Política

CARNAVAL DE SALVADOR SEM FORÇA INTERNACIONAL NO MAR ROSA CHOQUE (tTF)

Momo de Salvador virou uma festa doméstica sem relevância e visibilidade internacional
Tasso Franco , da redação em Salvador | 18/02/2026 às 19:29
Os giros do Carnaval
Foto: BJÁ
    
  MIUDINHAS GLOBAIS:

  1. O Carnaval de Salvador é o único evento da cidade que tem alguma visibilidade internacional. Esse lado, no entanto, não é trabalhado um marketing para trazer ao evento personalidades internacionais e nacionais e a festa está se tornando doméstica, baiana, com os (as) personagens da Bahia (Caetano, Gil, Ivete, etc) e os baianos, uma vez que os paulistas e os mineiros que vinham muito desaparecerem, pois, aprenderam a fazer carnavais de rua e os turistas em grupos sumiram e só vieram uns poucos argentinos.

  2. De personalidades com perfil médio internacional estiveram na festa Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira, que veio como garoto propaganda da Brahma e não para ver ou por que gosta da cultura baiana do Carnaval; e o cantor canadense Shwan Mendes, 27, que esteve no trio da amiga Ivete Sangalo com a namorada Bruna Marquesine, mais um gesto de amizade com a cantora baiana do que propriamente com o Carnaval. Faltaram, pois, personagens internacionais. 

  3. Nacional, de peso, só o presidente Lula da Silva, que veio mais para fazer politica-partidária do que qualquer outra coisa. Uma visita engessada e camarotizada. Quem puxou o coro dos aplausos foi a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Não houve contatos populares, fala para a imprensa, nada que valorizasse o Momo de Salvador, enredo que ele já fizera em Recife e estendeu a Bahia e ao Rio onde uma escola de samba o homenagearia.

  4. Que lembro, a personagem internacional mais importante que esteve no Carnaval de Salvador foi o bispo Desmond Tutu que realizou um encontro marcante com Gilberto Gil no camarote Expresso 2222, em 2007. 
  5. Tutu, arcebispo sul-africano e vencedor do Nobel da Paz, visitou o camarote de Gilberto Gil durante a folia baiana. Em 2021, após a morte de Tutu, Gil relembrou o momento nas redes sociais com a frase "Salve a batina do bispo Tutu", destacando a visita de 2007.

  6. No camarote do prefeito Bruno Reis, na abertura do Carnaval 2026, esteve o governador do Rio de Janeiro, Celso Castro, uma vez que a PMS resolveu homenagear o samba que teria nascido na Bahia, mas, todo mundo sabe, que a terra do samba onde se canta e dança samba é o Rio de Janeiro. Castro, discreto que foi, não iria encher a bola do Carnaval de Salvador. Passou batido.

  6. Os blocos afros que segundo o governo receberam R$17 milhões em ajuda poderiam se unir e trazer algum africano famoso internacionalmente. Nada aconteceu. O Olodum fez seu desfile mais midiático no Pelourinho e por lá estiveram João Gomes e Caetano Veloso. E o Ilê Ayê, até a saída no Curuzu, minguou. Quem esteve por lá foi o vice-governador Geraldinho.

  6. Lembro, também, que certa ocasião Carlinhos Brown quis trazer o cantor James Brown, donde dizem ter tirado seu nome artístico, mas, este teria pedido 400.000 dólares e o projeto não foi à frente. Na época, ano 2000, o objetivo erae promover um encontro histórico entre o rei do soul americano e o samba-reggae do Candeal. 

7. Nessa época, Brown consolidava projetos no Candeal, como o Candyall Guetho Square e a associação Pracatum, buscando conectar a percussão baiana com raízes da música negra mundial. O encontro simbolizaria a influência da "Bahia do Mundo" (título de um álbum de Brown de 2001) e o diálogo entre o funk de James Brown e o timbaleiro. James não veio e faleceu em 2006.

8. Brown (o baiano) e Gil são os únicos artistas carnavalescos que podem incrementar um novo projeto internacional para o Momo. Daniela Mercury talvez também possa ser essa pessoa e no plano do marketing cultural tem muita gente que sabe fazer isso. Mas, a questão é que custa muito dinheiro. Mas, dinheiro no Carnaval parece não faltar. O Estado gastou algo em torno de R$150 milhões dos nossos impostos; e a PMS outros tantos milhões.

9. Com diria Vavá Lomanto (já falecido) que cunhou a expressão para época de politica quando consultado por algum cabo eleitora a procura de capilé, ele dizia: “Dinheiro não faltará”, então, a questão é de organização e método. Todas as personalidades internacionais para esse tipo de evento cobram e cobram caro e em dólares, mesmo os políticos.

10. Michele Obama seria um nome valoroso no Carnaval e daria uma visibilidade fantástica. Obama seria mais ainda. Brigitte Macron seria uma outra boa pedida. A França é um celeiro: Tem Zidane, Dembelê, o zagueiro Lilian Thuran ou Samuel Umtiti. Na Inglaterra tem Lewis Hamilton e no mundo do esporte não faltam pessoas. Neste 2026, nem Ronaldinho Gaúcho apareceu. Ronaldão até será melhor do que Ancelotti.

11. Salvador, antes, não tinha muitos competidores no Carnaval. Mas SP, Rio e BH cresceram muito. Neste 2026, Ivete já esteve em São Paulo puxando blocos e a tendência é levar Ivete mais vezes e outros artistas. O Carnaval e um modelo típico do capitalismo. Na Bahia, no entanto, está se tornando estatal porque o estado é governado pelo PT e os gestores usam o dinheiro dos nossos impostos dizendo que estão fazendo Carnaval democrático. Pelo contrário, o pobre também paga., Até um pão que compre se paga ICMS. 

12. O certo é que o modelo do Carnaval de Salvador não se esgotou. Uma festa que reúne 1 milhão de pessoas por dia tem consumidores, tem vida. Nesse ponto, o momo está vibrante, até crescendo, porém, a cada ano se torna mais doméstico, baiano, o que não deixa de ser bom, porém, sem visibilidade nacional e internacional.

13. Antes alguns artistas nacionais vinham tocar no Carnaval porque dava visibilidade era um bom palco. Hoje, isso diminuiu bastante ou desapareceu. Nem Alok mexe mais com o público. O Olodum faz mais sucesso. 

14. Os blocos afro poderiam fazer a diferença, mas não fazem. Estão padronizados, empacotados, com a mesma coreografia e uma batida de tambores repetitiva. Africanos viriam aqui copiar alguma coisa? Se inspirarem? Nada. Os africanos dos países mais desenvolvidos estão centrados no rock, sobretudo a Nigéria e a África do Sul.

15. Os artistas de lá viriam aqui fazer o que? E do Egito? Já cantamos o Egito de todas as maneiras e Faraó é a música mais cantada na Bahia. Já ouviram falar de algum artista do Egito que veio para o Carnaval da Bahia? Zero.

16. É isso, domésticos ficamos.  

17. O novo viés é que Salvador se tornou o maior palco gay do país no momo. Mar cor de rosa choque nas ruas. Isso é bom ou ruim? Só o tempo dirá. A farra do beijo que, antigamente era homem x mulher (até música apareceu e bloco também, o que imortalizou Netinho) agora é homem x homem ou como está se difundindo: “Quem casou; casou”.

18. O Carnaval tem giros que não são determinados pelos governos e governantes, organizadores e outros especialistas, tem movimentos que são feitos pela sociedade de maneira ampla e irrestrita  quando se abrem os olhos eles já aconteceram ou estão acontecendo.