Duas sessões especiais e uma entrega de título de Cidadão Soteropolitano marcaram esta sexta-feira, 9, na Câmara de Salvador. Uma delas foi a comemoração do Dia Municipal da Consciência Humana (10 de setembro), presidida pelo vereador Paulo Câmara (PSDB), autor do projeto que instituiu a data. Na mesma oportunidade se deu a abertura, pela Organização Científica de Estudos Materiais, Naturais e Espirituais (Ocidemnte), do 11º Simpósio Internacional sobre Consciência e o 2º Simpósio Internacional sobre Autoconhecimento, com o tema “Consciência, autoconhecimento e transformação: uma visão transdisciplinar”.
“Hoje é um dia em que devemos celebrar mais uma instância conquistada na busca da transformação para a paz”, frisou o tucano, explicando que a data “oportunizará ao cidadão mobilizar a sociedade no encaminhamento de propostas que busquem novas reflexões sobre a qualidade de vida que levamos”. E deixou claro que por qualidade de vida entende-se as condições que contribuem para o bem físico, mental, psicológico e espiritual do indivíduo em sociedade.
“Precisamos lembrar que somos criaturas e criadores da nossa própria realidade e estamos sendo convidados a atender às necessidades de tornar o mundo melhor para nossos filhos e netos. Precisamos melhorar a cada dia. Não podemos compactuar com a violência ou a negligência para com o próximo. Não podemos apenas criticar ou recusar a participar do desajuste social. Precisamos mudar nossos paradigmas e participar da construção de uma nova sociedade. Nova ordem mundial”, declarou o edil.
Carmem Bahia, coordenadora dos simpósios, homenageou com a comenda Entes Conscientes Joelice Braga, secretária municipal de Educação; Juarez Ramos, reitor do Centro Universitário Estácio da Bahia; e o cantor e compositor Raimundo Fagner, presidente da Fundação Raimundo Fagner. Participaram da mesa do evento, ainda, Ney Campelo, superintendente de Políticas para a Educação Básica do Governo do Estado, e Gel Varela, conselheiro e diretor administrativo da Fundação Ocidemnte.
“Maluco Beleza”
A outra sessão especial homenageou o cantor e compositor baiano, Raul Seixas, morto em 21 de agosto de 1989. Sua contribuição musical para Salvador e para o Brasil, principalmente na formação de consciências cidadãs, pregando a inquietude e manifestações coletivas de “metamorfoses ambulantes”, foi destacada por Sílvio Humberto (PSB), propositor do evento.
“Entendemos que o nosso mandato é de construções coletivas. Recebemos a ideia da servidora da Câmara, Lais Scapoli, de realizar essa sessão e entendemos que Raul Seixas esteve sempre muito à frente do seu tempo. Os nossos sonhos são bons antídotos para esses tempos temerosos. Sonhando juntos seremos inquebrantáveis. As músicas de Raul serão um combustível para que não sonhemos sozinhos e quebremos todos os padrões que nos são impostos”, afirmou o socialista.
Manifestações artísticas e culturais abrilhantaram a sessão especial e o rock’n roll tomou conta do Plenário Cosme de Farias. Além de um vídeo contando a história de vida do “Maluco Beleza”, a “Sociedade Alternativa” sonhada pelo artista foi cultuada na solenidade.
Novo cidadão
O título de Cidadão Soteropolitano foi para o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ), nascido em Alagoinhas, município do Norte baiano, em solenidade realizada pela manhã. Autora da homenagem, Aladilce Souza (PCdoB) destacou sua representatividade em todo o estado e sua luta em defesa das minorias.
O parlamentar foi eleito em 2015 e tem mandato até 2018. É escritor, com quatro livros publicados, professor do Programa de Pós-Graduação em Infecção HIV/Aids e Hepatites Virais da UniRio, além de colunista da revista Carta Capital.
Em Salvador se formou em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia e obteve o título de mestre em Literatura e Linguística. Após a graduação, trabalhou nos jornais Tribuna da Bahia e Correio da Bahia e foi professor da UniJorge.
“É um exemplo de militância destemida, firme e alegre. É uma referência no combate à homofobia, ao machismo e contra qualquer tipo de preconceito. Salvador agradece por tê-lo como o seu mais novo cidadão, agora oficialmente, e que é um exemplo na construção de uma sociedade mais democrática”, afirmou a comunista.
Apresentações musicais, poemas recitados e relatos afetivos contados por amigos levaram Wyllys às lágrimas. “Em meio à política tão cheia de ódio em que muitas pessoas só pensam em destruir, ouvir daqueles que me conhecem aquilo o que realmente sou é emocionante. Faz parte da minha vida antes mesmo de eu morar aqui. Essa cidade começou a povoar meu imaginário quando estava ainda em Alagoinhas. No trabalho de jornalista, conheci vários pontos da cidade. A minha primeira matéria foi o assassinato de um camelô no Iguatemi. Antes eu já me sentia cidadão, agora eu sou parte dessa galera”, declarou.