“Eu leio o passado para trabalhar no presente e para não errar no futuro”, afirmou Lula. (Com Ascom PT)
Da Redação , Salvador |
02/08/2026 às 16:39
Lula e Alckmin chapa oficializada
Foto: Ricardo Stubcker
A chapa formada por Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin foi oficializada neste domingo, 2, durante a Convenção Nacional do PT, em São Paulo, com o apoio de sete partidos. Em seu discurso, Lula recorreu à própria trajetória e às transformações sociais promovidas pelos governos petistas, em especial neste seu terceiro mandato, para projetar um novo ciclo de desenvolvimento mais ousado e transformador, com inclusão social e defesa da soberania brasileira.
“Eu leio o passado para trabalhar no presente e para não errar no futuro”, afirmou Lula.
Ao contrastar seu legado com o período de destruição promovido pelo bolsonarismo e a extrema direita, Lula afirmou que a campanha será sustentada pelas realizações dos governos petistas e pela capacidade já demonstrada de melhorar a vida da população.
“Quem fez pode prometer mais, quem não fez não tem o que prometer. Essa é a lógica da nossa campanha”, disse.
O presidente apresentou as realizações de seu governo como a principal credencial para os compromissos assumidos. Em vez de promessas desconectadas da realidade, disse, a candidatura Lula-Alckmin mostrará o êxito de programas criados, políticas reconstruídas e investimentos históricos que já estão mudando a vida da população.
Citou como exemplo o Prouni, o Reuni, o Fies, o Pé-de-Meia e o Minha Casa, Minha Vida. Também falou sobre a retomada da demarcação de terras indígenas e da regularização de territórios quilombolas.
“A minha quarta Presidência é para mudar muita coisa nesse país”, destacou.
Entre as transformações necessárias para o país, Lula citou como exemplo o debate do Orçamento da União. O presidente mencionou o crescimento das emendas parlamentares e a transferência de atribuições do Executivo para o Legislativo. Segundo ele, o tema exigirá uma discussão democrática e uma bancada comprometida com a recuperação da capacidade do Estado de planejar e executar políticas nacionais.
“Vai ter que ter briga democrática para a gente dar uma mudança nesse país”, declarou.
Mais ousadia para investir
Em um novo governo, Lula disse que é preciso colocar o Brasil em um novo patamar de desenvolvimento. Com a população novamente protegida por programas sociais, chegou o momento, segundo ele, de ampliar os investimentos em educação, ciência, tecnologia, indústria e infraestrutura.
“Agora que nós estamos com a base garantida, é hora de dar um salto de qualidade. É hora de pensar nesse país e qual é o país do futuro que nós vamos entregar”, declarou.
Lula disse que não pretende ficar identificado apenas como o presidente responsável pelo Bolsa Família. Embora tenha reafirmado a importância do programa no combate à fome e à pobreza, ele defendeu que o próximo governo seja marcado por mudanças estruturais.
“Eu não quero ser mais o presidente só do Bolsa Família. É preciso mais. A gente vai ter que mudar de comportamento e ser mais ousado”, afirmou.
O presidente mencionou a aprovação da reforma tributária, após cerca de quatro décadas de tentativas, e a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil. Ao agradecer ao ex-ministro da Fazenda e candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, Lula ressaltou sua capacidade de negociação com o Congresso Nacional.
5 compromissos para um novo governo
Ao longo do discurso, Lula apresentou cinco grandes compromissos para um eventual quarto mandato: garantir a soberania sobre os recursos estratégicos, enfrentar a violência contra as mulheres, transformar a educação, criar uma política nacional para os idosos e fortalecer a defesa do país.
O primeiro compromisso envolve o domínio brasileiro sobre terras raras, minerais críticos e novas tecnologias. Lula defendeu que o país deixe de ser apenas fornecedor de matéria-prima e desenvolva conhecimento para explorar, transformar e utilizar suas próprias riquezas.
“Nem chinês, americano ou francês vão meter o dedo na nossa terra rara. Já que a inteligência artificial existe, ela pode ser útil e vamos investir muito nisso“, afirmou.
Ao anunciar os compromissos de um quarto mandato, Lula colocou a educação entre as principais prioridades.
“Eu sou candidato pela quarta vez para resolver definitivamente o papel da educação nesse país”, afirmou.
Proteção às mulheres
O enfrentamento à violência contra as mulheres apareceu como outro compromisso central. Lula afirmou que o combate ao feminicídio não pode ser tratado como uma responsabilidade apenas das vítimas ou dos movimentos feministas.
Lula defendeu relações baseadas em respeito, companheirismo e igualdade. “Não existe contrato que permita ser dono”, disse, ao criticar homens que tratam namoradas e esposas como propriedade.
O presidente lembrou a criação do Pacto Nacional contra o Feminicídio e as medidas recentes adotadas pelo governo. Entre elas estão o pagamento de pensões alimentícias por meio do Pix e o uso de tornozeleiras eletrônicas com mecanismos capazes de alertar mulheres protegidas por medidas judiciais.
“Se bater na mulher, não precisa votar em mim”, afirmou.
Desculpas pelo o que não fez
Lula afirmou que o quarto mandato não pode apenas repetir o que já foi realizado. Com o combate à fome, a recuperação de direitos e a reconstrução dos ministérios e programas desmontados pelo governo anterior, o país precisa avançar sobre aquilo que ainda não foi resolvido.
“Eu quero o Lulinha que vai fazer o que a gente ainda não fez, porque o básico nós já cuidamos”, apontou.
O presidente reconheceu que nem todas as promessas e expectativas construídas ao longo de sua trajetória puderam ser atendidas. Governar, explicou, significa escolher caminhos, lidar com limitações e tomar decisões que nem sempre agradam a todos.
“Eu peço desculpa pelos erros que eu cometi, peço desculpa pelas coisas que eu não fiz”, declarou.
Na sequência, Lula afirmou que os resultados do governo oferecem à militância instrumentos inéditos para o debate político. A campanha, disse, deverá ser feita com argumentos, diálogo e comparação entre os projetos de país.
“Quando a gente governa, a gente não faz tudo o que quer. É importante saber que governar é decidir”, afirmou.