimentos estéticos: o ambiente foi pensado para oferecer atendimento humanizado, especializado e inclusivo, considerando as necessidades específicas de cada tipo de pele”, afirma.

Embora esteja entre as poucas profissionais na capital baiana dedicadas ao estudo aprofundado da pele negra, ela também reúne experiência em tratamentos voltados à pele branca. Para a especialista, ampliar o conhecimento sobre diferentes fototipos é um passo importante para reduzir desigualdades. “Falar sobre pele negra também é falar sobre inclusão dentro da saúde. Cada pele tem suas particularidades e precisa ser cuidada com conhecimento, respeito e atenção”, afirma.