Política

O FATOR LULA NAS ELEIÇÕES DA BAHIA 2026 ACM NETO X JERÔNIMO por TF

Principal cabo eleitoral de Jerônimo, Lula desequilibra e ajuda petista e é o principal entrave a provável eleição de ACM Neto
Tasso Franco , Salvador | 18/05/2026 às 11:45
Lula da Silva, presidente
Foto: Ricardo Stubcker
  Em janeiro de 2023, ACM Neto deu uma declaração à imprensa afirmando que não perdeu a eleição para Jerônimo Rodrigues, o governador eleito em 2022 e empossado, e sim para Lula. Diria que sua declaração tem sentido, mas não integral ou 100% o fator Lula, algo, talvez, em 70% -  votação que o presidente eleito obteve na Bahia contra Jair Bolsonaro – pois existiram outros atores que apoiaram Jerônimo, em especial, o govenador Rui Costa, bem avaliado e que permaneceu no mandato até o fim sustentando seu candidato de colete.

  E, acrescento um pouco mais, Rui era o comandante do processo, mas havia um projeto em andamento (o petismo na Bahia) alicerçado inicialmente por Jaques Wagner, o qual até tentou retornar ao governo, em 2022, porém, Rui vetou; Otto Alencar, eleito senador com 58,13% dos votos (acima dos 52.79% que Jerônimo obteve), que também chegou a ser cotado para ser candidato a governador e o Projeto PT boicotou, o senador Ângelo Coronel, e apoio dos partidos muletas PSD, PCdoB, PSB, MDB, dissidentes do PP, PV e outros menores.

  Mas, de fato, o que pesou mesmo contra ACM Neto foi o fator Lula porque a campanha baiana (e em outros estados idem) se federalizou, se tornou plebiscitária, e o candidato do UB não tinha candidato a presidente. Ele ainda tentou se agregar a Ciro Gomes, não deu certo; João Roma era o candidato de Bolsonaro; Jerônimo estava colado com Lula e ele ficou sozinho e sem poder falar mal de Lula uma vez que obteve 19.33% de votos agregados com o petista na dobradinha Lula-Neto.

  Ainda assim, houve um fenômeno interessante do 1º para 2º que deve ser observado a luz do que vamos comentar sobre 2026 uma vez que Jerônimo Rodrigues obteve no 1º turno 49.45% dos votos (quase ganhando a eleição no 1º turno); ACM Neto obteve 40.80%; o bolsonarista João Roma 9%; e Kleber Rosa (PSOL) 0.59%. No segundo turno, mesmo com Jerônimo colado a Lula, o qual também foi para o 2º turno contra Bolsonaro, ele obteve 52.79% dos votos (eleitos) e ACM Neto 47.21%. Ou seja, ele cresceu 6.31% dos 9% dos eleitores de Roma; e Jerônimo só cresceu 3.32% dos votos. Ora, mesmo, que todo o eleitorado do PSOL tenha migrado para Jerônimo (0.59%), ele obteve 2.73% dos votos dos bolsonaristas.

   Trata-se de uma questão numérica, matemática, irrefutável. Ou seja, nem ACM Neto conseguiu ficar com os 9% do eleitorado de Roma/Bolsonaro o que daria a ele 49.80% dos votos no 2º turno (ainda assim não seria eleito) e se isso tivesse acontecido, Jerônimo teria sido eleito, porém, com 50.20% dos votos. São detalhes relevantes e todos devem ser vistos na perspectiva 2026.

                                                                     ****
   Pronto: chegamos a 2026. Os atores são os mesmos no processo eleitoral em andamento ainda na fase de pré-campanha com algumas alterações significativas, por enquanto, todas elas, beneficiárias para o pré-candidato ACM Neto. 

  Vejamos: Jerônimo mantém Geraldo Jr (MDB) como candidato a vice. A permanência de Geraldo gerou oscilações e trouxeram alguns desgastes, o mais grave deles uma rusga entre Rui Costa, chamado de “elefante em sala de cristais” e Geraldo Jr. Acalmado o ambiente, a chapa do petismo é a mesma.

   Para o Senado com a decisão do petismo de emplacar uma chapa puro sangue Wagner e Rui (emplacou) houve a dissidência e saíde do senador Ângelo Coronel (PSD) e dos dois filhos deputados, migrando para o Republicanos.

   Do lado de ACM Neto mudou o candidato a vice confirmando-se o nome do ex-prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), no lugar de Ana Coelho (Republicanos). Sem dúvida, um avanço uma vez que Cocá é politico bem avaliado na região de Jequié, trouxe consigo o deputado Hassan, que integrava a base governista) e tem um perfil mais agregador do que o da empresária Ana Coelho.

   Para o Senado, a situação também melhorou, pois são pré-candidatos Ângelo Coronel, que era da base governista; e João Roma, bolsonarista raiz, só lembrando, que obteve 9% dos votos para governador, em 2022, e, na época, era adversário de ACM (e sem querer, diz-se que, querendo) ajudou a eleger Jerônimo. Nos bastidores, vários informes da imprensa baiana, na época, apontavam conversas dele com Wagner.
   Muita gente estranha que, hoje, estamos falando de 18 de maio de 2026, ACM Neto pontue à frente de Jerônimo nas pesquisas e esquece que Roma e Neto, na atualidade, estão colados e o bolsonarismo ainda tem muitos votos e eles foram desta vez para o candidato do UB.

   Outros fatores que determinam a força atual de ACM Neto (a eleição ainda não está decidida) se situam diante das mudanças dos papéis dos atores petistas na contenda, Jerônimo não sendo apenas o candidato virgem, estilingue de 2022, pois, sendo governador há 3 anos e 5 meses se tornou também vidraça. Ou seja, passou a ser vulnerável à críticas e isso abalou a sua credibilidade como governador sobretudo nas áreas da segurança, educação e desenvolvimento econômico.

   Segundo ACM Neto, a Bahia não tem projeto de desenvolvimento econômico, está paralisada no tempo e no espaço, perde protagonismos para outros estados até do Nordeste (Pernambuco e Ceará), as facções criminosas tomaram conta do estado do ponto de vista da insegurança aos cidadãos e o ensino público é de baixa qualidade. Além disso, Neto tem dito e focado que Jerônimo é um prometedor ou pagador de promessas de cruz caída, anda muito pelo interior do estado, promove dancinhas, mas não entrega obras que prometeu.

   Os outros atores no apoio a Jerônimo no plano estadual, no momento, estão sem canetas embora sejam fortes politicamente. Rui Costa não é mais o governador (como em 2022) nem está na titularidade como ministro de estado; e Jaques Wagner é senador, líder do governo, num Senado, hoje, onde Lula não tem maioria e perdeu a indicação do seu candidato ao STF, Jorge Messias, recentemente. Portanto, são cenários diferenciados de 2022.

   Chegamos então a Lula. Eis, o ponto mais vulnerável de ACM Neto. Lula é Jerônimo e vice-versa. Isso está claro e meridiano aos olhos do eleitorado. E Neto, pelo menos até agora, vem dizendo que seu candidato a presidente é Ronaldo Caiado (UB), que não vai a lugar algum; e a sua chapa ao Senado – Coronel e Roma – é Flávio Bolsonaro, candidato do PL, que na última pesquisa DataFolha (de sábado, 16 de maio) deu empate cravado no segundo turno Lula 45x45 Flávio.

   Como ACM neto vai ser desse muro não saberia dizer, mas é provável que, ao contrário de 2022, onde nunca disse ser Jair Bolsonaro, nesse 2026, pelas circunstâncias e por Lula não está tão forte no Nordeste (e na Bahia) como já esteve (a Quaest deu a ele 55% de aprovação no NE) ele adote a lógica petista puro sangue e forme a puro sangue Flávio-Neto-Coronel-Roma. Este parece ser o caminho.

   Ficar no muro para enfrentar a puro sangue consolidada Lula-Jerônimo-Wagner-Rui é um risco enorme levando-se em conta, ainda, que o governo está bem estruturado nos grotões com n-bolsas e apoio dos prefeitos e só lembrando para quem não acompanha a politica de perto, nesses grotões Lula teve entre 80% e 90% dos votos, e venceu nos 425 municípios da Bahia, grotões, médios e grandes; e Jerônimo em 364. E esse cenário não se modificou.

   Além disso, os governos Jerônimo-Lula têm coisas a mostrar como VLT, hospitais, escolas em tempo integral, projetos de mobilidade urbana e, claro, vão mostrar ne TV e na internet no momento da campanha propriamente dita com o refração “O time de Lula tem que continuar”. (TF)