O vereador Hilton Coelho (PSOL) está cobrando do Governo do Estado uma resposta para o crescimento dos crimes na Bahia. Segundo o socialista a política de segurança pública estadual se mostrou derrotada com os sequestros e mortes de jovens no subúrbio ferroviário de Salvador: “A violência aumentou após o assassinato do policial militar Washington Luiz Santos Cruz, em Paripe. O governador Jaques Wagner e a cúpula da segurança pública não podem manter o silêncio. Devem uma satisfação à sociedade, em especial à comunidade do Subúrbio que está assustada e ainda mais insegura”.
De acordo com o edil os familiares e a própria polícia não registraram passagens das vítimas pela Delegacia do Adolescente Infrator (DAI) e a Polícia Civil não informou se os dois maiores de idade, Wesley Silva Pinto e Reinaldo dos Santos Alves, tinham estado em outras delegacias.
Para ele até mesmo o “critério preconceituoso de marginalizar a vítima não pode ser usado nesse episódio. Trata-se de falta absoluta do Estado, que nada representa ou oferece para os moradores dos bairros populares. Sou morador de Itacaranha e sei o que a população passa. Exigimos justiça e que os responsáveis pelos covardes assassinatos e sequestros sejam identificados e punidos”.
Em sua opinião as secretarias de Segurança Pública (SSP-BA), de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH) são as que mais recebem recursos públicos, não justificando a situação de violência.
“Para quem elas (as secretarias) existem? Para quem funcionam? Elas têm a obrigação de agir em prol da sociedade e a realidade que vivemos no Subúrbio Ferroviário e em toda a Bahia nos bairros periféricos é a barbárie onde atuam as polícias ou os grupos de extermínios onde as vítimas sempre são os mesmos, a juventude negra”, questionou.
Ele citou dados estatísticos com estudos sobre a violência na Bahia e sugeriu ao governo estadual para observar os números divulgados pelo Mapa da Violência 2014.
Edital dos ônibus
Hilton manifestou também sua satisfação diante da discussão aberta pelo Ministério Público da Bahia, através da Promotoria do Meio Ambiente e Urbanismo, sobre a falta de objeto da licitação e os equívocos do edital do transporte urbano em Salvador.
“Nosso mandato apresentou críticas ao processo desde o início. A posição mais coerente para a cidade é a suspensão da licitação dos transportes. Entretanto, era intrigante a posição do Ministério Público em manter o processo licitatório. A informação de que o órgão ministerial pode adotar outra postura frente a este processo traz uma luz ao debate que em minha opinião contribui muito para que os interesses dos usuários do transporte coletivo sejam preservados”, declarou.
Ele lembrou a inexistência de um Plano Diretor de Mobilidade Urbana em Salvador: “Sem ele, esta licitação nasce inútil, completamente sem função, pois o caos do transporte continuará. A elaboração do Plano é condição para o recebimento de recursos do governo federal para a mobilidade urbana a partir de 2015. É mais que evidente a prioridade na elaboração de um plano de mobilidade com ampla participação popular e só depois realizar uma licitação digna do nome e não essa que só confirma a existência de algo no mínimo suspeito comprovado pela existência de uma única proposta com todas as empresas que hoje existem na cidade, indicando uma licitação dirigida”.
Para o legislador a modalidade escolhida pela prefeitura que foca no quanto de retorno financeiro terá pela concessão dos serviços. A seu ver para beneficiar a maioria da população o ideal seria a modalidade de licitação que leve em conta a menor tarifa, com uma possível redução do preço da passagem de ônibus para o trabalhador: “É explícita a falta de objeto da licitação, haja vista a possível mudança nas linhas. Neste sentido, a Promotoria do Meio Ambiente e Urbanismo do Ministério Público tem toda razão em questionar o processo licitatório e espera-se que cumpra sua função constitucional e missão institucional barrando a licitação na Justiça”.
Em relação à concessão de licença prévia para a construção da estrutura para o BRT (Bus Rapid Transit) que deve operar por uma faixa de rodagem exclusiva (corredor de ônibus) para evitar o congestionamento do tráfego, Hilton afirma não haver estudos conclusivos sobre a viabilidade do BRT, bem como, dada a inexistência do Plano Diretor de Mobilidade, não é possível saber se obra tão vultosa se enquadraria em um planejamento de logo prazo para a cidade: “Como todos sabem, a proposta do BRT atende aos interesses das empresas sediadas no SETPS que controlam o que qualifico como imobilidade urbana de Salvador há anos e querem continuar controlando”.