Paris vai se transformar numa capital do islamismo diante politica frouxa de Emmanuel Macron
Tasso Franco , da redação em Salvador |
20/10/2026 às 17:54
Donald Trump na aquarela de Seramov
Foto: SERAMOV
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou recentemente que a capital da França, Paris, "será, muito em breve, uma cidade muçulmana". Além disso, em publicações em sua rede social, a Truth Social, ele afirmou que a onda de protestos que atinge o país europeu faz parte de uma estratégia do "Islã querendo dominar um país que já foi grandioso".
De acordo com reportagens de veículos como a SIC Notícias e o UOL, Donald Trump fez duras críticas à política migratória europeia ao comentar os recentes distúrbios e confrontos violentos ocorridos na França.
• Críticas à Imigração: Trump argumentou que os distúrbios franceses estão diretamente ligados à "migração em massa descontrolada" e pediu que a Europa feche suas fronteiras imediatamente. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, ecoou críticas semelhantes em discursos recentes.
• Aviso a Macron: O líder norte-americano declarou à imprensa na Casa Branca que alertou o presidente francês, Emmanuel Macron, no passado, afirmando que permitir a entrada de um grande fluxo de imigrantes era um "grande erro".
O Motivo Real dos Protestos na França
Apesar de Trump atribuir a crise ao Islã e à imigração, correspondentes internacionais e dados locais apontam que a motivação central das manifestações não tem caráter religioso ou migratório.
A França enfrenta uma forte onda de protestos que começou originalmente com estudantes e professores se mobilizando contra a precarização do sistema educacional, queixando-se da falta de funcionários, professores e infraestrutura inadequada nas escolas. Posteriormente, os atos ganharam adesão de sindicatos e outros grupos devido à inflação e ao aumento do custo de vida no país.
TRUMP NOS EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, citou os protestos violentos na França para dizer que os EUA "queimarão" como o país europeu caso os democratas saiam vencedores das eleições de meio de mandato —que estão marcadas para ocorrer em 3 de novembro.
A fala ocorreu durante um comício no Kansas na noite de segunda-feira (20) em apoio ao atual senador republicano Roger Marshall, que busca reeleição pelo estado. A cadeira de Marshall, há muito ocupada por republicanos no estado, corre o risco de cair nas mãos de seus adversários políticos.
“Quando vocês virem campanários [torres com sinos] em chamas e incêndios violentos na França, lembrem-se de que é isso que os democratas radicais querem fazer com os EUA. Eles pretendem fazer isso. Não vão nem chegar perto”, afirmou Trump.
Ele não apresentou nenhuma evidência para sustentar sua acusação, mas disse também que isso não ocorrerá caso os republicanos vençam nas eleições. Trump relacionou os protestos na França, que têm pautas educacionais e de custo de vida, com a imigração na Europa e afirmou que o continente "foi fraco" no controle de suas fronteiras e, por isso, "fracassou".
“O que está acontecendo na França é o que eles (os democratas) querem que aconteça em nosso país. Isso nunca vai acontecer aqui. A Europa fechou suas fronteiras, mas fracassou porque foi fraca, permitiu que suas fronteiras fossem reabertas imediatamente. Nós fechamos nossas fronteiras, que são as mais fortes da história do nosso país", completou.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante comício em Park City, no Kansas, nos Estados Unidos.
Nas últimas semanas, Trump tem viajado pelos estados dos EUA para apoiar os candidatos de seu partido que disputarão as midterms, em que seu governo busca manter o controle do Congresso dos EUA. O prognóstico, no entanto, é de que os democratas obtenham maioria em pelo menos uma das casas legislativas devido à baixa histórica de popularidade de Trump por conta do aumento no custo de vida.
Nos últimos dias, a França tem vivenciado alguns dos piores distúrbios dos últimos anos, à medida que enormes protestos contra o custo de vida e os serviços públicos subfinanciados degeneraram em tumultos e saques.
Defensores dos direitos humanos têm criticado repetidamente Trump por sua retórica ao longo dos anos, na qual ele tem atacado e ridicularizado imigrantes e grupos étnicos minoritários, frequentemente com retórica antimuçulmana e xenofóbica. Grupos de direitos civis afirmam que tal retórica normaliza atitudes discriminatórias em relação a essas comunidades.
O Kansas, um Estado conservador do Meio-Oeste onde Trump venceu por 16 pontos em 2024, não elege um democrata para o Senado dos EUA há 94 anos. O senador Marshall, em seu primeiro mandato, está em uma disputa acirrada com o candidato democrata Adam Hamilton, pastor de uma igreja metodista, que se contrapõe à agenda tarifária de Trump e o que ele chama de “liderança errática” do presidente.