Política

CRISE MIGRATÓRIA DE CEUTA: GOVERNO TRABALHA PARA ACOLHER 500 MENINAS

Só de crianças desacompanhadas das familias são mais de 2.400 segundo reavaliação do governo
Tasso Franco , Bilbado | 19/08/2026 às 14:49
Bruxelas defende que os marroquinos sejam expulsos da Espanha
Foto: EL FARO
   (EL País) O governo está trabalhando na transferência de pelo menos 500 meninas migrantes de Ceuta para o território continental da Espanha. Especificamente, o Ministério da Juventude e Infância está elaborando uma estratégia para acolher centenas de menores desacompanhados que se encontram na cidade autônoma desde a chegada em massa ocorrida nos dias 30 e 31 de julho; essa iniciativa faz parte de um plano de emergência abrangente, coordenado entre diferentes níveis de governo, conforme noticiado pela Cadena SER na quarta-feira. Fontes da pasta liderada por Sira Rego afirmam que "esse plano inclui o cumprimento do decreto-lei real que determina o acolhimento solidário e obrigatório por parte de todas as comunidades autônomas e o recurso ao acolhimento familiar, mas também outras modalidades para agilizar o processo de acolhimento".
  
   (El Faro) Elma Saiz, Ministra da Inclusão, Seguridade Social e Migração e Porta-voz do Governo, afirmou que a Espanha deve cumprir "todas as regulamentações da UE" e todas as normas relativas ao Pacto Europeu sobre Migração e Asilo, e não apenas as disposições da Lei de Estrangeiros.

Saiz fez essas declarações na quarta-feira, durante uma entrevista ao programa *Las Mañanas*, da RNE, após a declaração da Comissão Europeia na terça-feira defendendo o retorno ao Marrocos de todos os migrantes em situação irregular em Ceuta — incluindo menores estrangeiros desacompanhados que entraram na cidade autônoma.

"Reitero que devemos cumprir não apenas as regulamentações da Lei de Estrangeiros, mas também todas as normas relativas ao Pacto Europeu sobre Migração e Asilo e todas as regulamentações da UE", afirmou a ministra.

A posição de Bruxelas também abrange os menores estrangeiros desacompanhados, uma vez que sustenta que a legislação da União Europeia prevê igualmente o retorno deles.

Espanha mantém diálogo com Bruxelas e Marrocos

Nesse contexto, Saiz declarou que o governo espanhol está "em contato" com a Comissão Europeia, que tem defendido o reagrupamento familiar dos menores.

A ministra também afirmou manter um "diálogo constante" com o Marrocos sobre essa questão e defendeu a relação entre os dois países.

"O Marrocos é um parceiro confiável; as relações são boas e há um diálogo constante sobre esse assunto", disse Saiz, que considerou importante não focar o debate apenas na realização ou não de repatriações, mas sim na maneira como elas são conduzidas.

"Reitero que o que importa não é tanto o debate sobre realizar ou não repatriações, mas sim como as coisas são feitas", acrescentou.

Saiz ressaltou a existência de um marco legislativo que rege essa questão e garantiu que a Espanha não desrespeitará o direito internacional.

"Estamos falando de um marco legislativo claro. A Espanha não desrespeitará o direito internacional, e esse é, certamente, o trabalho que estamos realizando", observou.

O Governo defende o melhor interesse do menor

A ministra reiterou ainda que os princípios do ordenamento jurídico espanhol devem salvaguardar "o melhor interesse do menor".

"Temos uma Lei de Imigração, temos um novo quadro europeu — o Pacto Europeu sobre Migração e Asilo (PEMA) — e é precisamente isso que estou dizendo, de forma inequívoca", afirmou ela.

Saiz afirmou que a Espanha continuará a cumprir a legislação que rege essa matéria, como tem feito, e quis deixar claro que a posição do Executivo "não é uma questão de falta de firmeza", mas sim de respeito e cumprimento da lei.

"Não se trata de falta de firmeza, mas claramente de respeito e cumprimento da lei. Existem princípios norteadores em nosso ordenamento jurídico, como o melhor interesse do menor. A resposta deve estar fundamentada na legalidade", concluiu.

PP EM CENA

Alberto Núñez Feijóo, líder nacional do Partido Popular, anunciou em Ceuta que levará o caso à Suprema Corte após a recusa de vários ministros em comparecer ao Senado — fórum para o qual haviam sido convocados a fim de explicar as circunstâncias da "invasão" que a cidade sofreu.

Feijóo — que expressou surpresa, durante esta segunda visita a Ceuta em duas semanas, ao encontrar mais migrantes marroquinos do que moradores locais nas ruas — elogiou a postura da população de Ceuta diante dos acontecimentos atuais.

"Ceuta é uma cidade que mantém a calma, apesar de ter todos os motivos para perdê-la", enfatizou. Feijóo destacou o trabalho realizado pelo presidente da cidade, Juan Vivas, observando que o governo local está assumindo responsabilidades que caberiam a outros; ainda assim, Vivas "defende Ceuta sem dar desculpas e sem transformar uma tragédia em palco de disputa política".

"Compreendo o sentimento de desânimo — embora não seja de rendição. Ceuta é uma cidade diversa, onde as pessoas têm opiniões diferentes, mas agem em unidade."

Feijóo — que comentou com ironia o fato de outros líderes políticos permanecerem de férias ou recomendarem músicas e leituras de verão — ressaltou que visitava Ceuta novamente "por senso de responsabilidade, para cumprir meu dever" em uma cidade onde "a Espanha perdeu o controle de sua fronteira".

"A população de Ceuta continua sofrendo com o descaso do governo nacional. Uma cidade espanhola foi invadida em pleno ano de 2026, mas os principais responsáveis ​​tratam o fato como um mero incidente de verão, minimizando a situação com videochamadas ou recomendações de livros e músicas."
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