A empresa privada recebeu, entre 2017 e 2024, mais de R$ 29 milhões em aditivos contratuais sucessivos que envolviam a locação de veículos para o município e fornecimento de carros-pipas
Tasso Franco , da redação em Salvador |
01/04/2026 às 10:04
Investigação da CGU e PF - informações da CGU
Foto: CGU
A Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal (PF) realizam, na manhã desta quarta-feira (1º/04), a Operação Tambuatá, que tem como objetivo interromper a ação de um grupo suspeito de desviar recursos públicos da prefeitura de Serrinha (BA). As suspeitas de irregularidades envolvem a utilização de recursos de precatórios do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef).
A análise de um processo licitatório feita pela CGU indicou exigências ilegais nos editais que teriam favorecido a empresa contratada e possibilitado desvios de recursos.
A empresa privada recebeu, entre 2017 e 2024, mais de R$ 29 milhões em aditivos contratuais sucessivos que envolviam a locação de veículos para o município e fornecimento de carros-pipas.
Foram encontradas suspeitas de irregularidades na execução do contrato, como o aditamento do prazo de contratação por cinco vezes, ultrapassando o tempo máximo permitido, a pagamentos sem cobertura contratual. Além da utilização de notas fiscais supostamente frias, pagamentos de veículos com motorista que estariam sendo conduzidos por servidores da própria prefeitura e manipulação de dados para inflar preços.
Operação
Nesta quinta-feira, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão em Araci, Feira de Santana, Salvador, Santaluz e Serrinha.O trabalho contou com a participação de cerca de 50 policiais federais e 10 auditores da CGU.
Como denunciar
A CGU, por meio da Ouvidoria-Geral da União (OGU), mantém a Plataforma Fala.BR para o recebimento de denúncias.
Quem tiver informações sobre esta operação ou quaisquer outras irregularidades, pode enviá-las por meio de formulário eletrônico do Fala.BR.A denúncia pode ser anônima. Para isso, basta escolher a opção “Não identificado”. O cadastro deve seguir, ainda, as seguintes orientações: no campo “Sobre qual assunto você quer falar”, basta marcar a opção “Operações CGU”; e no campo “Fale aqui”, insira o nome da operação e a Unidade da Federação na qual ela foi deflagrada.
Os principais alvos são o ex-prefeito de Serrinha, Adriano Lima (PSD), e o deputado estadual Marcinho Oliveira, ex-vice-prefeito de Santaluz e atual presidente do PRD na Bahia.
De acordo com a PF, o então gestor municipal teria fraudado licitações de locação de veículos entre 2017 e 2024. As apurações apontam que as irregularidades foram cometidas em conjunto com outros servidores de Serrinha e em conluio com a empresa vencedora e firmas cooptadas.
Segundo as investigações, Marcinho Oliveira seria o proprietário da empresa envolvida no esquema.
Após a manipulação do processo licitatório, também foi identificado que o parlamentar efetuava transferências e pagamentos em dinheiro a servidores e gestores, sendo esses recursos provenientes do superfaturamento e da não execução dos serviços.
Os contratos investigados foram firmados durante a gestão de Adriano Lima.