Senador foi alvo de busca da PF em apuração sobre Banco Master e nega posse de imóvel citado
Tasso Franco , da redação em Salvador |
19/06/2026 às 14:37
Senador Jaques Wagner
Foto: Geraldo Majela Ag Senadro
O senador Jaques Wagner (PT-BA) comprou um imóvel de R$ 9 milhões em Salvador, no mesmo edifício onde já residia desde 2011, em meio a uma nova fase da Operação Compliance Zero, que apura o caso Banco Master. A Polícia Federal (PF) cumpriu busca e apreensão contra o parlamentar nesta quinta-feira (18), mas a ação cita outro apartamento, no empreendimento Poème Horto, e repasses a empresas de parentes do senador. As informações foram publicadas nesta quinta-feira (18) pela coluna de Mariana Barbosa, no Portal Uol.
O novo imóvel fica no Mansão Victory Tower, condomínio de luxo localizado no Corredor da Vitória, uma das áreas mais valorizadas de Salvador. A compra teria sido confirmada por funcionários do prédio. Em sites de compra e venda, unidades no mesmo edifício aparecem anunciadas por R$ 9 milhões.
O imóvel onde Wagner vive atualmente fica no 14º andar, logo acima do apartamento 1302, que era apontado como sua principal residência em Salvador. Essa unidade foi adquirida em 2011 por R$ 1,45 milhão, segundo a matrícula do imóvel, e segue registrada como propriedade do senador. Já o apartamento 1402, conforme a reportagem, pertenceu anteriormente ao publicitário Washington Olivetto, morto em 2024. O nome de Wagner ainda não aparece na matrícula dessa unidade.
Investigação cita outro apartamento em Salvador
A busca e apreensão realizada nesta quinta-feira (18), no entanto, não menciona o imóvel do Victory Tower. A investigação da PF trata de outro apartamento, avaliado em R$ 2,450 milhões, que o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, teria repassado a Wagner. A unidade citada é o apartamento 1702 do empreendimento Poème Horto, em Salvador, da construtora Moura Dubeux.
Em nota, a assessoria de imprensa de Wagner afirmou que o imóvel do Poème Horto “jamais integrou o patrimônio do parlamentar”. A declaração foi divulgada no contexto da ação policial e nega que o apartamento mencionado pelos investigadores tenha pertencido ao senador.
Além do imóvel no Poème Horto, a PF identificou pagamentos e repasses de R$ 12 milhões à BN Financeira, empresa da nora de Jaques Wagner, e a outras empresas ligadas a parentes do parlamentar. A apuração também mira a possibilidade de o senador ter atuado, no exercício do cargo, para beneficiar o Banco Master em temas regulatórios.
Entre os pontos sob investigação estão questões relacionadas à regulamentação do crédito consignado, ao limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e à análise da compra do BRB pelo Banco Master, operação que acabou barrada pelo Banco Central.
Mensagens de celular estão na mira da PF
Segundo a PF, com base em mensagens de celular, Wagner teria enviado a Augusto Lima dados do imóvel no Poème Horto e o contato de um corretor. Na sequência, Lima teria acionado Valério Marega, dono da gestora WNT, também alvo de buscas nesta quinta-feira, para viabilizar a compra da unidade.
Ainda conforme a investigação, a compra teria sido concretizada pelo advogado Daniel Monteiro, que trabalhava para o Banco Master e já foi preso em outra fase da Operação Compliance Zero. Marega, por sua vez, teria apresentado Augusto Lima a Daniel Vorcaro quando Lima buscava recursos para financiar a operação de consignado do Credcesta, em 2018.
O prédio onde Wagner vive atualmente, o Mansão Victory Tower, tem apartamentos de 278 metros quadrados, duas unidades por andar, quatro suítes, três vagas de garagem e vista para a Baía de Todos os Santos. O condomínio conta com piscinas, spa, cinema e um teleférico privado com acesso a um píer exclusivo.
O edifício fica ao lado do Mansão Leonor Calmon, onde moram Augusto Lima e ACM Neto (Antonio Carlos Magalhães Neto), ex-prefeito de Salvador. A proximidade entre os endereços aparece no contexto da investigação sobre as relações entre Wagner, Lima e o Banco Master.
Operação Compliance Zero apura fraudes financeiras
A nova fase da Operação Compliance Zero está relacionada às investigações sobre fraudes financeiras envolvendo o banco de Daniel Vorcaro. A PF também fez buscas na residência de Wagner em Brasília, onde encontrou US$ 49 mil em espécie, o equivalente a cerca de R$ 250 mil.
Sobre os valores apreendidos, a assessoria do senador afirmou que o dinheiro é “fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais”. A defesa também informou que Wagner permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
A apuração sobre o caso Banco Master inclui conexões entre Wagner e Augusto Lima, empresário baiano que foi sócio de Daniel Vorcaro desde o início do banco. Em 2024, Lima deixou formalmente a sociedade com o Master, mas, segundo a reportagem, permaneceu vinculado ao grupo até o Banco Central aprovar a separação do banco Voiter e a mudança de nome para Pleno.
Antes de se associar a Vorcaro, Lima dirigia entidades de servidores que atuavam no setor de crédito consignado na Bahia, a Asteba e a Asseba. As duas associações foram citadas na primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes na venda de carteira de consignado do Master para o BRB.
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