Salvador

QUE FUZUÊ! MAIS CRIATIVO DO QUE O EMPACOTADO FURDUNÇO; VALEU MOMO

O fuzuê teve a participação de muitas crianças; taí, a PMS poderia incrementar esse lado, em 2027
Tasso Franco , da redação em Salvador | 08/02/2026 às 21:56
Grupo de bebês com fraldas
Foto: BJÁ
  O Fuzuê tem mais autenticidade carnavalesca do que o empacotado Furdunço. Fanfarras e grupos culturais tomaram conta do circuito Orlando Tapajós (Ondina a Barra) em cortejo de alegria e alguma criatividadetradição. A programação teve início com a Bike Salvador Fantasia, que levou ciclistas caracterizados. Em seguida, a Banda da Guarda Civil Municipal (GCM) deu o tom da festa, embalando o público e dando início à sequência de apresentações culturais.

Vestido de pirata, o aposentado João Batista, de 72 anos, afirmou que a mudança do sábado para o domingo trouxe vantagens, sobretudo para quem vai em família, como é o caso dele. “Antes, no sábado, muita gente estava trabalhando, ou resolvendo alguma coisa de casa. Agora no domingo, fica mais tranquilo, dá tempo de almoçar, chamar os filhos, os netos, e vir sem correria. Ficou melhor para quem curte algo mais tradicional”, explicou.

Ao lado da neta, fantasiada de sereia, ele fazia questão de registrar o momento no celular. “Ela já estava me cobrando desde a semana passada. Disse que queria ver as fanfarras. Esse tipo de festa cria memórias para as crianças”, completou. 

- Entre as atrações, estava o Afoxé Baianas do Reino de Oyá. O grupo é formado, em sua maioria, por baianas de acarajé . A presidente da Associação de Baianas de Acarajé (Abam), Rita Santos, comentou que o cortejo é uma forma de valorizar a presença das baianas. Este ano, o afoxé trouxe uma novidade: a participação do grupo infantil Africanidade, formado por dez crianças. 

Ao todo, cerca de 30 baianas participaram do desfile, representando diversos bairros de Salvador, como Brotas e o Engenho Velho. “A gente vem para lembrar à população que as baianas estão aí, que são patrimônio. E não só as baianas de acarajé, o afoxé também é patrimônio. É uma forma de mostrar isso nas ruas, com alegria e tradição. É uma oportunidade de reunir as baianas, mostrar nossa força e nossa história. A gente vem para festejar e para lembrar o valor da nossa cultura”, disse.

Já o grupo Maravilhosas é formado por mulheres que transformaram a amizade em tradição carnavalesca. O coletivo, que hoje reúne quase 30 integrantes, começou de forma despretensiosa, entre cunhadas e amigas que decidiram sair juntas no pré-Carnaval. Maria Salles, uma das fundadoras do grupo, contou que a ideia surgiu ainda nos primeiros anos do Fuzuê. 

Com 62 anos de história, o tradicional bloco Paroano Sai Milhó marcou presença no circuito do pré-Carnaval. Fundado no bairro da Saúde, o grupo é conhecido por seu formato exclusivamente vocal e pela presença nos carnavais de Salvador desde a década de 1960.

Com cerca de 20 integrantes, o bloco participou do Fuzuê neste domingo entoando arranjos, sem instrumentos elétricos ou amplificados. Integrante do grupo, Lindbergh Macedo afirmou que o Paroano participa do Fuzuê desde a criação do evento. Segundo ele, o bloco esteve entre os primeiros a aderir ao desfile. 

 O melhor do Fuzuê em termos de animação carnavalesca foi o Mudei de Nome com o vocalista Ricardo Chaves e seu parceito Magary.